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Toyota e GM aceleram "projeto elétrico" após anúncio de imposto menor

Murilo Góes/UOL
Bolt é modelo mais ambicioso da GM: elétrico, autônomo e conectado; Toyota avança com Prius Flex Imagem: Murilo Góes/UOL

Eugênio Augusto Brito, André Deliberato, Leonardo Felix, Fernando Calmon

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/01/2018 13h08

Prius flex (híbrido) está mais perto das ruas e Bolt (elétrico) terá teste com frota

Esperado há muito, o aceno oficial do governo para que modelos híbridos e elétricos possam ter um tratamento tributário mais justo no Brasil pode ser suficiente para finalmente acelerar projetos no país. Toyota e General Motors, por exemplo, reforçaram suas propostas de testes e comercialização de veículos "verdes". Antes, BMW, Volkswagen e Hyundai haviam divulgado planos, ainda que tímidos, contando com um cenário mais positivo em 2018.

Conforme divulgado na última terça-feira (23), pelo ministro interino Marcos Jorge (Indústria e Comércio Exterior), elétricos e híbridos devem mesmo ter a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzidos dos atuais 25% (teto de cobranças) para 7% (o mesmo patamar de modelos 1.0). De toda forma, o novo patamar precisa ser validado pelo Planalto e não será implantado de forma automática, haverá um período de transição.

Marcas como a japonesa Nissan (que trará o elétrico Leaf em 2019), sua parceira francesa Renault (que já poderia estar vendendo modelos como o Twizy), a norte-americana Ford, a sueca Volvo e até a chinesa BYD (que testa localmente o sedã e5 e a minivan e6) também podem se beneficiar das novas alíquotas para incrementar oferta no país.  

Claro, ainda é justo esperar por ações que sejam atraentes financeiramente -- essas, de fato, serviriam de incentivo para que donos de carros com motor comum pensassem na troca por modelos "limpos". Ainda assim, a faixa de IPI mais adequada, a isenção dos 35% do Imposto de Importação (desde 2015) e iniciativas pontuais de algumas cidades (ainda que haja problemas, como em São Paulo) melhoram o cenário, certamente.

Quando for validada e publicada, a nova lista de alíquotas de IPI para carros de passeio e comerciais leves deve ser: 7% (modelos 1.0 e híbridos ou elétricos); 11% (acima de 1.0 até 2.0, flex ou a etanol); 13% (acima de 1.0 até 2.0 a gasolina); 18% (acima de 2.0, flex ou a etanol); 25% (acima de 2.0, a gasolina); utilitários (4% e 8%). 

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Toyota à frente

Em evento no qual a Toyota celebrou seus 60 anos no Brasil, executivos deram mais detalhes sobre a versão local do Prius, com motor híbrido flex, cujo projeto UOL Carros revelou com exclusividade em novembro. A estreia está prevista para o segundo semestre deste ano.

Miguel Fonseca, vice-presidente executivo da Toyota do Brasil, afirmou que a versão bicombustível do híbrido será um dos carros "mais limpos do planeta". "Acredito que a eletrificação do etanol é a solução para o futuro da mobilidade no Brasil. É isso que vai colocar o país na rota mundial de tecnologia", aponta executivo. 

Esse sistema flex é desenvolvido localmente em parceria com as universidades UNB (de Brasília-DF) e USP (São Paulo). Ainda assim, o Prius deve continuar sendo importado do Japão, mesmo com motor a combustão bicombustível, uma vez que boa parte das tecnologias do carro ainda são fabricadas apenas lá.

Por conta deste cenário, o Prius Flex deve seguir recolhendo 4% de Imposto de Importação -- a faixa atual varia entre 0 e 7%, dependendo do modelo. Atualmente, o valor cobrado nas lojas é de R$ 126 mil.

GM em nova era

Quem também pode acelerar seus planos é a General Motors, que completa 93 anos de atuação no Brasil na sexta-feira (26) e já testa o Bolt no país

Elétrico puro que impressiona ao acelerar, o Chevrolet Bolt  também chama atenção pelo modo como pode ser dirigido no trânsito: praticamente sem usar o pedal de freio. Basta escolher regeneração máxima ao retirar o pé do acelerador. Quadro de instrumentos indica autonomia otimista (até 380 km) e pessimista (diminui ansiedade ao informar ao motorista a distância restante na pior situação).

Em termos de estilo, porém, o Bolt assusta quase nada. Espaçoso, com piso todo plano na frente e atrás, o monovolume produzido pela GM nos EUA tem ótima posição ao volante e comportamento em curvas superior à média por seu baixo centro de gravidade. Câmera traseira, quando acionada, reproduz imagens em grande angulação na superfície total do espelho interno. Visualmente, se alinha aos atuais Chevrolet Cruze e Equinox.

Como o Bolt ainda é muito caro (custa nos EUA de US$ 38 mil a US$ 41 mil, enquanto o Prius similar ao vendido no Brasil parte de U$ 23.500 por lá), a empresa pretende formar pequena frota de demonstração e teste no Brasil -- atualmente há um único exemplar rodando. Mas o anúncio do novo IPI pode viabilizar incrementos.

Segundo Marcos Munhoz, vice-presidente da GM Mercosul, carros elétricos como o Bolt servirão para dar uma cara mais tecnológica e socialmente engajada à empresa. "Carros elétricos têm como missão cumprir três objetivos, que são: zero de emissões, zero de acidentes e zero de congestionamento", afirmou.

"São [objetivos] extremamente agressivos, extremamente ambiciosos, mas isso faz para nossa empresa uma linha clara do que a gente acredita que é o futuro, que com certeza passará por elétricos, que com certeza passará por autônomos e, com certeza, teremos várias formas de gerar eletricidade para esses carros", completou Munhoz, ressaltando que o Brasil ainda precisa discutir como criará sua rede de abastecimento e que, na prática, elétricos não serão modelos aptos a rodar em todas as cidades do país, mas em centros específicos. 

Ainda assim, de acordo com o executivo, "é o futuro em que acreditamos piamente e ele chegará mais rápido do que muita gente pode imaginar".

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