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"Inovar-Auto": programa de Dilma deixou carro brasileiro 15% mais eficiente

Fernando Donasci/UOL
Entre acertos e tropeços, "Inovar-Auto" produziu carros mais eficientes em cinco anos Imagem: Fernando Donasci/UOL

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

27/12/2017 04h00

Fizemos um balanço final do Inovar-Auto, criado em 2012, com acertos e erros de cinco anos do programa

O "Inovar-Auto", regime automotivo estabelecido pelo governo de Dilma Rousseff em 2012, será encerrado definitivamente em 31 de dezembro deste ano -- algumas de suas ações, porém, já haviam expirado no começo deste semestre. Polêmico, estabelecia metas ambiciosas de crescimento da cadeia produtiva nacional e de eficiência energética dos veículos vendidos no país.

Conseguiu cumprir seus objetivos?

Passados os cinco anos de sua vigência, a resposta é sim -- e com certa folga. Mas houve tropeços, claro. Se as diretrizes do Inovar estabeleciam uma melhora média de 12% da frota brasileira em eficiência energética no período, dados da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) apontam evolução efetiva de 15,4%. Ou seja: ganhamos três pontos de "lambuja".

Ao mesmo tempo, porém, alguns pontos do "Inovar-Auto" (como o chamado "super-IPI" para modelos importados) foram contestados até mesmo pela OMC (Organização Mundial de Comércio), que apontou o protecionismo forçado provocado pelas medidas.

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Eficiência

Na prática, quanto "mais eficiente" um carro é, menor seu "desperdício" de energia ao funcionar. Isso significa que o consumo de combustível é menor e os índices de poluentes emitidos na atmosfera, mais baixos. Isso só foi possível com a "obrigatoriedade" do programa de investimentos em novas tecnologias.

"Tratou-se de um dos mais ousados planos de melhora de eficiência energética já vistos no mundo", elogia Edson Orikassa, presidente da AEA. De acordo com a associação, o país encerra 2017 com um padrão médio de 1,82 MJ/km consumidos para carros de passeio e comerciais leves, considerando um peso médio de pouco mais de 1.100 kg.

Para atingir tais números, tanto modelos produzidos no Brasil quanto importados tiveram de promover fortes adaptações em seus motores. Entre as soluções aplicadas estão: downsizing (redução de capacidade cúbica, com aumento de relação de potência e potência/torque específicos); adoção de motores com três cilindros ante os convencionais de quatro cilindros; uso de turbo, injeção direta e comando variável de válvulas; e elevação do etanol a elemento fundamental para ganho de desempenho, reduzindo emissões.

"Os engenheiros brasileiros fizeram um grande trabalho para tornar os propulsores mais eficientes e com menor atrito", aponta Marcos Clemente, diretor de eficiência energética da AEA. Também foram adotadas novas soluções para o sistema de transmissão, como caixas de câmbio com maior número de marchas e pneus com menor resistência à rolagem, que são popularmente conhecidos como "pneus verdes".

Infelizmente, o "Inovar-Auto" não serviu para incentivar a fabricação e comercialização de automóveis "verdes" -- elétricos e híbridos. As regras de importação e produção deste tipo de motorização permaneceram restritas, apesar de haver leve avanço.

Divulgação
BMW: Araquari (SC) tem capacidade de entregar 30 mil carros ao ano e já exportou até aos EUA Imagem: Divulgação

Mais fábricas...

Outra frente que o "Inovar-Auto" tentou impulsionar foi a nacionalização da produção. Ao todo foram oito fábricas inauguradas, ao custo de aproximadamente R$ 14 bilhões. Veja a lista: 

"Rota 2030" manterá o ritmo?

Todos esses são pontos que o "Rota 2030" tentará abranger, sem deixar de reduzir o ritmo nas conquistas do "Inovar-Auto". As metas de evolução em eficiência energética para os próximos cinco anos, por exemplo, devem ser estabelecidas novamente em 12%, para uma média de 1,62 MJ/km no caso de carros de passeio.

Será que o próximo programa conseguirá expandir o legado de seu antecessor? Confira abaixo uma série de reportagens especiais que fizemos sobre ele em junho, além de outras notícias relacionadas ao tema publicadas nos últimos meses.

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