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Gol G5: em 10 anos, carro foi líder, confundido com BMW e agora é figurante

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Terceira geração surgiu em 2008 e ficou mais retilínea desde então Imagem: Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

31/05/2018 04h00

O tempo passa rápido demais para o Volkswagen Gol. Lançada em junho de 2008, a atual fase do hatchback entra no décimo ano a partir de agora.

Durante esta década, o compacto passou por três reestilizações (com a mais recente, entra na linha 2019 e ganha a frente robusta da Saveiro), ganhou séries especiais de todos os tipos e, pior momento, perdeu a liderança de vendas no mercado brasileiro que ostentou por 27 anos para não mais recuperar.

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Embora seja chamada comercialmente de Gol G5 (e posteriormente de G6, após sua primeira reestilização), esta é apenas a terceira geração, de fato -- a primeira surgiu em 1980 e a segunda estreou em 1994.

Separamos alguns "gols de placa" (com uso explícito de trocadilho) e também pisadas na bola da atual geração do modelo, que pode não ser mais tão querido pela torcida, mas continua prestigiado dentro da Volkswagen. Confira!

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    Como ele surgiu

    UOL Carros acompanhou todos os passos do lançamento do Gol G5: expectativa da chegada, primeiros flagras, lançamento da campanha comercial, o lançamento em si (que contou com presença massiva de políticos, incluindo o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente preso em Curitiba). Nossa primeira avaliação foi dupla, com unidades 1.0 e 1.6. Sobre o de entrada, então cotado a R$ 28.890 iniciais, mas que já abusava dos inúmeros pacotes opcionais, escrevemos: "O trinômio direção/suspensão/rodas mostrou-se adequado e bem suave de gerenciar, ressalvando que guiamos um exemplar com direção hidráulica, que é opcional (não faz parte nem do pacote Trend). As respostas ao volante sempre foram rápidas, e a adoção do sistema dianteiro do Seat Ibiza na sustentação da carroceria ajudou a dar um 'upgrade' na dirigibilidade do Gol, deixando-o mais perto do 'primo' de marca, o Polo, que dele mesmo, Gol, em anos anteriores. O bom é que isso já está no preço inicial; o ruim é que, assim como a assistência hidráulica, a regulagem de altura e profundidade da coluna da direção também é paga separadamente". Ao falar do 1.6 (Power), cravamos (comparando com o Polo de então, de quarta geração): "Se for o caso de gastar mais de R$ 40 mil para ter um compacto bem equipado e com ótimo acabamento, gostoso de dirigir e digno de ser um carro mundial de uma marca importante, o Gol 1.6 Power não é a melhor opção. A resposta pode estar dentro da própria Volkswagen: pense no seu 'primo', o Polo. Pode não ser tão bonito quanto o novo Gol, mas é mais carro". Leia mais

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    Projeto moderno

    O lançamento do Gol aposentou a plataforma do século passado. Em seu lugar, a VW recrutou a base europeia PQ-24, trazida para cá pelo Polo e compartilhada posteriormente com o Fox. Além de mais avançada e segura, ela trazia melhor aproveitamento de espaço, principalmente pela posição do motor transversal -- acredite ou não, o Gol adotou motor em posição longitudinal até 2007. Leia mais

  • Murilo Góes/UOL

    Coração novo

    A defasada (mas venerada) linha de motores AP foi, enfim, substituída pela família EA-111, com opções 1.0 (72/76 cv) e 1.6 (101/104 cv) -- posteriormente seriam renomeados para VHT e MSI. Mudou também a posição dos motores, finalmente transversal como seus concorrentes já adotavam há anos. Em 2014, a marca lançou o moderno motor 1.6 16V MSI, de até 120 cv, associado ao câmbio manual de seis marchas. O conjunto, porém, equipava apenas as versões mais caras de Gol (Rallye) e Saveiro (Cross). Isso deve mudar neste ano, quando a Volkswagen deve, enfim, oferecê-lo na linha 2019 do Gol. A última atualização mecânica aconteceu em 2016, quando a Volkswagen trouxe o eficiente 1.0 de 12 válvulas e três cilindros do Up. Com 82 cv, ele deixou o carro mais ágil e econômico. Na linha 2019, a potência subiu para 84 cv -- a mesma do Polo 1.0 MPI. Leia mais

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    Pioneiro ou cópia de BMW?

