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Aluguel de carro elétrico? BYD e GM tentam popularizar modal no Brasil

Alessandro Reis, Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

19/02/2018 13h15

Marca chinesa muda plano por conta do valor de venda, que passaria dos R$ 200 mil; GM ainda estuda ação

Carro elétrico é artigo de luxo no Brasil. Ainda são poucas as unidades rodando pelo país, já que o custo para comprar um carro é equivalente ao de modelos esportivos. Mas e que tal alugar um pelo período necessário para o uso, pagando e gerenciando tudo pelo celular? Algumas montadoras já buscam "popularizar" o modal apelando ao chamado car sharing

Pelos cálculos da Função Getúlio Vargas, são menos de 3 mil carros elétricos no Brasil, enquanto a frota total de veículos passa dos 90 milhões; nenhum modelo elétrico já colocado no mercado custou menos de R$ 150 mil (opções abaixo desse valor são híbridas, não puramente elétricas); neste momento não há qualquer modelo elétrico sendo vendido oficialmente no país; são poucos os incentivos e o governo ainda discute a redução do IPI para o mesmo patamar de carros 1.0.

Este tipo de plano pode se espalhar pelo país caso o governo confirme a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados dos atuais 25% para 7%.

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Chineses estão ligados

A chinesa BYD tinha plano inicial de vender o sedã e5 a pessoas físicas, mas o valor inicial de R$ 230 mil se mostrou um impeditivo prático para entregas. Assim, a empresa está empenhada no aluguel do carro para empresas.

Coberturas, quilometragem e prazo variam caso a caso e a BYD não divulga valores de forma aleatória, apontando apenas custa similar ao aluguel de um carro equivalente a combustão, com franquia de quilometragem superior a 200 quilômetros (que tem valores variando entre R$ 200 e R$ 300/dia, em São Paulo).

A marca revela, porém, que comercializa um carregador rápido para empresas (funcional tanto com corrente contínua quanto alternada), que permite recarga completa em 1,5 hora. A tecnologia tem seu custo: de R$ 30 mil a R$ 40 mil, conforme informa a montadora chinesa. Essa peça é um implemento para o carregador padrão, que pode demorar quatro vezes mais o tempo de recarga.

Há ainda a iniciativa de car sharing em Fortaleza (CE), onde cinco unidades da minivan e6, além de duas do sedã e5, podem ser alugadas através do aplicativo "Vamo Fortaleza Mobilicidade", gerido pela Prefeitura em conjunto com a iniciativa privada desde 2016 (há ainda cinco carros de outra marca chinesa, a Zhidou). A rede da capital cearense tem 20 pontos de recarga lenta e um ponto de recarga rápida. 

No sistema, há uma taxa inicial de R$ 40, que são convertidos em crédito e cobrados mensalmente. Os primeiros 30 minutos de uso custam R$ 20. Depois desse período, o usuário será cobrado por minuto: para até 60 minutos adicionais, por exemplo, cada, cada minuto custará R$ 0,80. O preço do minuto cai à medida que o usuário permanece por mais tempo com o veículo.

Além das duas estratégias, a marca segue mirando órgãos governamentais -- com acordos similares ao feito em 2017 com a Prefeitura de São Paulo, que recebeu os modelos e5 e e6.

O que o e5 oferece

No caso do sedã e5, a autonomia prometida é de 300 km para um modelo com porte similar ao do Toyota Corolla (4,68 m de comprimento, 1,76 m de largura, 2,66 de entre-eixos e 450 litros de porta-malas), embora mais forte: 217 cavalos, 31,6 kgfm de torque gerados pelo motor elétrico. O peso do carro é um entrave à boa dinâmica, porém: são 2.300 quilos, praticamente o dobro de um modelo convencional deste porte.

Lista de equipamentos inclui chave inteligente, freio de estacionamento eletrônico e direção com assistência eletro-hidráulica.

Segundo executivos da empresa, o preço alto de modelos como o BYD e5 se justificam pela elevada carga tributária dos elétricos. São 25% de IPI (um 1.0 convencional paga 7%), 2% de PIS, 9,6% de Cofins e 18% de ICMS (há isenções parciais para este tributo na cidade de São Paulo e em outros locais como Rio de Janeiro e Fortaleza).

Pelo projeto original para pessoas físicas, a BYD apostava em entrada variável (10 ou 15%) e financiamento por leasing de seis anos -- o cliente pagaria as parcelas mensais e, no fim, poderia optar por ficar com o carro ou entregá-lo como entrada na aquisição de um novo. Garantia pretendida é de oito anos, sendo que prazo de validade das baterias é de 10 anos.

Bolt no app?

Quem também pode apostar no aluguel de elétricos é a General Motors. Embora a marca não confirme qualquer coisa pelos canais oficiais, informação de fontes ligadas à marca é de que o Chevrolet Bolt -- o carro mais avançado da marca no mundo e que já está em testes de viabilidade no Brasil -- pode começar a ser usado em serviço de compartilhamento.

Nos EUA, a GM é dona do serviço chamado Maven (também uma iniciativa car sharing), além do Lyft, rival do Uber. Ambos funcionam em cidades como Nova York, Ann Arbor (região metropolitana de Detroit), Chicago, Boston e Washington. No Brasil, o Maven já foi testado internamente nos últimos anos, com acesso restrito aos funcionários da marca, dentro da área industrial da sede da GM, em São Caetano do Sul (SP). 

A ideia, porém, seria ter o uso expandido a condomínios empresariais ou mesmo residenciais. Acordos com prefeituras também estariam no horizonte.

Um app é responsável pela reserva, destravamento e cobrança do carro, tudo através do smartphone, sem complicação. A carga já estaria inclusa, mas o motorista seria responsável por custos de multas e acidentes. 

No caso dos testes internos feitos pela GM em 2016, na fábrica de São Caetano do Sul, o sistema cobrava por períodos reduzidos de uso (até seis horas), convertendo automaticamente em diária de 24 horas após esse tempo. Os preços eram de R$ 35 por hora, chegando aos R$ 210 pela diária de 24 horas. O modelo, então, era um Cruze da antiga geração. Nada foi revelado sobre o uso do elétrico Bolt, no entanto. É uma chance, porém, de ver o carro elétrico finalmente pegar no Brasil.

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