Carros

Novo Jeep Cherokee chegará para ser "diferentão" do país

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Chelsea (EUA)

01/07/2014 20h00

A cada ano a Chrysler chama jornalistas de todo o mundo à sua casa de testes em Chelsea, na região de Detroit (EUA), para mostrar as novidades da linha. Longe de desqualificar os míticos muscle cars e picapes/trucks gigantes, o centro das atenções em 2014 foi o SUV compacto Jeep Renegade, que será lançado globalmente em setembro e passará a ser produzido no Brasil em março de 2015 -- com jeito de carro americano, mas DNA italiano da Fiat --, na fábrica de Goiana (PE). Antes dele, porém, outro modelo chega ao país para mostrar a nova cara da marca: com visual diferentão e muito equipamento, o Jeep Cherokee desembarca em setembro, por importação.

UOL Carros já experimentou o SUV numa das pistas de asfalto, e também num seletivo trecho off-road do campo de provas da Chrysler. E gostou do que viu e provou.

Desde abril, a filial brasileira da Chrysler faz questão de associar o novo Cherokee ao inglês Range Rover Evoque. Trata-se de uma jogada de marketing exagerada, a nosso ver, para mais e para menos. Sim, o Cherokee vai repetir o fenômeno do Evoque e torcer pescoços no trânsito quando chegar. Sim, ambos usam o novíssimo câmbio automático de nove marchas fabricado pela alemã ZF -- que é um dos responsáveis pela excelente tocada do utilitário esportivo americano, mas que também é culpado por sucessivos atrasos no seu lançamento.

Mas as semelhanças param aí.

Tudo começa pelo preço. A Chrysler ainda faz mistério e só vai revelar o valor exato do Cherokee no lançamento, afirmando agora que será algo acima dos R$ 150 mil. Acima, "mas não tanto", o que nos leva a crer que nem de perto chegue aos R$ 192 mil necessários para colocar o Evoque mais barato na garagem.

Tabela de lado, praticamente todo o resto é adiantado: haverá apenas uma versão, a "completaça" e urbana Limited (mais alta do portfólio atual, excetuando a aventureira TrailHawk), com motorzão V6 a gasolina de 3,2 litros (Pentastar), 274 cv de potência máxima a 6.500 giros, 32,93 kgfm de torque a 4.400 rpm, o já citado câmbio de nove marchas com opção de trocas sequenciais e tração 4x4 com reduzida e seleção de modo off-road.

Falta à marca bater o martelo sobre detalhes mínimos: tamanho e desenho de rodas (o modelo padrão nos EUA é de alumínio e aro de 18 polegadas), presença do teto solar panorâmico duplo, cor do couro de bancos e painel e de alguns itens, como o controle automático adaptativo (que usa acelerador e freios de modo autônomo para manter a velocidade média e a distância do carro à frente programados pelo motorista).

JEEP À EUROPEIA
Se o inédito Renegade tem influências profundas da escola Fiat, pode-se dizer que seu mentor é justamente este novo Cherokee. Feito já sob a gestão do italiano Sergio Marchionne (chefão da FCA, Fiat Chrysler Automobiles), o utilitário foi o primeiro a praticamente apagar o passado americano e abraçar a cultura europeia. Da velha criatura, sobrou apenas a habilidade lameira. Mas poucos notarão isso, até porque os novos modos do modelo são totalmente urbanos.

Divulgação
Geração anterior do Jeep Cherokee: mais tradicional, muito menos ousado Imagem: Divulgação
Se parece estranha nas fotos (e parece mesmo), a dianteira em "cascata", como a chama a marca, é imponente quando vista de perto: o capô alto e vincado (tipicamente Jeep) dá origem às tradicionais sete fendas, antes de "cair" de repente. Completam o visual o conjunto óptico tripartido em linha de LED, luz baixa e setas no topo, lente trapezoidal com canhões de luz alta no meio, e nichos das luzes de neblina embaixo; além das tomadas de ar do parachoque, que formam uma "boca" por conta da moldura cromada.

Na traseira, menos ousadia: o Cherokee pode ser confundido com o alemão Audi Q5 ou qualquer utilitário coreano. A janela traseira é estreita, as lanternas horizontalizadas são posicionadas bem ao alto, e o parachoque robusto abriga refletores e dupla saída de escape.

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Visto de frente o Cherokee é absurdamente original -- mas de traseira ele é "normal" Imagem: Divulgação
Tudo muito harmônico e bonito. E tudo bastante urbano: se o antigo Cherokee tinha a cara histórica de um Jeep, este -- que não tem absolutamente nada com aquele -- parece implorar para não ser colocado na terra. E vai ter muito dono que realmente terá pena de sujá-lo.

BOM EM ASFALTO E LAMA
Ninguém vai culpar o motorista que se mantiver apenas na cidade a bordo do Cherokee. A cabine é muito próxima daquela apresentada no maior e agora nada parecido Grand Cherokee, principalmente no alto nível de acabamento e conforto, isolando os ocupantes do mundo exterior. A diferença é que o Cherokee tem menos espaço no banco traseiro. Tudo o que pode ser alcançado pelas mãos, porém, é suave e a tecnologia toma os sentidos.

Tela de 8,4 polegadas sensível ao toque e que reúne configurações do carro, sistemas de entretenimento e de comunicação, domina o console central, enquanto outra tela menor, de TFT, faz as vezes de painel de instrumentos e pode ser configurada para exibir informações ao gosto do motorista (fixos, apenas conta-giros e velocímetro analógicos e os medidores de combustível e temperatura de arrefecimento do motor). Automação de luzes, limpadores e da climatização completam os mimos.

Mas o Cherokee convence mesmo pela tocada. Ela não é tão dinâmica quanto a pegada do Evoque, mas nem era possível esperar tanto, já que o Cherokee é bem maior: são 4,62 m de comprimento com 2,71 m de entre-eixos (o europeu tem 4,36 m e 2,66 m). De forma alguma, porém, lembra as "barcas" americanas: roda firme e justo, mesmo em curvas (e apesar de seu 1,72 m de altura).

Sem trancos, graças às trocas extremamente suaves do câmbio de nove marchas (um avanço notável sobre as agora antigas caixas de seis marchas), o motor entrega força sem empecilhos e não cobra demais por isso, ao menos no regime americano: a Chrysler fala em consumo próximo aos 13 km/l, mas será preciso um teste brasileiro e em longa distância para confirmar a sede do Cherokee em nossas condições. (Vale notar que, por ter tração 4x4 e reduzida, ele pode ser vendido em nosso país com motor a diesel.)

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Aspecto do motorzão V6 Pentastar do Cherokee: apesar do porte, sede é contida Imagem: Divulgação
Na terra, nova surpresa: a cara fechada se converteu em pura marra e o Cherokee não tomou conhecimento de obstáculos que se mostraram difíceis até para um Grand Cherokee que abria o caminho. Tudo graças à reduzida, ao seletor de modos (automático, neve, areia/lama e esportivo), a bons ângulos da carroceria e também ao peso menor (1.863 kg).

Qualidades extremas o novo Jeep Cherokee tem. Visual marcante, também. Resta ter preço competitivo para que o comprador brasileiro não faça cara feia.

Viagem a convite da Chrysler

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