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Atraso do Planalto faz outra vítima: encomendas do Toyota Prius caíram

Eugênio Augusto Brito, Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

11/04/2018 13h34

Híbrido mais vendido no país perdeu 34% das reservas em 2018 por demora no anúncio do "Rota 2030", aponta marca

Se num sentido amplo é possível dizer que toda a indústria automotiva brasileira perde com o atraso na definição do "Rota 2030" por conta do governo federal, de forma mais direta já existe uma vítima específica da demora do Planalto: as encomendas do Toyota Prius, que é o modelo híbrido mais vendido do Brasil, caíram 34% em 2018, revelou a Toyota do Brasil a UOL Carros.

Segundo a empresa, o consumidor estaria aguardando por uma possível redução do imposto para elétricos e híbridos -- um dos pontos que devem estar incluídos no plano do "Rota 2030" --, evitando pagar mais pelo carro.

Conforme antecipamos na terça-feira (10), o anúncio do novo conjunto de regras automotivas por parte do governo de Michel Temer foi adiado mais uma vez. Uma reunião entre os novos ministros da Fazenda, Eduardo Guardia, e da Indústria e Comércio, Marcos Jorge (antes interino, agora efetivado), com os executivos das principais fabricantes instaladas no país estava marcada para a quinta-feira (12), mas foi cancelada.

Segundo fontes, os novos titulares das pastas pediram de sete a dez dias para entenderem melhor as demandas do setor.

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Ninguém sabe o que fazer

No geral, o programa "Rota 2030" está quase um ano atrasado, uma vez que deveria ter sido anunciado com tempo hábil para entrar em vigor no começo do segundo semestre de 2017. Sem a definição de regras, a indústria não consegue programar investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos modelos, como afirmou o presidente da Volkswagen para América do Sul e Brasil, Pablo di Si. E o mercado automotivo fica sem saber qual será o futuro das taxações e impostos cobrados dos modelos à venda no país.

No caso de híbridos e elétricos, há um agravante: o próprio ministro Marcos Jorge antecipou, durante evento oficial em janeiro, planos do governo para reduzir a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos atuais 25% (teto de cobranças) para 7% (o mesmo patamar de modelos 1.0).

Esse é o fator que levou possíveis compradores a desistirem de encomendar um Prius nos primeiros três meses do ano, segundo a Toyota. O comprador não é bobo e sabe que é melhor deixar o dinheiro no banco e aguardar pela definição do novo imposto, se isso significar gastar menos para ter o carro pretendido, ainda que leve mais tempo.

"Desde quando o governo sinalizou a redução de 25% para 7% do IPI para híbridos e elétricos, as encomendas firmes de Prius caíram consideravelmente nas concessionárias. Antes, tínhamos uma média de 380 pedidos por mês e isso caiu para aproximadamente 250 ao mês. Os clientes estão esperando sair o desconto", afirmou Miguel Fonseca, vice-presidente da Toyota do Brasil. 

Fonseca também aponta que a indecisão do governo atrapalha novos planos da marca, por exemplo, o desenvolvimento do novo Corolla com motor híbrido flex, bem como do novo Prius com o mesmo motor: "Não temos nenhuma informação de quando o Rota 2030 será anunciado, precisamos dessa definição para definir os investimentos. Temos preocupação com sustentabilidade da indústria a longo prazo. Com a adoção de acordos de livre comércio do Brasil com diversos países, se a indústria local não oferecer as mesmas tecnologias presentes em outros mercados, perderá competitividade".

"Não queremos incentivo"

Contrariando o senso comum, Fonseca aponta que a indústria não quer incentivo -- um dos pontos polêmicos na definição do "Rota 2030" --, mas a definição da política fiscal, quando o assunto é carro híbrido ou elétrico.

"Não contamos com incentivos do governo para definir investimentos em híbridos e elétricos e sim de uma política fiscal bem definida. Com sobreposição de impostos, hoje você chega a pagar o triplo que pagaria por um carro muito menos eficiente. Defendemos imposto proporcional à eficiência energética", afirma, referindo-se de novo ao que foi proposto nas discussões do "Rota 2030" e antecipado por Marcos Jorge em janeiro.

"Precisamos desenvolver mais tecnologia local, inclusive para fazer a transição rumo à eletrificação, que acreditamos ser o melhor caminho. Se essa transição não for feita aqui, com regras definidas, a indústria local vai sofrer sérios prejuízos", apontou o executivo.

Apesar da queda nas reservas, a Toyota diz ainda ter um nível forte de entregas, uma vez que a demanda pelo modelo híbrido tem sido maior que a capacidade da marca desde 2017. De acordo com a Toyota, 412 unidades de Prius foram entregues a compradores nos primeiros meses do ano -- de toda forma, é menos do que o total entregue no primeiro trimestre do ano passado (691).

"Vendemos todas as unidades que temos em estoque, a demanda é maior que a disponibilidade. Caíram foram as reservas. No início do ano passado tínhamos demanda reprimida de Prius no Brasil, por conta da paralisação da produção no Japão, consequência do Tsunami de 2016", finalizou Fonseca.

Em 2017, a Toyota registrou recorde de vendas do Prius, com 2.407 unidades (2.405, segundo a Fenabrave), alta de quase 500% na comparação com 2016 (485 veículos pela Toyota, ou 486 pela Fenabrave).

Os números do Prius deixam o modelo com uma confortável vantagem para o Ford Fusion  Hybrid, que vendeu 348 unidades em 2016 e 304 unidades durante todo o ano passado, segundo números fornecidos pela própria montadora.

Além de híbrido mais vendido do país, o Prius é também o modelo mais econômico do nosso mercado, pouco à frente do Peugeot 208 1.2, modelo a combustão mais eficiente.

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