Mobilidade

Engenheiros dizem que Brasil precisa apostar já em carros híbridos flex

Mario Villaescusa/Carplace
Toyota Prius ao lado do novo Corolla: regras do Rota 2030 podem fazer híbrido mais vendido do mundo virar flex e ser produzido no Brasil Imagem: Mario Villaescusa/Carplace

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL

11/10/2017 04h00

Já tem marca testando e vendendo carros híbridos e até elétricos no Brasil -- o mais atual é o Chevrolet Bolt, que tem unidade emplacada pela GM. Na "vida real", porém, o brasileiro ainda discute se o carro com motor flex -- tecnologia brasileira criada em 2003 e que permite usar tanto gasolina, quanto etanol -- pode ser ou não mais eficiente que o motor puramente a gasolina.

Normalmente, o motor flex abastecido só com etanol gera mais potência e torque do que quando alimentado com gasolina. Além disso, o etanol reduz drasticamente as emissões de CO². Assim, alguns especialistas e engenheiros afirmam que o Brasil não precisaria se preocupar com veículos elétricos -- bastaria desenvolver melhor seus motores flex para ter uma cadeia mais eficiente, limpa e com menor custo. Uma saída perfeita seria ter motores "híbridos flex".

"O futuro inevitavelmente será de veículos elétricos, mas hoje a tecnologia é importada e não é uma solução para o Brasil. O etanol aparece como uma alternativa viável para reduzir emissões. Os carros híbridos com etanol são o caminho, especialmente associados com turbo e outros recursos, entregando mais potência e torque em baixas rotações se comparados com a gasolina", afirma Renato Romio, chefe da divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia.

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Aposta de engenheiro

Até hoje, considera-se que o etanol forneça mais energia, mas também seja gasto mais rapidamente pelo motor. A conta mais conhecida aponta que o álcool combustível forneça 70% da autonomia da gasolina -- assim, só seria vantajoso para o bolso usar etanol com preço 30% menor que o da gasolina.

Especialistas da divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia defendem, porém, que o motor flex atual já pode chegar a 75% da autonomia de um motor a gasolina e que o número pode chegar rapidamente a 80%.

"Com a recente aplicação de tecnologias como turbo e injeção direta, além de avanços no gerenciamento eletrônico e da prática de downsizing, os motores flex evoluíram muito na comparação com os primeiros, lançados no começo dos anos 2000. Mas ainda dá para melhorar. Já é possível colocar no mercado motores flex de autonomia de 80% com etanol na comparação com gasolina", avalia Renato Romio, do Instituto Mauá. 

Para acelerar o desenvolvimento de motores ainda mais eficientes, cobra que o governo aprove o "Rota 2030" (novo conjunto de regras para o setor automotivo) com política de incentivos definida para montadoras que desenvolverem da melhor forma os propulsores flex. Os benefícios seriam concedidos de forma gradual, premiando as montadoras a cada avanço. E destaca que o "Inovar-Auto", criado pelo governo de Dilma Rousseff, já previa um incentivo semelhante, mas que nunca entrou em vigor ao longo de sua vigência.

Quando o motor flex for capaz de render autonomia de mais de 80% na comparação com gasolina, o processo de eletrificação ficará facilitado permitindo a criação de modelos híbridos flex.

 

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