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Renegade brasileiro anda na lama para deixar Jeep forte como Toyota e Honda

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

30/01/2015 18h07

Não é mais segredo: o SUV Jeep Renegade será o lançamento mais importante da história da Chrysler em termos de abrangência de mercado -- trata-se de um projeto realmente global e que pretende colocar a marca no mapa de países que nunca deram muita bola para a empresa, como Europa, China e, claro, Brasil. Também representa a chance da Fiat, controladora da montadora americana (agora como Fiat-Chrysler Automobile), provar que pode: atacar Toyota e Volkswagen mundialmente; e ter sucesso com modelos premium no Brasil. A aposta é altíssima e a empresa não faz questão de esconder metas ou carros.

Por conta disso, já treina para deixar a casa em ordem para a chegada do Renegade. Fontes ligadas à FCA confirmaram a UOL Carros que o jipinho (e, neste caso, podemos usar este termo de fato) chega às lojas em abril, se nada sair do cronograma. O lançamento nacional será feito um pouco antes, em março. Mas desde a apresentação inicial no Salão de São Paulo, em outubro último, têm havido mobilizações para afinar o trabalho de concessionários e pós-venda.

Fernando Franke/UOL
Segundos fontes, Renegade 4x4 pode fazer tudo o que o Wrangler faz, o que servirá de diferencial frente a outros SUVs compactos nacionais. Imagem: Fernando Franke/UOL
Uma dessas mobilizações internas ocorreram no começo desta semana em Brasília (DF), mas também no Nordeste, Minas Gerais e no interior de São Paulo, afirmou a fonte ligada à FCA. Na quinta-feira (29), o site parceiro Carsale recebeu imagens e um vídeo mostrando o Renegade brasileiro brincando na terra pela primeira vez, material que pode ser visto aqui.

Agora, foi a vez do leitor Fernando Franke enviar belas imagens a UOL Carros, também feitas na capital federal, no dia 25 (domingo passado): "Segue flagra do Renegade 4x4 diesel, que estava sendo testado em Brasília", avisou Franke.

Repare: é disfarce zero, até porque o Renegade feito em Goiana (PE) já foi mostrado no evento paulista e também tem participado de atrações ao público, como o show da banda americana Foo Fighters, em Porto Alegre (RS), São Paulo, Rio e Belo Horizonte (MG), na última semana. 

É um só o objetivo de tantos treinos e aparições: transformar a Jeep brasileira em algo semelhante a Toyota e Honda, em termos de trato ao cliente e eficiência no atendimento posterior à compra. Marcas japonesas têm fama de ter carros "inquebráveis", mas também de fidelizar seus clientes a ponto de mantê-los "dentro de casa" por anos a fio. "Será um atendimento diferenciado e queremos oferecer algo além do que entregam as quatro grandes [Fiat, Volkswagen, GM e Ford] e as demais marcas generalistas", apontou nossa fonte.

UOL Carros já havia escutado algo semelhante de executivos da FCA no Salão de Detroit. O objetivo a médio e longo prazo é fazer da Jeep uma marca grande o bastante para servir de alicerce para novos e mais ambiciosos voos, como o retorno da Alfa Romeo. Tudo isso começará com o Jeep Renegade.

Fernando Franke/UOL
Versões Sport, Longitude e Trailhawk (4x4, na foto) chegam ao mesmo tempo, com opção de motores flex e diesel e câmbios manual e automático (seis e nove marchas) Imagem: Fernando Franke/UOL
COMO É O RENEGADE
Está definido pela Jeep: o Renegade chega, de cara, com as três versões de acabamento mostradas no Salão de São Paulo, em outubro último, e que já constam do site da marca: Sport (de entrada), Longitude (intermediária) e Trailhawk (topo de gama, com características off-road). Preços seguem guardados no cofre, mas pessoas ligadas à Jeep já nos apontaram valores entre R$ 65 mil/R$ 68 mil na entrada, chegando ao patamar de R$ 110 mil a R$ 120 mil no topo.

Murilo Góes/UOL
Qualidade construtiva e conforto são diferenciais do Renegade para tomar vendas de todos os rivais Imagem: Murilo Góes/UOL
A princípio, serão duas opções de motor: para os modelos 4x2, o 1.8 flex da Fiat, que atualmente gera 132 cv e 18,95 kgfm de torque com etanol, mas pode ser recalibrado para render mais. E o 2.0 turbodiesel para as opções 4x4 (com seletor de modo off-road) -- na Europa, esse motor é conhecido como MultiJet, com 142 cv e 35,69 kgfm. Além do câmbio manual, haverá duas alternativas automáticas com seis e nove marchas (este último é o mesmo do novo Jeep Cherokee e do Range Rover Evoque). Mimos como painel de instrumentos digital, tela central sensível ao toque, plásticos texturizados, teto solar duplo e adesivos e enfeites referentes ao universo trilheiro completaram os pacotes.

Inicialmente, a marca apostava numa maior procura por versões intermediárias dotadas do câmbio automático de seis marchas, por conta da deficiência de oferta de opções de conforto por parte dos SUVs atuais do mercado -- Ford EcoSport, Renault Duster e Chevrolet Tracker, principalmente. Nosso informante aponta, porém, que treinamentos e aparições públicas mostraram que talvez o público possa preferir os pacotes ainda mais parrudos e que isto está sendo avaliado.

Além dos modelos mais vendidos, o Jeep deverá encarar ainda versões de Hyundai ix35, Volkswagen Tiguan, Toyota RAV4, o novo Honda HR-V e ainda o lameiro Troller T4.

Certo é que Fiat, Chrysler, Jeep e a fábrica de Goiana (PE) estão preparadas para uma altíssima demanda pelo Renegade logo no primeiro ano de mercado. A unidade pernambucana pode entregar 250 mil carros por ano -- e pelo menos 100 mil deles serão do Renegade.

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