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Ford parou com os carros? Nissan, Toyota, Honda e Hyundai agradecem

Mark Lennihan/AP
Nissan Altima 2019: asiáticas não só não desistiram, como apresentam carros de passeio cada vez mais bonitos, seguros e tecnológicos Imagem: Mark Lennihan/AP

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

29/04/2018 08h00

Você já sabe, a esta altura, que a Ford anunciou a aposentadoria de seus carros de passeio no mercado norte-americano, afirmando preferir apostar em SUVs, no Mustang e, claro, em picapes. Seja por poupar dinheiro, focar no desejo atual dos compradores ou antecipar tendências, a decisão foi classificada por muitos analistas como correta, por ter chances de transformar os atuais maus resultados em lucros, no fim das contas.

Mas uma análise, feita pela revista "Forbes", é bem interessante por mostrar que, mesmo sendo correta, a decisão da Ford pode, na verdade, fazer suas rivais orientais terem lucro. Toyota, Nissan e Honda, principalmente, já lideram o mercado de carros de passeio e agora herdam a fatia da Ford sem qualquer esforço, ampliando ainda mais suas margens. E mesmo a sul-coreana Hyundai, que não tem tido bons resultados nos EUA, pode se beneficiar muito com a fuga da Ford.

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Duas caras da mesma moeda

SUVs e picapes cada vez mais onipresentes e/ou atraentes têm derrubado as vendas de hatches, sedãs, monovolumes e de outros segmentos. No caso particular do mercado dos EUA, a venda de carros de passeio tem recuado há algum tempo -- queda de 11% só em 2017. No caso específico da Ford, seu carro de passeio mais vendido, o Fusion, perdeu 21% do mercado no último ano (19º veículo mais vendido no mercado).

Por outro lado, Escape teve um ano positivo (0,4% de alta, sendo 11º modelo mais vendido do mercado) e as picapes da Série F ganharam quase 10% de espaço, entregando quase 897 mil unidades.

É desse fracasso que a Ford foge, ao afirmar que vai deixar de vender Fusion e todos os outros sedãs e hatches. Mas também irá abrir mão de atender, por exemplo, 210 mil clientes -- número de entregas do Fusion em 2017. Clientes que Toyota, Nissan, Honda e, sobretudo, Hyundai (cujo primeiro carro na lista de mais vendidos em 2017 foi o Elantra, com "apenas" 198 mil entregas, em 20º) vão fazer de tudo para cativar.

Segundo bem lembrou Joann Muller, da "Forbes", não é porque o mercado está pendendo para o lado das picapes e dos SUVs que todo cliente vá querer levar um desses tipos de veículos para a garagem. Se um cliente realmente preferir hatches e a Ford não puder entregá-los, ele não vai ficar contente em levar um SUV da marca de Detroit. Este cliente, muito certamente, vai comprar de outra marca.

Também não é porque mais e mais consumidores compram picapes e SUVs na América do Norte, lembra revista, que esse mercado simplesmente vai deixar de existir de uma semana para outra. A Honda, por exemplo, tem colhido bons resultados com o Civic (7º lugar nos EUA, com 377 mil unidades, em 2017) e mesmo com o Accord, que teve ligeira queda por estar mudando de geração. E a Toyota está tão bem (o primeiro carro de passeio entre os mais vendidos foi o Camry, em 6º, com 387 mil unidades, enquanto o Corolla foi 10º, com 308 mil), que está abrindo uma nova fábrica no Alabama só para ampliar a produção da nova geração do Corolla. O mesmo faz a Nissan, que acaba de mostrar sua nova geração do sedã grande Altima (médio nos EUA), cheia de tecnologia, conforto, segurança... e beleza (em 2017, a geração anterior foi 14ª, com 255 mil vendas). 

Também vale lembrar que, se por um lado a Ford vai seguir com seus carros de passeio no resto do mundo, por outro, deixar de competir neste segmento em casa (ainda mais no caso do segundo maior mercado do mundo) pode tirar muito da competitividade e relevância da marca neste segmento. A General Motors, por exemplo, também não vem colhendo bons resultados com seus carros de passeio, mas não está abandonando o barco justamente por quer demonstrar que tem força para dar as cartas nesse jogo -- ainda que sua principal aposta esteja nos carros compactos e em mercados como o da China e do Brasil, que terão o grosso de seus investimentos nos próximos anos. 

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