Salão de Tóquio

Nissan vai vender novo Leaf e Kicks híbrido no Brasil a partir de 2019

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Tóquio (Japão)

30/10/2017 12h51

Mesmo sem qualquer sinal oficial de que o Governo Federal realmente vá incentivar a produção de carros elétricos e/ou híbridos e sua estrutura de abastecimento (existem apenas isenções tímidas para vendas a nível federal, estadual e municipal), as fabricantes começam a anunciar planos concretos para o Brasil. A Nissan, por exemplo, quer ser líder em eletrificação nos próximos anos, usando o elétrico Leaf de segunda geração e possivelmente um Kicks híbrido por aqui.

Este anúncio foi feito no Salão do Automóvel do Japão e chega menos de um mês após a gigante americana General Motors cravar que também tem grandes ambições para o país, com modelos como o elétrico Bolt.

Segundo o presidente da Nissan do Brasil, Marco Silva, o objetivo é ser líder de eletrificação e conectividade no Brasil e na América Latina, já a partir de 2019.

Falta, porém, definir se haverá fabricação local (seja no Mercosul, seja no México). Para nacionalizar qualquer uma das duas tecnologias, é preciso haver incentivos federais.

"A produção local pode ser bastante viável, seja no Brasil ou na região, mas é preciso ver se faz sentido economicamente", afirmou a UOL Carros.

"O [esperado novo programa de regras do setor automotivo] 'Rota 2030' deverá dar os parâmetros para o uso desse tipo de tecnologia, ajudando a definir inclusive se faremos investimentos em nova fábrica ou não", concluiu.

Ainda assim, uma coisa é certa: a nova geração do Leaf chega primeiro por importação, já em 2019, mesmo ano em que a Nissan vai estrear no campeonato mundial de Fórmula E (com bólidos elétricos), que terá corrida inclusive no circuito de Interlagos (São Paulo/SP).

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Mais popular que Tesla

Este novo Leaf não foi escolhido por acaso: a primeira geração é o elétrico mais popular do mundo, tendo vendido 280 mil carros em oito anos. É o modelo mais vendido no Japão, desbancando até o híbrido Prius (mais barato) nos EUA, batendo até a Tesla.

Neste período, o primeiro Leaf foi testado até mesmo no Brasil, por dois anos, em acordos com prefeituras (em serviços de táxi) e empresas elétricas de Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.

Ainda assim, não seria um percurso fácil vender o carro sem estrutura de apoio. "Dois anos de teste serviram de aprendizado grande para nós, aprendemos muito sobre o carro, mas pouco foi feito de fato em termos de eletrificação", apontou Marco Silva. "É preciso ampliar essa estrutura de recarga e apoio em pontos públicos e também em nossos concessionários".

E para fazer este tipo de avanço, as marcas esperam a indicação do governo. O anúncio do plano para o setor já está atrasado em pelo menos dois meses.

Hatch atualizado

Com ou sem incentivos, o Leaf 2 agora está melhor, mais bonito e mais tecnológico que o primeiro. Até mesmo o visual ficou menos alinhado ao de carro de brinquedo: o Leaf agora tem linhas arrojadas e até esportivas, lembrando que o rivais do segmento de hatches médios, como Chevrolet Cruze, Ford Focus e Hyundai HB20.

Faróis são de LED com a belíssima assinatura dos modelos mais atuais da Nissan -- esqueça a estranheza dos nacionais March e Versa. As lanternas traseiras em bumerangue lembram as do poderoso Godzilla, o Nissan GT-R.

Só o miolo do que seria a grade frontal (como o carro não precisa de refrigeração, a grelha foi trocada por uma cobertura com acabamento holográfico de gosto duvidoso) e a emenda em plástico preto no centro da tampa do porta-malas mantiveram o aspecto... frágil.

Andando, o novo Leaf pode ajudar o motorista a se mover com mais segurança em curvas e até estacionar automaticamente, graças aos sistemas semi-autônomos de controle de cruzeiro avançado e controle de esterçamento (chamados pela marca de "Pro Pilot") e do auxílio de estacionamento. A carroceria está mais larga e próxima do chão em relação ao primeiro Leaf, melhorando estabilidade

Reforçado, o conjunto elétrico permite rodar quase 400 km com uma carga. Seu conjunto elétrico gera força equivalente àquela dos motores turbo de Chevrolet Cruze e Honda Civic, por exemplo. Por enquanto, só japoneses podem comprar o novo Leaf pelo equivalente a 40 mil dólares.

Preço ainda é assunto delicado e "em aberto" no caso do Brasil. Sem incentivos, não sairia por menos de R$ 190 mil.

Mas a ideia da Nissan para concretizar seus planos é trabalhar com valores mais próximos dos R$ 100 mil do que dos R$ 200 mil. O futuro (mas, principalmente, o governo) dirá qual o patamar real.

*Viagem a convite da Anfavea

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