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MDIC diz que anúncio do "Rota 2030" é "compromisso do governo com o país"

Fernando Donasci/UOL
Montadoras já ameaçam cancelar investimentos diante de impasse do governo Imagem: Fernando Donasci/UOL

André Ítalo Rocha

Da Agência Estado

23/04/2018 18h13

"Incentivo de R$ 1,5 bilhão é 'superestimado' por quem o critica", diz Ministério

O secretário de Desenvolvimento e Competitividade Industrial, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Igor Calvet, assegurou que o "Rota 2030" será anunciado em breve -- o programa foi atrasado novamente há 15 dias a pedido dos novos ministros.

"O Rota 2030 vai sair. É um compromisso do governo com o país", afirmou Calvet, durante evento realizado em São Paulo (SP).

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Sucessor do "Inovar-Auto", o programa vem sendo discutido desde o ano passado e visa definir regras para a cadeia automotiva por um período de 15 anos. Um dos pontos em discussão envolve incentivos fiscais para investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Previsto inicialmente para ser lançado no segundo semestre do ano passado, a política demora para ser finalizada porque a Fazenda resiste em oferecer reduções de tributos, em um momento em que o governo se esforça para equilibrar as contas públicas.

Calvet, que defende o estímulo fiscal, disse que o valor da renúncia em discussão, de R$ 1,5 bilhão, está sendo "superestimado" por quem o critica. “Para um incentivo de R$ 1,5 bilhão, o programa exige um investimento de R$ 5 bilhões em pesquisa e investimento. É uma conta superavitária”, disse o secretário. "Estamos mudando a lógica em relação ao Inovar-Auto. Tem de cumprir a exigência, para depois receber o benefício", afirmou.

Em resposta ao presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, que no início do evento disse que o setor começava a se desorganizar devido à demora no anúncio do programa, Calvet afirmou que o Rota 2030 será responsável pela reorganização da indústria. "Será o coordenador de esforços do setor", afirmou.

O secretário lembrou ainda a recente promessa feita pelo presidente Michel Temer de que o programa será lançado em maio, e reafirmou que amanhã (terça-feira) haverá uma reunião entre o presidente e representantes das montadoras. "Teremos uma notícia de para qual lado iremos", disse.

Algumas fabricantes já não escondem a insatisfação com a demora do governo. A Toyota admitiu que as vendas do Prius caíram 34% em 2018, pois o cliente estaria aguardando por uma possível redução do imposto para elétricos e híbridos -- um dos pontos que devem estar incluídos no plano do "Rota 2030" --, evitando pagar mais pelo carro.

Já a Volkswagen foi ainda mais longe e ameaçou desistir de realizar os investimentos prometidos para o país.

Aproximação dos vizinhos

Calvet comentou também o acordo entre Brasil e Argentina para o comércio de veículos, que expira em 2020. Segundo ele, o governo brasileiro colocou sobre a mesa, na semana passada, uma proposta para aumentar a relação do flex, regra do acordo segundo a qual, para cada US$ 1 importado da Argentina, o Brasil pode exportar US$ 1,5 para o país vizinho. "O flex precisa refletir relação comercial real entre os dois países, não pode ser fator de restrição", disse.

O secretário, além disso, afirmou que discutiu com o governo argentino o acordo que está sendo negociado entre Mercosul e União Europeia. Para Calvet, não faz sentido haver livre comércio entre os dois blocos e não haver dentro do Mercosul para o comércio de veículos. "Foram questões bem recebidas pela Argentina", concluiu.

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