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Morte de ciclista pode atrasar e parar avanço do carro autônomo nos EUA

Reprodução/CBS
Reprodução de imagem da vítima, Elaine Herzberg, feita pela rede de TV americana CBS Imagem: Reprodução/CBS

Do UOL, em São Paulo (SP)

20/03/2018 16h21

Vai acabar ficando com o Congresso norte-americano decisão sobre testes e vendas no país, tudo por conta do acidente com Uber

Ainda é cedo para sabermos se a morte de uma ciclista na madrugada de segunda-feira, nos EUA, após ser atropelada por um Volvo XC90 autônomo da frota de testes do Uber, vai interromper e atrasar de forma drástica a pesquisa de carros sem motorista em todo o mundo. Mas é fato: o ocorrido já é um obstáculo real a esta corrida em território americano.

Legisladores norte-americanos podem endurecer os requisitos para testes a nível nacional -- atualmente, são os Estados que definem se carros autônomos podem ou não ser testados em suas ruas. A decisão pode acabar sendo, no fim das contas, uma queda de braço política.

Mais: praticamente todas as fabricantes instaladas nos EUA decidiram interromper a circulação de seus carros autônomos. O Uber, claro, paralisou de imediato todo e qualquer teste com carros e caminhões de entrega autônomos, apontou a agência "Reuters".

Outra a dizer que não vai prosseguir com testes nos EUA, por enquanto, é a japonesa Toyota. A marca vai seguir apenas com testes em pistas fechadas no Japão, informou a agência "Automotive New Europe".

GM e Ford também seguem em compasso de espera pela resposta de autoridades ao acidente. As empresas temem que muito dinheiro investido nas pesquisas possa ser perdido, a depender das futuras decisões de legisladores.

De fato, os ânimos da sociedade podem pesar na decisão do Congresso americano, que discute justamente uma permissão para acelerar os testes e vendas nos EUA.

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Congresso americano vai decidir

Até antes do acidente, se planejava que montadoras fossem autorizadas a vender um total de 80 mil veículos autônomos por ano, dentro dos próximos dois anos, se pudessem comprovar que eles são tão seguros quanto carros comuns. Essa, aliás, foi uma das bandeiras de eleição do presidente Donald Trump.

Segundo a "Reuters", o senador republicano John Thune, que preside o comitê para o assunto, afirmou que a "tragédia ressalta a necessidade de adotar leis e políticas adaptadas para veículos autônomos".

Dois senadores democratas, Ed Markey e Richard Blumenthal, acreditam que o acidente com o Uber exige uma resposta dura.

O ex-secretário de Transportes durante o governo de Barack Obama, Anthony Foxx, afirmou à imprensa americana que o ocorrido colocaria toda a indústria e o governo "em alerta de alta prioridade na segurança".

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Volvo XC90 do Uber que atingiu ciclista: discussão era se morte poderia ter sido evitada Imagem: Reprodução/ABC

Europa está mais distante da polêmica

Na Europa, as fabricantes seguem o cronograma normalmente. Em entrevista à "Automotive News Europe", o presidente-executivo da Volkswagen,  Matthias Müller, disse que vai manter a estratégia de longo prazo para entregar os primeiros autônomos em 2021.

"Há indícios de que este acidente foi inevitável", disse Müller, que admitiu que a indústria precisa redobrar os esforços para garantir segurança e aceitação social dos autônomos.

A PSA (Peugeot, Citroën e Opel) disse que vai seguir com os testes com pessoas atrás do volante, sempre com um engenheiro no carro.

Renault, que tem um dos maiores programas de desenvolvimento de modelos elétricos, mas que esta na corrida pelos autônomos em parceria com a Nissan, Microsoft e Nasa, se negou a fechar posição em cima de algo conjuntural.

Honda também preferiu não se pronunciar.

O acidente era inevitável?

A discussão principal no momento é se a morte de Elaine Herzberg, de 49 anos, poderia ter sido evitada. Ela cruzou de bicicleta uma estrada de quatro pistas, no subúrbio de Phoenix (Arizona), quando foi atingida pelo Volvo de testes do Uber, que seguia a 65 km/h, segundo a polícia.

O carro estava no modo autônomo, mas havia um técnico do Uber atrás do volante, como se exige. Não foi divulgado, porém, se o profissional teve ou não tempo de reagir e assumir a direção.

Ainda segundo declarações dos chefes da polícia local à imprensa,  vídeo registrado pelas câmeras do Volvo mostram que seria "muito claro que teria sido difícil evitar essa colisão em qualquer tipo de modo [autônomo ou humano], baseado em como ela veio das sombras diretamente para a estrada".

O único acidente grave antes desse caso havia sido a morte de um dono de Tesla, que se chocou com um caminhão. À época, a fabricante havia sido muito criticada por propagandear que seus carros já estavam muito perto de se tornarem autônomos, quando não estavam -- os carros têm apenas recursos semi-autônomos de assistência ao motorista, que ainda é o responsável pela condução.

No fim das investigações, a Tesla acabou inocentada, por se descobrir que o motorista tinha gravado inúmeros vídeos em que aparecia sem as mãos ao volante, contrariando tanto as indicações da Tesla, quanto as leis de trânsito vigentes. 

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