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Avaliação: Volvo V60 tem estilo e dinâmica de fazer inveja a qualquer SUV

Rodrigo Mora

Colaboração para o UOL, de Costa Dorada (Espanha)

10/06/2018 08h00

Perua média chega ao Brasil em agosto por R$ 199.950; UOL Carros testou, se emocionou e conta como anda

Enquanto apresentava a segunda geração da V60 a jornalistas na Espanha, a Volvo disparou o seguinte comunicado via e-mail: “recebemos quase 80 mil pedidos pelo XC40 e estamos expandindo sua produção na Europa e na China para atender a demanda”. No Velho Continente, o diminuto SUV é feito en Ghent (Bélgica), de onde vem importado ao Brasil.

"O sucesso do XC40 superou até nossas maiores expectativas. O segmento de utilitários esportivos compactos é o que mais cresce atualmente”, complementava o aviso Håkan Samuelsson, presidente e diretor-executivo global da Volvo Cars.

O recado -- se foi intencional ou não é secundário -- deixa ainda mais explícito o cenário atual: SUVs dão as cartas na indústria automotiva e o farão por tempo indeterminado. Só que há quem ainda se apegue a um conceito demodê chamado tradição, e no caso da Volvo há a responsabilidade de ser a principal produtora de peruas no mundo.

É aí que entra a nova geração da V60, que desembarca no Brasil em agosto por R$ 199.950, e já pode ser encomendada.

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Beleza que emociona

Quanto à V60, a perua agora é montada sobre a plataforma modular SPA (Scalable Product Architecture), o mesmo berço de XC60, XC90, S90 e V90. Entre outras coisas, a nova estrutura se traduz em mais leveza, segurança e -- urgente num planeta cada vez mais assolado pelo aquecimento global -- motorização híbrida.

Visual também mudou totalmente e dizimou o ditado “beleza é relativa”. Não se trata de se a V60 é bela ou não, mas sim do quão bela ela é.

Aos olhos de UOL Carros, emocionantemente bonita. Larga, esquia, com teto baixo, faróis e lanternas ousadas, a nova perua da Volvo é dona de um dos desenhos mais harmoniosos dos últimos tempos. Anote: abocanhará boa parte dos concursos de design automotivo que virão por aí.

Na cabine, uma repetição dos elementos já vistos em XC60 e XC90, o que é uma boa notícia. Hoje, a cabine de um Volvo é a que combina madeira e metal de modo mais sofisticado. Talvez falte arrojo em um ou outro ponto (como o volante um tanto insosso), mas o resultado geral é a rara linha tênue entre luxo e simplicidade.

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Lanternas enganchadas tanto na tampa do porta-malas quanto na coluna do vidro traseiro podem até ser exageradas, mas dentro do contexto visual só reforçam caráter estiloso da V60 Imagem: Divulgação

O que a V60 tem

O espaço melhorou, sobretudo no salto de 9,6 centímetros do entre-eixos, para 2,87 metros. Porta-malas também avançou, de 429 para 529 litros. Mas é bom que você faça parte daquele tipo de família que não passará do segundo filho, pois o terceiro reclamaria do malabarismo imposto às pernas para desviar do túnel central elevado -- “culpa” do sistema híbrido, pois é sob o carro que se posiciona a bateria elétrica.

Cada vez que guiamos um Volvo a central de entretenimento Sensus de 9 polegadas fica mais simples de usar. E desta vez nos explicaram por que é fica na vertical: “Na hora de manusear um mapa do GPS, é mais importante ver o que está à frente do que dos lados, algo que acaba sendo prejudicado nas telas horizontais”, diz Robert Broström, engenheiro da empresa responsável pelos sistemas multimídia.

E que tal regular o banco para sentar o mais rente ao chão, algo impossível em um SUV? 

Quanto ao conteúdo, a T5 Momentum traz como itens mais relevantes: sistema de áudio com 10 alto-falantes e 170 watts; bancos dianteiros eletricamente reguláveis (o do motorista com memória); ar-condicionado digital de duas zonas; airbags frontais; laterais e de cortina; frenagem automática com assistente de direção; frenagem automática contra veículos vindos na contramão; alerta de mudança de faixa; controle de cruzeiro adaptativo com assistente de direção, completando o pacote semiautônomo.

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Cabine passa sensação de luxo sem pender para o cafona. Ponto para a discrição sueca! Imagem: Divulgação

Rodando "like a boss"

Sob o cofre quem se apresenta é o motor 2.0 4-cilindros turbo já conhecido de todos os novos produtos da marca, mas que na configuração avaliada, T6 Inscription, chega a 310 cv de potência e 40,8 kgfm de torque. Motor e câmbio (automático de oito marchas) trabalham em sintonia. Podem proporcionar um rodar suave, quase sonífero, mas também levá-lo ao limite de 120 km/h da rodovia.

Contudo, essa impressão é um tanto inócua, porque a única versão que chegará ao Brasil é a T5 Momentum, onde o 2.0 turbo gera 258 cv e 35,5 kgfm. Fôlego não será o mesmo da unidade testada, claro, mas certamente não faltará desempenho, especialmente pela aerodinâmica privilegiada.

Nas estradas sinuosas e de asfalto impecável da Costa Dorada surge outra credencial que donos de peruas conseguem esfregar na cara dos proprietários de SUVs: curvas contornadas sem pneus sonoramente desesperados para manter um carro de 1,43 m de altura (o XC60 tem 1,66 m) grudado ao chão. Sem falar na carroceria que se mantém ereta, sem adernar.

Único pecado é a ausência das borboletas atrás do volante para trocas manuais, concentradas apenas na alavanca. Com tantas qualidades reunidas num mesmo veículo, ter um "defeitinho" assim até que cai bem.

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Toda perua tem que ter, claro, um porta-malas generoso. No caso da V60 são 529 litros Imagem: Divulgação

Mas quem vai comprar?

Segundo João Henrique Oliveira, diretor comercial da Volvo, clientes de V60 entram na concessionária atrás dela. Há os que já estão no terceiro modelo e, em vez de trocá-la pelos novos SUVs da marca, preferiram esperar pela nova perua.

Não que sua pretensão seja bater o XC40 em vendas, muito pelo contrário. Até o final do ano os representantes comerciais da marca no país estimam vender 1.000 unidades do SUV compacto e apenas 150 da perua.

Em um segmento tão reduzido, a concorrência é até necessária. “Fico feliz que eles -- Audi A4 (R$ 195.990) e Mercedes-Benz Classe C  Estate (R$ 278.900) -- estejam no mercado, porque todos se ajudam a manter esse mercado vivo”, diz Oliveira.

Ele tem razão: na atual conjuntura, saber que as peruas ainda não morreram é o alento que nos resta.

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