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Jeep quer luxo, com Fiat no plano de fundo, para bombar Renegade

Leonardo Felix/UOL
Lojas de Fiat e Jeep em São Paulo, separadas pelo "ambiente": Brasil é primeiro país do mundo a ter estrutura única para a marca de utilitários - e com visual premium. Imagem: Leonardo Felix/UOL

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

18/03/2015 14h10Atualizada em 19/03/2015 16h27

Às vésperas de lançar o Renegade no Brasil, a Jeep corre para garantir uma expansão relâmpago de sua rede de concessionárias: em apenas três meses, contando desde janeiro, a marca do grupo FCA (Fiat-Chrysler) quer ampliar o número de autorizadas de 45 para 120 em todo o país, crescimento de 266%. 

De agora até 10 de abril, quando o modelo (que já está sendo montado em Goiana, Pernambuco) chegará de fato ao mercado, 31 novas lojas entrarão em atividade. Dez revendas haviam sido abertas em janeiro, além de outras 34, em fevereiro. A meta mais ampla é a de chegar a 200 concessionárias até o final do ano, mesmo patamar de Honda e Toyota.

Trata-se de uma necessidade: a FCA investiu alto no sucesso do Renegade -- observe o volume de publicidade da marca Jeep recentemente em internet, rádio, TV, impressos e até no apoio cultural a shows -- e quer retorno rápido. A expectativa do grupo é fechar 2015 no topo do ranking de SUVs compactos, batendo a média de 50 mil unidades do líder Ford EcoSport e do novo competidor, Honda HR-V.

Ter uma rede robusta de revendedores desde o início das vendas é fator essencial para cumprir o objetivo. Não cair no erro de dar um passo maior que as possibilidades é outro, tão ou mais importante. A Fiat, controladora do grupo sabe disso: nunca conseguiu emplacar carros de valor maior no Brasil. A nova chance será única: tem o produto certo para vender bem também entre clientes endinheirados. Contanto que saiba como agir. Será preciso "pensar premium".

"A expansão é focada na capacidade de promover um bom ciclo de vendas e pós-vendas com este ambiente premium. Demos prioridades a lojistas com experiência na rede Chrysler, bem como a parceiros da rede Fiat, afirmou fonte ligada a UOL Carros. "A procura foi alta, tivemos mais de 300 interessados, e houve procura até mesmo de profissionais com histórico de marcas alemãs, como Mercedes-Benz e BMW", concluiu.

É preciso ser premium

UOL Carros conheceu, nesta quarta-feira (18), a convite da FCA, uma das novas concessionárias da fabricante, prestes a ser aberta na Vila Leopoldina, em São Paulo (SP). Ela será uma das 73 que, segundo a fabricante, venderão exclusivamente produtos Jeep. Isso é algo sem precedentes no mundo.

Nos Estados Unidos, não se encontra concessionárias da Jeep, já que a marca está sempre associada à Chrysler. Na Europa, onde a marca também está sendo fortalecida, aparece sempre conjugada a duas marcas premium conhecidas da Fiat: Alfa Romeo e Lancia. É a estratégia explicada em janeiro diretamente a UOL Carros pelo chefão global do grupo, Sergio Marchionne, durante o Salão de Detroit.

Pelos planos da FCA, a Jeep vai precisar ser forte o suficiente não Brasil não apenas para vender Renegade, mas também para ajudar a entregar Chrysler, Ram e até Dodge e, em cinco anos, Alfa Romeo, algo que a Fiat sozinha nunca conseguiu. Das novas lojas no Brasil, 47 oferecerão produtos de Chrysler, Dodge e RAM.

E a Fiat?

Sentiu falta da Fiat nessa história? Conforme executivos do grupo deixaram claro, não haverá pontos de venda conjuntos entre Jeep e Fiat, ainda que ambas dividam o mesmo imóvel. Para deixar mais claro: se um concessionário Fiat quiser trabalhar com a Jeep, terá de separar totalmente as operações e fazer a separação do ambiente. Loja Jeep será loja com aspecto premium e design de interior definido pela matriz.

É o que vai acontecer na unidade da Vila Leopoldina. 

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Renegade já aparece em peças publicitárias e também está exposto em algumas concessionárias: Jeep investe pesado para divulgar SUV Imagem: Leonardo Felix/UOL
Nem mesmo as oficinas serão compartilhadas: a Jeep garante que terá mecânicos e ferramentas exclusivos para cuidar de seus veículos. 

Da Fiat, porém, virá a experiência (e equipamentos) de logística e ferramentas financeiras. "Vamos aproveitar a expertise logística e o contato com ampla rede de distribuição", admitiu um dos diretores da Jeep durante a vista.

Em outras palavras, o apoio dos italianos estará todo nos bastidores, para desvincular a Jeep da marca generalista -- cuja fama é de não saber atender clientes premium de forma "adequada". 

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