    O design era um dos principais atributos do Gol em 2008. Foi dele a responsabilidade de inaugurar uma nova identidade global -- na Europa, foi usada pela Volkswagen no Tiguan. Os faróis afilados invadindo os para-lamas, o capô vincado com base reta e a grade horizontal com um filete único. A traseira, por sua vez, foi desenhada com referência no primeiro Gol, que tinha lanternas menores e em posição mais baixa -- muita gente, porém, enxergou inspiração em um alemão: o BMW Série 1 de então. A partir daí, porém, o Gol deixou de ser pioneiro para apenas seguir as tendências de estilo da marca. Cada reestilização tentava alinhá-lo com o design dos modelos mais sofisticados da marca na Alemanha. Leia mais

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    Chuva de recalls

    Quatro recalls do Gol foram realizados nos dois primeiros anos de venda do modelo. O maior deles aconteceu em 2009, quando a fabricante fez uma campanha de "oficina ativa" convocando cerca de 400 mil unidades de Gol, Voyage e Fox para visitas às autorizadas. O chamado aconteceu após meses de rumores sobre problemas graves nos motores VHT, tanto 1.0 quanto 1.6, que jamais foram admitidos plenamente pela fabricante -- a Volks reconheceu apenas ter atendido e reparado cerca de 300 carros que apresentavam ruídos no motor, até finalmente decidir pela ação de "oficina ativa", focada nos motores de 1 litro e que se limitou a substituir o óleo lubrificante e encurtar a periodicidade das trocas, para seis meses ou 10 mil quilômetros.

    A Volks também estendeu a garantia dos motores envolvidos para quatro anos (habitualmente, ela é de três anos para câmbio e motor). Ao menos em tese, no caso dos carros 2009 a cobertura terminaria apenas em outubro deste ano; nos 2010, em outubro de 2014.

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    Gol para poucos

    Séries especiais fizeram e ainda fazem parte da história do Gol. Assim como aconteceu com gerações passadas, o modelo teve várias edições limitadas de sucesso e outras nem tanto. Uma das mais curiosas (e exclusivas) foi a Vintage. Lançada em 2011, ela homenageava os 30 anos do Gol, e justamente por isso teve apenas 30 unidades produzidas. Todas foram pintadas na cor branca e traziam adesivos na cor preta, interior revestido em couro com detalhes brancos e rodas de liga leve de 16 polegadas. Dentro do porta-malas havia um presente especial: uma guitarra Tagima personalizada nas cores do veículo, que podia ser plugada no sistema de som do carro por uma entrada especial.

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    Sem embreagem

    A terceira geração do Gol foi a primeira da história a ter uma versão sem embreagem. O Gol I-Motion surgiu em 2009 com uma transmissão automatizada de cinco marchas desenvolvida em conjunto com a Magneti Marelli. Embora tivesse um funcionamento mais suave do que o Dualogic da Fiat ou o Easytronic da Chevrolet, o câmbio não conseguia evitar os pequenos trancos a cada troca de marcha. Pelo menos o carro podia sair de fábrica com o belo volante multifuncional do Passat CC, que tinha borboletas para trocas de marcha. A caixa automatizada só se aposenta definitivamente na linha 2019 do Gol, que finalmente ganhará câmbio automático de fato -- o seis marchas de Polo e Virtus -- até o final deste ano. Leia mais

  • Murilo Góes/UOL

    Fim do reinado

    O ano de 2014 não traz boas lembranças para os fãs de futebol. E nem para a Volkswagen, já que naquele ano que o Gol foi desbancado pela primeira vez após 27 anos de liderança ininterrupta -- também foi o ano em que o Gol G4 deixou de ser vendido oficialmente. O responsável em assumir a liderança foi o Fiat Palio, que superou seu arquirrival por uma mísera diferença de 381 carros: foram 183.748 unidades vendidas contra 183.367 veículos. Na ocasião, a VW minimizou o fato afirmando que "o Gol é um vencedor, tendo sido o preferido dos brasileiros por 27 anos consecutivos". O Palio, porém, ficou apenas 12 meses no topo: no ano seguinte ele seria ultrapassado pelo Chevrolet Onix, que sustenta a liderança desde então. Leia mais

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    Volta das duas portas

    A atual geração do Gol nasceu apenas com carroceria de quatro portas. Foi a primeira vez que isso aconteceu, já que o modelo sempre ofereceu opção de duas portas -- a única disponível até 1998, diga-se de passagem. A segunda reestilização do modelo ressuscitou a clássica configuração juntamente com a versão Trendline 1.0. Pena que ela teve vida curtíssima, saindo de cena apenas um ano depois.

  • Murilo Góes/UOL

    O retorno do GT #sqn

    A estrela da última edição do Salão do Automóvel de São Paulo não foi nenhum superesportivo. Coube ao Gol GT Concept o posto de astro da feira. O conceito foi desenvolvido a partir de um Gol Trendline duas portas pela equipe de design da Volkswagen do Brasil sob liderança de José Carlos Pavone. Houve nítida inspiração no Gol GT dos anos 80 em vários detalhes, como a faixa preta na tampa do porta-malas e o gigantesco adesivo "GT" colado na vigia traseira. O carro também seguiu a cartilha dos esportivos da marca na Alemanha, adotando o mesmo padrão de estilo da grade dianteira e os detalhes vermelhos na dianteira. Foi um sucesso instantâneo, fazendo muita gente implorar para a fabricante produzir o esportivo -- algo que infelizmente não acontecerá (caberá ao primo Polo ter configuração esportiva).

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