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Avaliação: McLaren 600LT mostra como peitar Porsche e Ferrari; assista

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João Anacleto

Colaboração para o UOL, em Budapeste (Hungria)

15/10/2018 15h00

Esportivo britânico chega ao Brasil em 2019, mas já avaliamos a máquina no lendário circuito de Hungaroring

Como todo McLaren, ele não é um carro qualquer. Vai muito além disso. Dissecado pela engenharia da marca que nasceu das pistas, o 600LT é uma versão atlética do não menos especial 570S, modelo de entrada da McLaren que se meteu a fazer carros.

Com 100 kg a menos que o primo mais comportado, ele se dispõe a chamar você de piloto e oferece comportamento de carro de corrida desde o momento em que acorda. Esse "você", claro, é para quem tiver entre R$ 2,6 e R$ 2,7 milhões na conta e a sorte de arrematar uma das poucas unidades do carro que virão para o Brasil em 2019.

A McLaren não revela números de produção, mas avisa que este carro deve ser fabricado apenas durante 12 meses.

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Depois de reconhecer todas as benesses que a perda de peso pode oferecer, com muita fibra de carbono por dentro e por fora, rodas e pneus especiais e um sistema de escape que sai por cima dos ombros, fomos para o circuito de Hungaroring, na Hungria -- palco da inenarrável ultrapassagem de Nelson Piquet sobre Ayrton Senna, no GP de F1 de 1986 -- ver o que 600 cv e 63,2 kgfm do V8 biturbo podem fazer quando precisam deslocar 1.247 kg.

Para você ter ideia, ele é 135 kg mais leve do que, por exemplo, um Lamborghini Huracán Performante e seu V10 aspirado de 640 cv.

As principais diferenças com relação ao 570S são sentidas ao se acomodar e apertar o botão da ignição. Bancos de fibra de carbono, couro do tipo alcantara no volante e vidros mais finos trazem o ronco do V8 para os seus ouvidos com a tecla CAPS LOCK ativada.

Na primeira manobra ao sair dos boxes, com o modo para pista acionado, você entende o que a McLaren quis com ele: nenhum toque nos pedais ou no volante passa despercebido. A direção é direta como um relâmpago e os freios agarram as rodas de um jeito que ele parece querer se enterrar no asfalto.

Divulgação
Sua aceleração impressiona mesmo ao passar dos três dígitos: ele chega a 200 km/h em 8,2 segundos Imagem: Divulgação

Em números

Sua aceleração, feita de 0 a 100 km/h em 2,8 segundos, impressiona mesmo ao passar dos três dígitos. Ele chega a 200 km/h em apenas 8,2 segundos, menos tempo do que você levou para ler este parágrafo.

Clichês à parte, o 600LT faz questão de não parecer com nenhum dos concorrentes. Não traz o temperamento indócil de Ferrari 488 GTB nem as insanidades do Porsche 911 GT2 RS. O equilíbrio marca a tocada, apesar de as trocas de marchas estarem sempre fazendo questão de mostrar o coice que o carro pode dar. Saídas de traseira são comuns, contudo ele lhe avisa com semanas de antecedência. O negócio desse carro é deixar você no controle, sempre, ainda que a física atrapalhe.

Com toques gentis no acelerador você sai de qualquer curva como se estivesse entrando na rua de casa. E se tiver entrado rápido demais, os controles de tração e estabilidade trazem você de volta num estalo de dedos.

O motor central ajuda nesse equilíbrio, mas deve-se reconhecer a astúcia dos pneus desenvolvidos exclusivamente para ele -- claro, mais leves que os convencionais. Depois de 12 voltas você se sente parte dele, confiante, a ponto de arrancar mais de 235 km/h do velocímetro no final de uma reta com apenas 788 metros. É isso que a McLaren quer dar aos seus donos.

* João Anacleto é editor e apresentador do canal "A Roda", no YouTube.

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