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No Brasil, itens de segurança no carro ainda são artigo de luxo

Latin NCAP/Divulgação
Carros locais têm estrutura piorada e menos itens de segurança em relação a similares da Europa e EUA Imagem: Latin NCAP/Divulgação

Pedro Kutney

Especial para o UOL

14/02/2013 17h28Atualizada em 14/02/2013 20h11

Após a morte de mais de 230 jovens no incêndio ocorrido em uma ratoeira travestida de casa de shows em Santa Maria (RS), que causou justificada comoção nacional e fez autoridades acordarem para o problema da falta de segurança no país em locais de aglomeração, seria oportuno lembrar que outra tragédia acontece mais de uma centena de vezes por dia nas ruas e estradas brasileiras, sem no entanto causar a mesma e necessária indignação. Tampouco temos ações rápidas do poder público no sentido de aumentar a segurança dos veículos fabricados no Brasil. Na guerra não declarada do trânsito, morrem perto de 40 mil pessoas por ano e outros 100 mil saem feridos.


Até recentemente, a presença de airbags e ABS era rara, simplesmente porque isso não era obrigatório. Antes do aperto da legislação, a presença de sistemas de segurança ativa [que agem antes do acidente, para preveni-lo] era marginal nos carros brasileiros. Em 2007, alguns dados compilados por fabricantes no Brasil mostravam que apenas 25% dos veículos tinham airbags frontais, e 16% tinham freios com ABS. Com a obrigação de aumentar a oferta de ambos equipamentos, em 2012 a estimativa é que 31% da frota eram equipados com airbag frontal duplo, o que significa algo em torno de 11,3 milhões de carros, e 20% com ABS, perto de 7,5 milhões.

Assim como já aconteceu em outras partes do mundo, essa evolução só foi possível porque o governo criou a regulamentação. Sem isso, dificilmente esses dispositivos seriam adotados, por uma razão simples: os carros ficam mais caros, e o consumidor brasileiro nunca foi conscientizado sobre as vantagens de se pagar mais por segurança.


VERGONHA
No Brasil a segurança automotiva ainda não é um valor competitivo. O quarto maior mercado do mundo para o setor, com 3,8 milhões de veículos vendidos em 2012, abriga os maiores fabricantes mundiais de veículos, e todos têm em seus países de origem amplo acesso aos mais modernos equipamentos de segurança veicular, mas aqui nenhuma marca faz propaganda dos atributos de segurança de seus carros. Não é para menos, pois não há muito a mostrar.

Testes de impacto realizados nos últimos três anos pelo Latin NCAP (o programa de avaliação de segurança de carros novos para Brasil e América Latina), com alguns dos principais produtos disponíveis no mercado sul-americano, mostraram que os modelos compactos são inseguros e estão cerca de 20 anos defasados em relação aos automóveis feitos na Europa, América do Norte e Japão.


Ainda não está claro o quão longe a indústria automotiva brasileira poderá chegar, tendo em vista a alta carga tributária e a limitação de renda dos consumidores para pagar por sistemas mais sofisticados de segurança. É fato que existem avanços conquistados nos últimos anos, mas é possível ir muito além, andar bem mais rápido para fechar a ferida do trânsito nacional.

Se não é possível mudar o passado, é factível desenhar um futuro melhor com incentivos à segurança veicular, como redução de impostos, adoção de um programa de renovação de frota (para tirar das ruas os modelo mais velhos e inseguros), criação de programas governamentais de testes e legislação apertada – ou nossos carros continuarão a ser ratoeiras comparáveis a certas boates.

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Pedro Kutney, jornalista, é editor do portal Automotive Business, onde o artigo foi publicado sob o título "Precisamos de ambientes e carros mais seguros"

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