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VW pode desistir de investimentos se Governo não anunciar o "Rota 2030"

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Pablo Di Si, atual presidente da Volkswagen para o Brasil e América do Sul Imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

09/04/2018 19h39Atualizada em 10/04/2018 17h53

Chefão da marca diz que falta de regras "é retrocesso" que poderia jogar Brasil 15 anos no passado

Pablo di Si, presidente da Volkswagen para Brasil e América do Sul, diz estar otimista com a possibilidade de anúncio do programa "Rota 2030" nos próximos dias. UOL Carros estima que o anúncio deva ser feito nesta semana -- fontes ligadas à indústria apontam que executivos estão sendo convidados para "reunião" no Planalto.

Ainda assim, Di Si também faz uma leitura do que pode acontecer com a indústria nacional caso o governo Temer atrase mais uma vez o pacote de regras para as fabricantes de automóveis, que já deveria ter sido anunciado no segundo semestre de 2017 e teve sucessivas alterações na agenda.

"Será um retrocesso. Se [o anúncio do "Rota 2030"] não sair, nós como Volkswagen não vamos seguir com investimentos anunciados", afirmou o executivo.

No começo do ano, a BMW fez prognóstico ainda mais contundente sobre o atraso, ao apontar que fábricas poderiam fechar as portas.

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Reconstrução

A Volkswagen anunciou um total de R$ 7 bilhões para viabilizar seu plano de recuperação no mercado brasileiro/sul-americano, incluindo o lançamento de 20 novidades, sendo que três delas já foram anunciadas (ou seja, aportes já realizados), bem como o de produtos que só terão sua cara definida após 2020 (aportes que ainda serão feitos dentro do total prometido).

Há ainda pouco mais de R$ 2 bilhões deste montante com destinação ainda secreta, bem como a possibilidade de se fazer o anúncio de novos montantes destinados a novas pesquisas, desenvolvimentos e mesmo novas famílias de automóveis.

Dos 20 lançamentos, cinco serão novos SUVs, com o objetivo de voltar a ser líder de mercado, bem como ter chances novamente de brigar pelo topo em diferentes segmentos -- além dos SUVs, a marca volta a ter chance com hatches, sedãs e até com comerciais leves.

Parte do investimento já foi feito, uma vez que modelos como Polo e Virtus já estão no mercado, mas poderia haver mudança de rumo para novos passos.

"Isso [não ter um pacote de regras definido] não significa que o Brasil vá deixar de ter novos carros, mas que o país vai perder conhecimento", apontou o chefão da VW, dando a entender que sem incentivo do governo muitas das novidades (e falamos não apenas de carros novos, mas de componentes) podem ser importadas, em vez de desenvolvidas por aqui.

Segundo fontes ligadas ao setor, uma reunião vai acontecer na tarde da próxima quinta-feira (12) envolvendo os executivos das principais marcas atuantes no país. Nessa reunião, as regras -- e possíveis incentivos -- para os próximos 12 anos devem ser enfim reveladas.

"Essa reunião está na agenda e estou otimista, mas também estava otimista em fevereiro de que [o programa] seria aprovado no final do primeiro trimestre... E não foi. Agora digo que só se ganha o jogo depois que o juiz apita", comparou o executivo. "Tomara que na sexta-feira estejamos comemorando".

Incentivo é "investimento"

A grande polêmica do "Rota 2030" está na carga de incentivos a ser definida. Essa conta gerava atrito entre os ministérios da Fazenda e da Indústria e Comércio, para dizer o mínimo. Gerou também comentários negativos por conta do público, em tempos de crise econômica, orçamento restrito e maior atenção aos gastos públicos.

Pablo Di Si aponta, porém, que os incentivos são apenas parte da conta. Essa parte serviria para garantir o desenvolvimento da indústria brasileira. Assim, deveriam ser tratados como "investimento", e não como "gasto".

Para defender a tese, cita o programa anterior, "Inovar-Auto", feito pelo governo Dilma Rousseff e expirado em 2017.

"Na soma, as montadoras colocaram R$ 25 bilhões em investimento durante o 'Inovar-Auto', enquanto o governou federal entrou com R$ 7,5 bilhões de incentivos. O resultado foram carros mais tecnológicos e seguros", contabilizou o executivo. "Olhe como era um carro brasileiro em 2002, 15 anos atrás. Sem ar-condicionado, sem assistência e sem segurança", comparou.

Usando o próprio Volkswagen Polo como exemplo, ele apontou mudanças entre a geração anterior (a 4, uma vez que o Polo 5 não foi feito nem vendido em nosso mercado) e a atual (Polo 6): "O Polo atual tem 32% a mais de torque, 20% menos de consumo, mais segurança para adultos e crianças [cinco estrelas no Latin Ncap], é maior e 12 quilos mais leve que o anterior".

"Sem incentivo, nós da Volkswagen poderíamos trazer essa tecnologia toda, mas nada seria feito aqui. Outras montadoras nem teriam ou trariam pacotes de fora, da China... Tudo seria importado", concluiu Di Si.

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