Carros

Jeep Renegade nasce no Brasil em março de 2015 com DNA da Fiat

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Ann Arbor (EUA)

27/06/2014 09h21

A Chrysler convidou jornalistas da China, Oriente Médio e América Latina ao seu campo de provas em Chelsea (região localizada próxima a Detroit, nos Estados Unidos) ,nesta quinta-feira (26), para apresentar sua linha de modelos para 2015, incluindo aquele que já é tratado como um dos principais lançamentos da marca desde a crise econômica de 2008/09, senão o mais importante: o SUV compacto Jeep Renegade, que chega ao Brasil em 2015.

Ainda não há preços. Os planos, porém, são ambiciosos e envolvem:

- Presença em quatro continentes;
- Vendas em cerca de 100 mercados ao redor do planeta;
- A primeira operação da Jeep feita exclusivamente fora dos Estados Unidos;
- Fabricação em três unidades ao redor do mundo: a primeira na Europa (em Melfi, na Itália, este ano), a segunda no Brasil (Goiana/PE, no nascer de 2015) e outra na China (2016);
- Fôlego para fazer a marca alcançar entregar rotineiramente mais de 1 milhão de unidades anuais (marca que, aliás, já pode ser alcançada este ano).

Repare que não há menção aos Estados Unidos em qualquer um dos tópicos acima. De fato, o Renegade não será fabricado no país da Jeep, mas será vendido na terra do Tio Sam já a partir de janeiro. A princípio, será importado da Itália, medida que poderá ser revista com o tempo e que diz muito sobre a linhagem do modelo. Ainda que um "autêntico Jeep, com toda a capacidade off-road e interior premium", como executivos da marca repetem em ritmo de mantra, este modelo tem DNA da Fiat.

Trata-se de um modelo construído sobre plataforma alargada e derivada da base do familiar 500L, que por sua vez usa elementos do Punto europeu -- mas com alguns detalhes da Alfa Romeo (há tecnologia vinda do Giulietta, que também deu origem aos sedãs Fiat Viaggio e Dodge Dart) -- e mecânica off-road, itens de segurança e padrão visual de modelos da Jeep.

Eugênio Augusto Brito/UOL
Modelo será feito no Brasil, Itália e China; EUA, sede da Jeep, o importará Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL
"Quase destruímos a marca [Chrysler, detentora das submarcas Dodge, Ram e Jeep] no passado por não ouvirmos o público, mas mudamos este comportamento e seguimos nos mexendo", afirmou a UOL Carros Brad Pinter, diretor de marketing de produto da Jeep. "Com isso, subimos da nona posição no segmento de SUVs, em 2007, para a liderança agora". 

Outro executivo da marca completa o pensamento de Pinter: "O Renegade diz muito sobre nossas ambições internacionais: crescer não apenas nos Estados Unidos, mas como uma marca global".

Boa parte desta ambição diz respeito ao Brasil: o Renegade será visto pela primeira vez no país durante o Salão do Automóvel de São Paulo, entre outubro e novembro, ainda com unidades importadas. O lançamento será feito em março de 2015, com chegada às lojas em abril, já com unidades feitas em Pernambuco.

CRIA DE JEEP COM FIAT
Pinter definiu o Renegade como "um filhote de um cão que ainda é engraçado e bonitinho, mas de que você sabe que será grande". "Apesar de pequeno, ele já tem focinho pronunciado, patas grandes e muita força", comparou o executivo. De fato, as características mais notáveis são a frente avantajada, com amplo capô e grade frontal que lembra o formato histórico de utilitários da marca (um quê de Wrangler, mas principalmente do Patriot -- modelo não disponível no Brasil), caixas de rodas musculosas, rodas com desenho robusto, volume do habitáculo em forma de caixa e proporções mais altas e largas do que compridas, traseira chapada, com lanternas bem destacadas.

Ainda que seja um "autêntico Jeep, com toda a capacidade off-road e interior premium", este modelo tem DNA da Fiat. Balanço frontal, caixa de direção, freios, pedais, conjunto de suspensão e tração 4x4, bem como itens de segurança e padrão visual são da Jeep. Mas os motores serão 100% Fiat.

Na prática, o visual externo é totalmente Jeep e fica fácil alinhar o Renegade ao Wrangler, por exemplo. Dentro da cabine, porém, o comprador brasileiro vai reconhecer elementos familiares: coluna de direção e tambor de ignição são claramente do Punto (ainda que volante e comandos sejam Jeep), o mesmo podendo ser dito de elementos no painel (saídas de ar e arranjos de porta-objeto) e padrão/acabamento dos plásticos; altura da base do banco, mais elevada, também é típica dos modelos fabricados em Betim (MG). O mesmo pode ser dito da textura dos tecidos de banco, ainda que a padronagem tenha estilo cartográfico dos Jeep.

