Mobilidade

Esqueça Tesla e Uber: primeiro autônomo real será de uma marca tradicional

Divulgação
Fusion autonômo: atrasada, Ford ainda usa antenas externas nos testes... mas é a marca com mais chances de vencer corrida Imagem: Divulgação

Alessandro Reis e Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

Consultoria americana faz ranking de autônomos, mas vai demorar para termos um vencedor

Quem vai lançar de fato o primeiro carro totalmente autônomo? Google ou Apple? Quem sabe Tesla ou Uber? Esqueça: para especialistas, nenhuma empresa com pé no Vale do Silício tem chance, apesar de estarem muito "hypadas" e aparecerem a toda instante com novidades sobre o assunto na mídia.

Segundo relatório da consultoria Navigant Research, que trata da pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e sistemas de direção autônoma, quem tem mais chances de aparecer com o primeiro produto real nas lojas é uma das montadoras tradicionais. E, curiosamente, a Ford é a mais bem cotada de 18 empresas.

Curiosamente porque a Ford largou para corrida dos carros sem motorista com atraso "gigante". Os primeiros planos foram divulgados em 2013, com cinco anos de atraso para marcas europeias, ao passo em que o primeiro movimento concreto ocorreu em 2015, com a contratação de técnicos especializados (inclusive da Apple) e assinatura de acordos, como o convênio com a Universidade de Michigan para construção de uma mini-cidade de testes dentro do campus. 

Depois da Ford, o relatório aponta a General Motors, seguida por Renault-Nissan, que têm experiência em modelos elétricos e assinaram acordo com a Nasa para troca de tecnologia. A Daimler, dona da Mercedes-Benz e que tem planos para os primeiros autônomos no ano de 2020 (junto com a Volvo), também é citada.

Vale notar que a Navigant é uma consultoria baseada no Colorado (EUA), ainda que tenha escritórios na Califórnia, Europa e na Coreia do Sul. Isso pode explicar a maior visibilidade de montadoras de Detroit no ranking.

Bloco intermediário

Também é estranho notar que a sueca Volvo aparece fora desse G4. Primeira marca do mundo a traçar planos e mesmo a testar comercialmente modelos com níveis iniciais de autonomia -- o SUV XC90 é o modelo semi-autônomo com melhor desempenho na opinião de UOL Carros --, ela surge no pelotão intermediário ao lado de outras nove empresas, como Tesla, Waymo (a união entre Google e Fiar-Chrysler), Hyundai e até as líderes de vendas Volkswagen e Toyota.

Onde está o Uber? Na lanterna. Já a Apple nem aparece.

Vai demorar

Mas quem ficou animado em comprar um carro autônomo da Ford em 2021, ano em que a montadora promete lançar seu primeiro carro totalmente capaz dispensar o motorista (mas que, repetimos, é prazo atrasado em um ano para Mercedes-Benz e Volvo) vai ter de tirar o pé do acelerador.

Segundo declaração de Ken Washington, vice-presidente de pesquisa e engenhara avançada da Ford, durante evento nos arredores de Detroit (EUA), a própria marca não acredita que vá ter um modelo 100% autônomo à venda de fato antes de 2026. Há chances até disso não acontecer antes de 2031.

Washington esclarece que a meta de 2021 contempla veículos autônomos de nível 4: eles podem acelerar, frear, fazer curvas, trocar de faixas e até estacionar, mas precisam da supervisão de um motorista habilitado e esperto. E mesmo assim serão carros para uso em sistema de compartilhamento, frotas e, possivelmente, chamadas por aplicativo, nos moldes de Uber, Cabify e outras start-ups. Não para vendas ao cliente final.

Grande obstáculo para um carro 100% autônomo nível 5 (que recolhe volantes e pedais e ignora realmente o fato de não haver um humano no comando) não está no uso de câmeras, sensores e central eletrônica a bordo, mas sim na existência de uma super-rede de dados ligando carros, mapas e sistemas de trânsito (com rede 5G de internet e nuvens de dados seguras), mas também de vias públicas preparadas, leis e companhias de seguro adaptadas para a nova realidade.

Só então teremos carros autônomos sendo vendidos em lojas. Se é que até lá as pessoas ainda vão comprar carros da forma como conhecemos hoje.

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