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Elétrico, BMW i3 chega com preço de 9 populares e isenção do rodízio em SP

Murilo Góes/UOL
O elétrico i3 visto em SP: visual futurista e custo de R$ 1 para cada 28 km rodados Imagem: Murilo Góes/UOL

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

10/09/2014 11h14Atualizada em 10/09/2014 18h21

A BMW não quis esperar. Antes mesmo da definição sobre um possível plano de subsídios do Governo Federal (responsável pelo IPI) para veículos movidos a energia alternativa, que pode sofrer mudanças de rumo dependendo do resultado da eleição presidencial de outubro, a montadora alemã resolveu servir de "cobaia" ao lançar no Brasil, nesta quarta-feira (10), o i3, primeiro carro elétrico do país vendido no varejo.

Além dele, trará também o esportivo híbrido i8, mas apenas por encomenda e a preço quase proibitivo.

Antes da dupla, já circulavam pelas ruas brasileiras algumas unidades do Nissan Leaf, também 100% elétrico, porém em número bem restrito e caráter experimental, destinado só a frotas de táxi e à polícia do Rio de Janeiro. Ou seja: não há venda do modelo da marca japonesa.

Além deles, também estão no mercado híbridos como o Toyota Prius e seu "primo" de luxo Lexus CT200h, bem como o sedã Ford Fusion Hybrid -- os três disponíveis ao consumidor.

QUEM PODE COMPRAR
O i3 estará disponível em concessionárias de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Joinville (SC), Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Salvador (BA) e Brasília (DF), em duas versões:

- BMW i3 Rex Entry: R$ 225.950
Inclui seis airbags, ar-condicionado, controle de estabilidade e tração, freios com sistema ABS (antitravamento) e anticolisão (frenagem automática), teto solar, sistema de som, faróis de LED, sensor de estacionamento traseiro, rodas aro 19 polegadas, central multimídia com tela de 10,25 polegadas e navegador GPS, e controle de cruzeiro. Estará disponível nas cores branco Capparis, prata Ionic, prata Andesit, cinza Arravani e cinza Laurus.

- BMW i3 Rex Full: R$ 235.950
Acrescenta ao pacote anterior as rodas aro 20, sensor de estacionamento frontal e traseiro, câmera de ré, controle de cruzeiro adaptativo, acabamento interno diferenciado e opção exclusiva de cor laranja Solaris.

Ou seja, sem a ajuda governamental, a montadora diz não ter conseguido cumprir o plano -- revelado a UOL Carros no último Salão de Detroit -- de trazê-lo abaixo dos R$ 200 mil, e não possui expectativas de reverter essa realidade em curto prazo, conforme admitiram os executivos da fabricante durante o lançamento, realizado na capital paulista.

Murilo Góes/UOL
A BMW confirmou ainda a chegada do esportivo híbrido i8, que vai custar R$ 799.500 e vem só por encomenda. O modelo usa um motor turbo a gasolina de três-cilindros e 1,5 litro entregando 223 cv e 32,6 kgfm sobre as rodas traseiras; as dianteiras são movidas pelo motor elétrico de 133 cv e 25,4 kgfm. Com a dupla, o carro cumpre o 0-100 em 4,4 s e promete consumo de cerca de 30 km/l. Imagem: Murilo Góes/UOL

ECOLOGIA AINDA É LUXO NO BRASIL
Para servir de referência, apenas no período inicial de vendas europeu foram encomendadas dezenas de milhares de unidades (no primeiro mês do ano, mais de 10 mil foram vendidas só no Reino Unido). Por lá, o i3 custa cerca de 35 mil euros (cerca de R$ 105 mil limpos) e há incentivos pontuais concedidos por alguns países (Portugal, Alemanha, Reino Unido, entre outros).

No cenário brasileiro, a BMW nutre expectativas modestas para o i3 -- para este ano, os planos são vender por volta de 100 unidades. E nem há por que esperar mais: além da cautela em relação às cotas de importação do Inovar-Auto, não há como achar que um veículo nove vezes mais caro que um popular como o Fiat Palio Fire (R$ 25.070) terá demanda intensa. E, claro, ainda falamos de um carro de imagem, de uma marca de luxo...

Entenda a isenção do rodízio

  • Imagem: Divulgação
    Divulgação
    Imagem: Divulgação

    Sancionada em maio pelo prefeito Fernando Haddad (PT), a Lei 15.997/14 prevê que carros elétricos, híbridos e a célula de hidrogênio emplacados na cidade de São Paulo recebam de volta 50% do IPVA pago (a parte que cabe à Prefeitura, já que o imposto é estadual) e sejam liberados do rodízio. A devolução do IPVA é limitada a R$ 10 mil e vale 5 cinco anos. O carro não pode custar mais de R$ 150 mil.

