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Frankfurt comprova: até marcas de luxo se renderam à onda SUV

Murilo Góes/UOL
Até a Bentley aderiu à moda com o super-SUV Bentayga, o único a bater 300 km/h imagem: Murilo Góes/UOL
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Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Salão do Automóvel de Frankfurt, o maior do mundo, vai até o próximo domingo (27) e mostra muito além de dezenas de modelos inteiramente novos, repaginados, com nova mecânica, tração elétrica ou híbrida. A começar pelo tema deste ano: Mobilility Connects (Mobilidade Conecta, em tradução livre). Modo inteligente de dizer que não há mais como separar as duas coisas.

Há quem goste ou quem torça o nariz, mas o avanço dos SUVs continua e ganha ainda mais força. Se não, como explicar uma marca premium, como a Bentley, lançar o Bentayga? Motor W12, inacreditáveis 92 kgfm de torque, mais de 2,4 toneladas de peso e, pela primeira vez num modelo desse tipo, velocidade máxima de 301 km/h! Jaguar também aposta nesse veio de ouro: F-Pace chega para brigar com Porsche Macan, BMW X3/X4, Mercedes-Benz GLC, Audi Q5 e o que mais vier pela frente.

Maserati, Lamborghini e Alfa Romeo já anunciaram que entrarão no carrossel em posições diferentes.

No segmento logo abaixo de SUVs e crossovers, a Volkswagen reformulou o Tiguan (há oito anos sem mudanças de porte) e partiu para uma carroceria mais baixa, larga e longa, capaz de levar até sete passageiros. Até a nova marca da Peugeot-Citroën tinha o conceito DS 4 Crossback, aparentemente pronto para o mercado. A Toyota tem o C-HR, de linhas arrojadas (ainda conceitual) para desafiar o arquirrival Honda HR-V. A BMW reformulou o X1, agora com tração dianteira, a ser produzido em Santa Catarina em 2016. 

Salão alemão é 20x maior que o de SP; assista

Outras novidades

Conversíveis representam o nicho do nicho de qualquer fabricante. Nada impede que Rolls-Royce Dawn e Mercedes-Benz Classe S apostem que endinheirados pelo mundo vão suspirar por eles. Ford optou por embutir o estepe do EcoSport, como preferem os europeus. Renault tem agora um sedã de topo, Talisman, muito mais elegante que o Laguna e o Latitude, mas bater de frente, entre outros, com o novo Audi A4, 120 kg mais leve e tecnologias de ponta, é missão ingrata.

Grupo FCA aposta nos extremos. Fiat deu os primeiros retoques, por fora e por dentro, no bem-sucedido subcompacto 500. E, na outra ponta, Alfa Romeo ressurge das cinzas: Giulia Quadrifoglio, 510 cv, e botão de partida no aro do volante (como na Ferrari 488 Spider, estreante em Frankfurt). Faltou ver o modelo na versão “civil” e sua faixa de preço.

Peugeot demonstrou sua ousadia com o roadster-conceito elétrico Fractal. Só não roubou a cena porque o protótipo híbrido Mercedes-Benz IAA pode mudar aerodinamicamente, variando largura e comprimento da carroceria, à medida que a velocidade aumenta.

Porsche aproveitou a mostra no seu quintal para retocar o 911 Carrera e seguir dois passos previsíveis e importantes: agora só motores biturbo (3.0 de 370 e 420 cv) e caixa automatizada de duas embreagens (fim do câmbio manual). Instigante, porém, foi o Mission E Concept. Sedã-cupê de quatro portas, as de trás de abertura reversa, linhas finais ainda por evoluir. Futuro primeiro Porsche totalmente elétrico, oferece 600 cv, 500 km de autonomia e vai de 0 a 200 km/h em menos de 12 segundos.

Duas notícias, ainda do salão: BMW e Toyota podem aprofundar sua aliança estratégica e oito fabricantes se comprometeram a incluir sistemas antiatropelamento de série. 

Roda Viva

  • Congresso da Fenabrave na semana passada, em São Paulo (SP), no ano em que a entidade das concessionárias completa meio século, teve o lema Inove para Vencer. Procurou injeção de ânimo em setor fortemente afetado pela fraca economia do País e a crise de confiança (a pior). Ordem é investir em qualidade percebida, rapidez no atendimento e fazer certo já na primeira vez.
     
  • Novo Audi A4 recebeu mudanças sutis de estilo, mas evoluiu bastante em eletrônica de bordo, mecânica e interior. É recordista em aerodinâmica (Coeficiente em 0,23). Há três motores turbo a gasolina, 4-cilindros (150 a 272 cv). Curiosamente, único V6 é a diesel. Consumo de combustível caiu até 21% e potência subiu até 25%. Caixa automatizada (duas embreagens) substituiu CVT.
     
  • Lançado em Veneza e por ruas e estradas das redondezas, A4 ganhou em dirigibilidade: suspensões de cinco braços e ajustáveis em altura (2,3 cm) opcional. Sistema de assistência em tráfego permite guiar sem mãos no volante, por 10 segundos, a até 50 km/h. No Brasil, chega no segundo trimestre de 2016, inclusive com versão 1.4 turboflex de 150 cv (motor nacional).
     
  • Hyundai HB20 reestilizado chega em 10 de outubro próximo, inicialmente na versão hatch. Estilo mais elegante, nova central multimídia (espelha telefones Android e Apple), airbags laterais, ar-condicionado digital e opção de bancos de couro marrom destacam-se. Câmbios manual ou automático, seis marchas, mudaram a dinâmica do carro. Preços: R$ 38.995 a R$ 63.535.
     
  • Finalmente extintor de incêndio passou a ser facultativo. Princípios de incêndio, para os quais se fabricam extintores, são bem raros em carros modernos. Entre veículos leves com seguro representam apenas 0,04% das ocorrências relatadas. Além disso, as pessoas não sabem usar e em acidentes graves há casos de ferimentos causados por eles.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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