PREMIUM COM ACABAMENTO SIMPLES
Longe de criar qualquer demérito, esta mistura de estilos vinda de berço garante que o Renegade cumprirá sua proposta: será o modelo de entrada da marca Jeep. com acabamento mais simples, mas ainda dentro do estilo premium da marca; poderá ser fabricado em mercados emergentes (Brasil e China) sem qualquer simplificação em relação ao modelo vendido na Europa e Estados Unidos.

"A Jeep não reduz qualidade para adequar o valor do produto ao mercado", afirmou o diretor de engenharia Phil Jansen. "Temos o mesmo design e o mesmo padrão de acabamento ao redor mundo, com pequenas adequações de gosto, o que quer dizer que 95% do carro vendido no Brasil será idêntico ao Europeu e americano", completou.

E os 5% restantes? "Detalhes de cor e calibragem típicas para as condições de ambiente do Brasil", garantiu.

Eugênio Augusto Brito/UOL
Jeep garante que o design e o padrão de acabamento será igual em todo o mundo Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL
O QUE ELE TEM
Como a apresentação foi estritamente estática, podemos traçar apenas um panorama sensorial do modelo. É certo que o Renegade chama a atenção com seu estilo: traz toda a robustez de um Jeep, com estilo que se aproxima um pouco do Mitsubishi TR4 (para usar um exemplo de SUV pequeno com tração 4x4 e estilo "lameiro") e porte de Ford EcoSport.

São 4,23 metros de comprimento, com entre-eixos de 2,57 m. O SUV da Ford tem 4,24 m por 2,52. Embora compacto, o Renegade só é menos espaçoso que o Renault Duster (2,67 m de entre-eixos em 4,32 m de comprimento). Motorista e carona viajam com muito espaço, enquanto dois passageiros seguem bem atrás, tomando cuidado apenas para não bater a cabeça no arco da porta.

Vantagem também no ambiente da cabine. Apesar da semelhança com carros da Fiat em muitos aspectos, a percepção de qualidade supera bastante a encontrada nos futuros rivais. O acabamento Jeep aplica cores contrastantes sobre o plástico duro (mas bem executado) e foge do padrão sóbrio (sem graça) de outros modelos.

Da mesma forma, o dono poderá dirigir o Renegade a vida toda sem encontrar todos os detalhes visuais que remetem a outros modelos Jeep e ao universo off-road (pequenas marcas que a Jeep chama de "easter eggs", pois devem ser achadas como ovos de chocolate procurados por crianças na Páscoa): são apliques alusivos ao jipe Willys no para-brisa, rodas, interior do porta-malas e lentes de faróis e lanternas; grafismo cartográfico em alto relevo nos porta-objetos e sob o assento do passageiro; formato de galões de gasolina nas lanternas, desenhos de saída de ar e formato dos painéis removíveis do teto (que em si também remetem ao Wrangler).

Eugênio Augusto Brito/UOL
Detalhe do farol do Renegade, que carrega o logo da Jeep Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL
Em termos de assistência ao condutor, tudo é herdado dos irmãos maiores da Jeep: seleção de tração Active Drive (nas versões 4x4) com reduzida, central multimídia com conexões Bluetooth, USB, auxiliar e comando por voz e painel de instrumentos com tela central digital e colorida.

A motorização também trará inovações. Globalmente, serão cinco motores (1.4 Multiair turbo de 162 cavalos, 1.8 E-torq europeu aspirado de 134 cv e 2.4 Multiair turbo de 172 cv, todos a gasolina, além de 1.6 diesel de 120 cv e 2.0 diesel de 172 cv) e quatro opções de câmbio (cinco e seis marchas manual, seis marchas automatizado com dupla embreagem e nove marchas automático.

Para o Brasil, está confirmado o 2.0 diesel 4x4 para aplicações mais robustas, com câmbio manual de seis marchas. UOL Carros aposta ainda em versões 4x2 de entrada com motor E-torq nacional (flex) e câmbio de cinco marchas. É bastante inviável acreditar na chegada da versão com motor 2.4 Multiair (Tigershark), o mais avançado da linha Fiat-Chrysler atual, bem como no uso do câmbio automatizado. O automático deve ficar para uma segunda etapa. Mas você, leitor, também pode fazer sua aposta no campo de comentários. A resposta virá em já no salão.

Viagem a convite da Chrysler

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