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Avaliação: C4 Lounge é bom como Corolla e Civic e custa R$ 20 mil a menos

Leonardo Felix

Do UOL, em Buenos Aires (Argentina)

19/03/2018 04h00

Assista à avaliação da versão de topo do renovado sedã médio, que quer voltar a crescer no mercado de sedãs médios

Num mercado em que um Toyota Corolla Altis custa R$ 117.900 e um Honda Civic Touring, R$ 124.900, o Citroën C4 Lounge Shine 1.6 THP de R$ 102.790 passa a ser uma das opções mais interessantes entre as versões de topo dos sedãs médios. Isso se o comprador for desapegado do estigma que assola os veículos franceses.

Apesar dessas questões, o C4 Lounge é boa alternativa a quem quer fugir da mesmice dos sedãs japoneses, manter equipamentos e ainda economizar bons R$ 15 mil ou até R$ 20 mil por isso. "Mas e o preço da revenda?", alguém perguntará. Bem, aí vai das prioridades de quem vai assinar o cheque.

Reestilizado após cinco anos de vida e com novos equipamentos, o três-volumes fabricado em El Palomar (Argentina) chega para recuperar o espaço perdido -- já que vende o equivalente a 5% do volume do líder Corolla. 

UOL Carros avaliou a mais cara delas por ruas e estradas da região metropolitana de Buenos Aires, terra onde o modelo é feito, e conferiu o que ele oferece para retomar destaque. 

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Bom recheio a preço "camarada"

Frente à concorrência o C4 Lounge possui uma boa cesta de equipamentos. Na linha 2019 o pacote foi incrementado basicamente pelo quadro de instrumentos 100% digital (monocromático e simples até demais, verdade, mas fácil de visualizar) e pela central multimídia com projeção de celulares, ainda em tela tátil de 7 polegadas, só que agora responsiva, mais destacada no painel e responsável por integrar também os comandos do ar-condicionado digital de duas zonas.

Além dessas novidades o três-volumes possui como itens de destaque: chave inteligente; alarme; trio elétrico; faróis full-LED; lanternas traseiras com assinatura em LED de efeito tridimensional; seis airbags (frontais, laterais e de cortina); sensores de luminosidade e chuva; navegador GPS; câmera de ré; retrovisor interno antiofuscante; volante e bancos revestidos em couro; banco traseiro com apoio de braço retrátil na posição central; teto solar.

Também merece menção o já conhecido motor 1.6 turboflex da família THP, que ainda guarda resquícios de DNA da BMW. Capaz de render 166 cv de potência com gasolina e 173 cv com etanol, sendo 24,5 kgfm de torque com qualquer combustível logo a 1.400 rpm, ele entrega ótimo desempenho e consumo moderado para os padrões do segmento.

Segundo o Programa de Etiquetagem do Inmetro, a configuração dotada de câmbio automático de seis marchas -- única a ser comercializada a partir de agora -- chega a 13,2 km/l na estrada usando combustível derivado do petróleo. Em nosso teste não pudemos auferir uma autonomia compatível pois a unidade utilizava gasolina argentina, cuja mistura difere da brasileira -- misturada a 27% de etanol.

Espaço interno é outro bom ponto. Mesmo sendo um projeto mais antigo, o C4 Lounge possui entre-eixos de 2,71 metros, 1 cm maior que o de Corolla e Civic. Largura de 1,79 metro e altura de 1,50 metro contribuem para um bom espaço a pernas, ombros e cabeças. Bancos possuem nível satisfatório de conforto em todas as posições. Níveis de isolamento acústico, rigidez da carroceria e firmeza das suspensões são os mesmos de antes, e estão dentro do que se deve exigir de um carro de porte médio acima de R$ 100 mil.

Murilo Góes/UOL
Cluster digital e novo sistema multimídia, incluindo espaço para descansar o celular, ajudam a arejar cabine do C4 Lounge. Só que o desenho do volante e do console central acabam denunciando a idade do projeto Imagem: Murilo Góes/UOL

Sinais da idade

É preciso dizer que as mudanças feitas ao C4 Lounge vieram em hora mais do que bem-vinda, já que o carro passara cinco anos praticamente sem modificações. Ainda assim, estamos falando de uma reestilização de meia-vida, não de uma troca de geração, o que significa que o carro seguirá pequenos sinais de "idade mais avançada".

Exemplo 1: o volante demasiadamente grande e com assistência hidráulica mais dura e menos precisa do que as caixas elétricas progressivas atuais.

Exemplo 2: a antiquada alavanca do freio de estacionamento, pouquíssimo ergonômica, que exige esforço além do recomendável especialmente na hora de ser destravada. São itens que a Citroën poderia -- e deveria -- ter atualizado, mas preferiu manter como estavam, e contribuem para destacar o caráter mais antigo do projeto.

Também incomodou em nossa avaliação o funcionamento do sistema de entretenimento. Apesar de intuitivo e fácil de mexer, ele por vezes demonstrou lentidão, travamentos e desconexão aleatória do Android Auto. Além disso, em nenhum momento conseguimos operar o comando de voz.

Outra coisa: lembra de nossa avaliação do C4  Lounge antigo, feita em abril do ano passado? Lá destacamos a ausência de sensores traseiros de estacionamento, um item importante em se tratando de um sedã. Pois bem... A Citroën continua ignorando o item.

Por fim, a questão do visual. A dianteira está diferente e mais arrojada, é verdade, mas perdeu a elegância de outrora e, na visão deste escriba, ficou muito poluída ao agrupar tantos elementos só (faróis repartidos em níveis, tomada de ar e grade "chevron") num mesmo nicho. Será que vai agradar os clientes de um segmento tão conservador?

Viagem a convite da PSA Brasil

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