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Nota zero do Onix é "retrocesso", diz Proteste; recall afetaria 1 milhão

Alessandro Reis e Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/05/2017 04h00

Associação pró-consumidor diz que fragilidade do carro mais vendido do país pode influenciar negativamente outras marcas e pede leis e segurança mais severas

Brasil, 2010: pela primeira vez um instituto independente e baseado em protocolos internacionais de segurança faz testes de colisão com carros vendidos no mercado (bem como com modelos que seguem também à América Latina como um todo). A partir daquele momento, ficou claro ao mundo todo que o Brasil tinha carros extremamente inseguros. A organização, Latin NCAP, chegou a dizer que "o país estava 20 anos atrasado em segurança".

Brasil, janeiro de 2017: sete anos após o início dos testes de segurança, o Latin NCAP resolve "endurecer" seus procedimentos e exigir mais conteúdo de novos carros para validar a nota máxima (cinco estrelas). Se, até então, modelos como Ford Ecosport, Jeep Renegade, Honda HR-V e Volkswagen up! e Golf eram os únicos com nota máxima, apenas o Golf gabaritou o exercício sob os novos padrões

Apesar disso, a nota zero dada na quinta-feira ao Chevrolet Onix, modelo mais vendido do mercado (e, por correlação, também ao sedã derivado Prisma, que também é o mais vendido na categoria), pode levar a um retrocesso institucional do mercado, acredita a associação de defesa ao consumidor Proteste. Se nada for feito, acredita a entidade, outras empresas podem deixar de ver vantagem em elevar o nível de segurança de seus carros no país. 

Além disso, um possível "recall total" -- como quer a entidade -- pode afetar quase 1 milhão de unidades.  

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"O resultado do teste do Onix nos supreendeu porque há cerca de sete anos temos observado uma melhora gradual na segurança dos automóveis no Brasil, que está pelo menos dentro do aceitável. O Onix foge a essa tendência", apontou Sergio Mardirossian, gerente do Centro de Competência de Produtos e Serviços da Proteste.

"É alarmante por ser o carro mais vendido do Brasil há dois anos, expondo milhares de pessoas a riscos. Não só os ocupantes do carro, mas também terceiros".

Currículo ruim

A General Motors, responsável por Onix e Prisma e líder do mercado nacional, tem histórico de más notas no teste de segurança local. "Essa temeridade é um problema da própria GM, destoando negativamente das outras montadoras", afirma Mardirossian. 

Levantamento feito por UOL Carros confirma o histórico ruim: Celta (uma estrela para adulto), Classic (uma estrela), Meriva (três estrelas) e Agile (zero) já foram aposentados; Malibu (também aposentado no país) e Cruze (o antigo) foram os melhores até agora, com quatro estrelas. Tal desempenho levou a presidente global da GM, Mary Barra, ser cobrada publicamente pelo Latin NCAP em 2016.  

Recall pode ter 1 milhão de carros

Ainda assim, o Onix vendeu mais de 625.920 unidades só no Brasil. Este ano, nos quatro primeiros meses, foram emplacados 53.313 exemplares, mantendo o modelo na liderança. É preciso lembrar ainda que o hatch dá origem ao sedã Prisma, desde 2013, que também tem sido o mais vendido em sua categoria: foram 304.023 unidades (66.337 carros em 2016, quase 18 mil unidades até agora em 2017).

Somando os desempenhos, temos 920.023 unidades, segundo dados de emplacamentos oficiais da Fenabrave. Esse é o número de carros que a Proteste quer que sejam retirados de circulação para reforço da segurança de portas e colunas laterais, estruturas com os principais problemas segundo teste do Latin NCAP.

"Vamos encaminhar o abaixo-assinado ao Denatran e órgãos associados a ele, além do Ministério Público Federal, solicitando a retirada do modelo do mercado até que os problemas estruturais sejam solucionados e ocorra a realização de novo teste de impacto, idêntico ao divulgado", afirmou o representante da Proteste.

Mardirossian explica que a ideia é interromper a venda de unidades novas e fazer com que a General Motors faça um recall das unidades que já estão circulando desde o lançamento do Onix, no fim de 2012.

Murilo Góes/UOL
Antecessor do Onix, Agile também zerou em segurança e sequer teve segunda geração Imagem: Murilo Góes/UOL

Leis e protocolos mais rígidos

Além do "recall total", a Proteste estuda o pedido junto aos órgãos públicos competentes de protocolos de segurança e leis mais severos, a exemplo das exigências da ONU e também da norma americana, que também é seguida na Europa. "Falta uma legislação que obrigue as montadoras a isso [seguir normais adotadas em outros mercados]".

A própria GM afirmou, em sua nota sobre o caso da baixa classificação do Onix, que segue o padrão de segurança vigente no Brasil:

"O Chevrolet Onix cumpre integralmente com todos os requisitos locais de segurança dos mercados onde é vendido na América do Sul.

A GM compartilha o objetivo de melhorar a segurança rodoviária em todo o mundo e busca a melhoria contínua da segurança dos veículos à medida em que novas tecnologias se tornem disponíveis.

A GM coloca o cliente no centro de tudo e anunciou em 2015 um investimento de bilhões de dólares para o desenvolvimento de uma família de veículos totalmente nova, respondendo à rápida mudança da demanda de clientes na América Latina e em outros mercados globais em crescimento.

A GM está sempre procurando formas melhores e mais inovadoras de atender às necessidades em constante evolução dos clientes globais e melhorar o desempenho em segurança. Por essa razão, lançamos recentemente o OnStar em todos os principais países da América do Sul.

O OnStar oferece serviços únicos de emergência que ajudam a fornecer uma resposta rápida e salvam vidas em acidentes de carro.

O Onix é o único veículo da sua categoria a oferecer este tipo de tecnologia. Combinado com airbags duplos e freios ABS com distribuição eletrônica de força de frenagem, acreditamos que o Onix é um dos veículos mais seguros em seu segmento, que é apenas uma das razões de ser o veículo mais vendido na América do Sul."

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