MADE IN BRAZIL?
Dependendo de como ficará a questão de subsídios, a fabricante pretende expandir a importação gradativamente até 2017, quando passaria a produzir o modelo na fábrica de Araquari (SC), que está prestes a ser inaugurada. Até lá, as maiores vantagens do i3 (e do i8) serão os baixos índices de emissão de gases e a imunidade ao rodízio de veículos em metrópoles como São Paulo (SP).

Murilo Góes/UOL
Esta é a traseira do i3; elétrico tem visual de minivan e tamanho de hatch médio Imagem: Murilo Góes/UOL
O CARRO
Quando visto em fotografias, o i3 dá a impressão de ser bem compacto. De perto, contudo, é possível perceber como ele na verdade tem quase o comprimento de um hatch médio (3,99 metros), com a vantagem de ter um entre-eixos amplo, ser bastante largo (1,77 m) e alto (1,57 m). Carrega, portanto, quatro pessoas -- o quinto assento não existe; em seu lugar há um porta-copos duplo -- com certo conforto, embora o chão seja alto (afinal, as baterias ficam posicionadas na parte de baixo da carroceria) e o painel invada o habitáculo dos ocupantes de forma exagerada.

Por fora, as linhas são extremamente arrojadas. Só se vê que estamos falando de um BMW pela manutenção da clássica grade dianteira verticalmente bipartida. O para-choque frontal é bojudo a ponto de ocupar mais da metade da frente do elétrico, deixando espaço discreto ao conjunto óptico dianteiro (este com desenho mais tradicional). O capô curvado, a traseira alta e as rodas de liga leve com aro de 19 polegadas contribuem para a imagem de um o modelo mais compacto do que realmente é. Já as portas traseiras são ao estilo "suicida" (com dobradiças na coluna C, o movimento de abertura se dá no sentido invertido ao visto em carros comuns) e com um acentuado desnível na linha de cintura fortalecem o visual futurista.

Plataforma e chassi são construídos inteiramente em alumínio e fibra de carbono, materiais mais leves do que o aço. O acabamento interno é de bom gosto e difere de outros BMW pelo uso de materiais ecológicos e recicláveis.

QUANTO TEMPO DURA A BATERIA?
O sistema elétrico pesa 230 quilos no total, somados os 49 kg do propulsor mais os oito módulos de baterias. Segundo a BMW, o conjunto tem durabilidade de 100 mil quilômetros e garantia de oito anos. Montado com 96 células de íon-lítio, ele gera até 170 cavalos de potência e 25,5 kgfm de torque instantâneos, com tração traseira. Com isso, consegue empurrar os 1.315 quilos do veículo de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos.

Em uso convencional, o propulsor possui autonomia de 160 quilômetros, mas pode chegar a 200 km no modo EcoPro+, o mais econômico. Nos cálculos da BMW, são índices suficientes para contemplar as necessidades de 80% dos motoristas, que possuem perfil de utilização basicamente urbano.

De qualquer forma, um motor extra a gasolina, de dois cilindros, 647 cm³ e 34 cv, estará disponível nas duas versões (daí o nome Rex, de "range extender" ou extensor de autonomia/alcance, em inglês). Esse motor a combustão não empurra as rodas (o que faria do carro um híbrido), apenas serve como gerador de energia para recarregar as baterias, ampliando a autonomia a até 300 km (nos moldes do Chevrolet Volt). A garantia do veículo é de dois anos e os custos de manutenção serão similares aos do Série 1 de entrada.

COMO UM CELULAR
De acordo com a BMW, fazer a recarga completa das baterias elétricas custará R$ 7 em São Paulo, cerca de 80% menos do que o motor a combustão de um popular. Considerando a autonomia padrão (sem contar o extra do motor a gasolina) no modo ecológico, o gasto seria de R$ 1 a cada 28 km.

As recargas podem ser feitas em qualquer tomada de 110 V por 16 horas; em linhas de 220 Volts, o tempo cai a oito horas. Por R$ 7,45 extras, é possível comprar um carregador mais rápido, que reduz o tempo para três e cinco horas, respectivamente. Caso a recarga seja feita na garagem de um condomínio, a tomada do i3 fará a leitura para que a cobrança seja direcionada exclusivamente ao dono.

"A lógica da recarga é como a do celular: o cliente utiliza durante o dia e pode deixá-lo carregando em casa à noite", afirma Carlos Cortes, responsável pelo projeto do i3 no Brasil.

UOL Carros participará de um teste com o modelo durante esta quarta e publicará em breve suas primeiras impressões.

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