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Cultura do carro

Bandeirante foi tão forte que fez Toyota nascer no Brasil e durou 43 anos

Rodrigo Mora

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

23/01/2018 15h44

Utilitário "ogro" trouxe Toyota ao Brasil em 1958 e foi único nacional até chegada do Corolla brasileiro, em 1998

Pense no início da industrialização automotiva do Brasil, ocorrido no fim da década de 1950. Os nomes mais óbvios são Romi-Isetta, DKW, Volkswagen, Chevrolet e Ford. Mas a lista não está completa sem a Toyota, cuja estreia no país ocorreu da mesma maneira que quase todas as demais: um representante abre as portas importando os veículos desmontados e, pouco tempo depois, a própria marca assume a operação. Par de anos depois, a montagem dá lugar à manufatura. O veículo principal? O Bandeirante -- mas vamos contar essa história direitinho.

Ator imprescindível nesse cenário foi o Geia (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), órgão responsável pelos estímulos à produção local criado em 16 de maio de 1956 pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Grosso modo, foi o "Inovar-Auto" daqueles tempos. "Sua missão era estimular em um prazo de cinco anos a produção local de veículos com alto índice de nacionalização. Na época, a indústria automobilística empregava 9,8 mil pessoas, produzia 30,5 mil veículos no Brasil, comercializava quase 31 mil e não exportava nenhum deles", conta a Anfavea, a associação dos fabricantes.

No caso da fabricante japonesa, a história começa com a Sociedade Comercial Arpagral Ltda., que no início dos anos 1950 trazia chassis de veículos comerciais da Toyota (que davam origem a caminhões e ônibus) e também o utilitário Land  Cruiser  FJ-25. Até que no dia 23 de janeiro de 1958 a marca se instala oficialmente no Brasil, com um escritório aberto no bairro paulistano do Ipiranga. Muito depois, por exemplo, do que Ford (1919) e Chevrolet (1923), pioneiras. 

A Arpagral sai de cena e a Toyota passa a montar o Land  Cruiser pelo processo CKD (Complete Knock-Down, pelo qual importa todas as peças e apenas monta por aqui), ainda em São Paulo. Somente em 1962 transfere suas operações para São Bernardo do Campo, então um canteiro de obras gigantesco -- a Scania inaugura sua unidade por lá no mesmo ano e ambas se juntam a Mercedes-Benz e Volkswagen.

Daí foi só jogar "Land  Cruiser" no Google Tradutor da época e rebatizar o utilitário como... Bandeirante.

Divulgação
Land Cruiser FJ40 foi modelo japonês mais próximo do brasileiro Bandeirante original Imagem: Divulgação

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Toyota Bandeirante abriu portas (e trilhas)

Curioso notar como a Toyota deu o pontapé inicial no Brasil com um carro comercial: "O Toyota Bandeirante foi construído para durar longos anos produzindo lucros para seu proprietário", explicava o manual do proprietário do Bandeirante.

Quanto às medidas, eram 3,83 metros de comprimento, 2,28 metros entre-eixos e 1.450 kg de peso. Na cabine mais do que espartana, quase rústica, cabiam seis pessoas em dois assentos inteiriços.

Sob o capô, uma dança das cadeiras. Na fase de montagem, o motor era um Toyota 4 litros de seis-cilindros a gasolina, substituído três anos depois pelo diesel Mercedes-Benz (OM-324, 78 cv) . Em 1994, retoma um bloco próprio, importado. Não agradou muitos fãs do carro, que preferiam o torque e a durabilidade do Mercedes -- que tinha fama de poder rodar 1 milhão de quilômetros -- à suavidade do novo propulsor, mais suave na estrada.

Quarenta e três anos e 104.621 unidades depois, o Bandeirante se aposentava, em 28 de novembro de 2001. Pouco conviveu com o resto da família Toyota, apesar disso: só em 1992 teve com quem dividir o teto, quando a Toyota passou a importar Hilux, Corolla e Camry. E até a estreia do Corolla brasileiro, em setembro de 1998, foram 36 anos como o único Toyota nacional -- você pode conhecer mais pormenores da história aqui no parceiro Best Cars.

Divulgação
Última unidade do Bandeirante produzida em 2001 (na foto, ao lado do primeiro Corolla 1968 a chegar ao país) Imagem: Divulgação

Linha do tempo da Toyota e do Bandeirante

- 23 de janeiro de 1958: nasce a Toyota do Brasil Indústria e Comércio Ltda.
- Dezembro de 1958: inaugurada a linha de montagem, em São Paulo.
- Maio de 1959: lançamento do Land  Cruiser  FJ-251, só montado no Brasil. É a primeira vez que a Toyota monta ou fabrica carros fora do Japão.
- 1961: capota de lona chega como opcional e motor Toyota a gasolina é substituído por um Mercedes a diesel, usado em tratores.
- Novembro de 1962: a montagem CKD é substituída pela produção, já em São Bernardo do Campo (SP). Surge o modelo longo (TB51L), com 2,75 m de entre-eixos (ante 2,25 m do original).
- 1963: lançamento da versão picape.
- 1968: Bandeirante alcança 100% de índice de nacionalização.
- 1969: até então nas mãos da Brasinca, carrocerias passam a ser feitas pela Toyota.
- 1973: adotado motor Mercedes-Benz OM-314, com injeção direta, 3,8 litros e 85 cv.
- Maio de 1981: mudanças no câmbio, com relações mais longas -- no antigo, a primeira marcha praticamente não era usada no asfalto, de tão curta. Também novidade era a caixa de transferência de duas velocidades. Chassis mais longos permitiam a existência de uma picape cabine dupla.
- 1985: novo painel de instrumentos (marcador de combustível, termômetro do motor, manômetro do óleo e voltímetro, relógio e conta-giros). Bandeirante fica mais atraente com a instalação opcional de quebra-mato, rodas mais largas e faróis auxiliares.
- 1987: novos freios (mais potentes) e direção com assistência hidráulica.
- 1989: primeira reestilização entregava ao Bandeirante novos faróis e grade. O motor agora é o Mercedes OM-364, com 90 cv.
- 1993: estreia do câmbio de cinco marchas e ampliação do tanque de combustível para 63 litros.
- 1994: motor Mercedes é substituído por um Toyota (14B) com potência maior (96 cv a 3.400 giros, ante 90 cv a 2.800 rpm).
- 1996: freios a discos chegam ao eixo dianteiro.
- 1999: estreia da picape de cabine dupla e quatro portas.
- 28 de novembro de 2001: produção do Bandeirante é encerrada.

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