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Vídeo mostra carro autônomo do Uber atropelando ciclista; assista

Vitor Matsubara, Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

22/03/2018 09h52

Chefes da polícia local dizem que acidente seria difícil de evitar em qualquer modo de condução

A Polícia de Tempe divulgou, nesta sexta-feira (22), tomadas das câmeras internas do Volvo XC90 autônomo que fazia testes para o Uber e acabou atropelamento uma ciclista, na madrugada da última segunda-feira.

Apenas alguns segundos de imagens de duas câmeras foram reveladas. A primeira delas, voltada para a pista, mostra o SUV trafegando por um trecho sem muita iluminação de uma rodovia, quando a ciclista -- Elaine Herzberg, de 49 anos -- surge na frente do veículo. Outra câmera, voltada para o assento do condutor, mostra o técnico do Uber atrás do volante, cumprindo exigência da lei de trânsito nos Estados Unidos. O profissional, no entanto, aparenta estar distraído e também não esboça qualquer reação para tentar evitar o atropelamento. 

Não se sabe quantos dispositivos de imagem estavam habilitados no carro em questão. Carros de testes preliminares, nos quais UOL Carros já teve a oportunidade de observar de perto e até de acompanhar como passageiro, em 2014, estavam equipados com uma câmera de longa distância e infravermelho, duas câmeras estreboscópicas (3D), emissores de lasers e radares (que juntos podem também formas imagens pela refração e reflexão de ondas) e mais a câmera voltada para o condutor, que serve justamente para identificar o grau de atenção ou estresse de quem está ao volante.

A ciclista, que estava desmontada de sua bicicleta no momento do acidente, é atingida em cheio pelo veículo, que não esboça qualquer tentativa de frenagem. Registros da polícia indicam que o XC90 estava viajando a 65 km/h.

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Declarações da polícia local à imprensa apontam que estava "muito claro que teria sido difícil evitar essa colisão em qualquer tipo de modo [autônomo ou humano], baseado em como ela veio das sombras diretamente para a estrada". Em entrevista ao jornal "San Francisco Chronicle", a representante policial declarou que "o acidente não ocorreu somente porque o carro estava no modo autônomo" e que "a colisão era difícil de ser evitada", especialmente pela forma como a pedestre surgiu na frente do veículo.

As investigações prosseguem, no entanto. 

Reprodução/ABC
Primeiro acidente que termina em morte com um carro autônomo aconteceu no domingo, no Arizona Imagem: Reprodução/ABC

Testes foram paralisados

O acidente fatal pode ameaçar o avanço dos carros autônomos nos Estados Unidos. O Uber suspendeu imediatamente a realização de todos os testes com veículos autônomos nas ruas do Arizona e também de São Francisco (Califórnia), Petersburgo (Pensilvânia) e Toronto (Canadá), lugares onde havia unidades do XC90 em circulação para testes.

Esta não é a primeira vez que a empresa interrompe os testes por conta de um incidente ocorrido no Arizona. Em março de 2017 uma colisão já havia sido registrada, embora sem vítimas fatais. Desde então surgiram dúvidas sobre a eficiência das câmeras e radares para identificar a presença de pedestres e outros veículos ao redor.

Fabricantes de automóveis também paralisaram os testes. A Toyota seguirá realizando as atividades apenas com testes em pistas fechadas no Japão, informou a agência "Automotive News Europe".

GM e Ford também seguem em compasso de espera pela resposta de autoridades ao acidente. As empresas temem que muito dinheiro investido nas pesquisas possa ser perdido, a depender das futuras decisões de legisladores.

Legisladores norte-americanos podem endurecer os requisitos para testes a nível nacional -- ainda que o governo de Donald Trump em si seja favorável ao rápido avanço de aprovação e entrega comercial de novas tecnologias. Atualmente, são os estados que definem se carros autônomos podem ou não ser testados em suas ruas no país. A decisão pode acabar sendo, no fim das contas, uma queda de braço com motivação política.

Tesla foi inocentada em outra morte

Ainda não se sabe se o Uber será responsabilizado pelo acidente fatal. Não está descartada a possibilidade de a empresa ou mesmo o funcionário sofrer algum tipo de processado. De qualquer maneira, o veículo estava trafegando acima da velocidade permitida no local do acidente, que, segundo agências e veículos de comunicação locais, é de 55 km/h.

Na Europa, onde UOL Carros acompanhou testes de autônomos, o limite era de 75 km/h.

Ao ser questionado pela agência de notícias Reuters, o Departamento de Polícia de Tempe afirmou que não é responsável por determinar culpa em colisões de veículos e que as investigações seriam encaminhadas a outras autoridades.

Até então, o único caso de acidente fatal deste tipo havia sido do dono de um Tesla Model S que se chocou contra um caminhão. Na época, a fabricante foi severamente criticada por alardear que seus carros estariam próximos de serem autônomos, quando na realidade possuem apenas recursos de condução semi autônoma, ainda cabendo ao motorista a responsabilidade de assumir a direção.

No fim das contas, a Tesla foi inocentada após se descobrir que o motorista já havia gravado diversos vídeos nos quais aparecia sem as mãos do volante, contrariando tanto as indicações da Tesla quanto as leis de trânsito norte-americanas.

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