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Marcas japonesas dominam lançamentos e provam: estão cada vez mais fortes

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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL

22/03/2017 10h45

Honda WR-V, facelift do Toyota Corolla e nova Nissan Frontier são os modelos "do momento" na indústria de carros

Fabricantes até tentam evitar lançamentos muito próximos aos dos concorrentes para não dividir a atenção dos consumidores e da mídia, mas com tantas novidades nem sempre é possível. Às vezes a coincidência é proposital para embaçar a superexposição de um modelo muito aguardado.

No entanto, sem combinação, surgiu a “Semana Japonesa no Brasil”: de segunda a sexta-feira passadas estrearam Honda WR-V, Toyota Corolla 2018 e nova geração da Nissan Frontier.

WR-V inaugura segmento

Embora um observador mais atento encontre muitos pontos em comum com o Fit, objetivo do projeto do WR-V foi pegar uma base bem conhecida e transformá-la em um crossover-SUV urbano, desejado segundo pesquisas.

A faixa de preços apertada entre o Fit EXL e o HR-V LX pode levar a alguma canibalização. O novo produto, estipulado entre R$ 79.400 e R$ 83.400, custa em média 8% abaixo do HR-V. Este é 29 cm mais longo e tem porta-malas maior (437 x 363 litros).

A frente do WR-V ficou bem resolvida. Já as lanternas traseiras parecem de certa forma exageradas. Com 20,7 cm de altura livre do solo, o fabricante foi competente na reformulação da suspensão. O carro apresenta boa relação conforto-dirigibilidade.

Seu diâmetro de giro de 10,6 m facilita manobras. De série há bolsas de ar frontais e laterais (mais duas do tipo cortina na versão de topo), além de luzes diurnas em LED. Interior é praticamente igual ao do Fit com 2,5 cm extras de entre-eixos, mudando apenas forração dos bancos e apliques no painel frontal.

Motor e câmbio CVT são os mesmos, lidando bem com um aumento de massa marginal (mais 22 kg).

Corolla ganha retoques importantes

O Corolla atual completou três anos e, apesar de liderança folgada entre os sedãs médios, chegou a hora de fazer os retoques de praxe, principalmente na parte frontal, que ficou de fato melhor.

Linha de cintura está levemente mais alta. O carro ganhou itens de segurança de série antes inexistentes, como sistema de controles de trajetória, tração e subida de rampa, além de sete bolsas de ar (uma para joelho do motorista).

Manteve motor 2.0 de 154 cv e 20,5 kgfm, além do câmbio CVT de sete “marchas” (virtuais). Única mudança mecânica está nas suspensões, em razão de rodas altas (17 polegadas), pneus de perfil baixo (215/50) e 0,5 cm de elevação na altura de rodagem. Esta ficou ligeiramente mais áspera em pisos irregulares, sem chegar a incomodar.

Por dentro não houve grandes modificações, mas a versão de topo Altis finalmente ganhou controle bizona do ar-condicionado. Foi acrescentada a versão esportivada XRS, sem nenhuma alteração do trem-de-força (nem opção de câmbio manual, como no Civic Sport), porém o pacote visual ficou agradável.

Preços vão de R$ 90.990 a R$ 114.990. A Toyota absorveu os custos de alguns dos equipamentos extras na linha 2018. A nova geração do modelo só chega em 2019.

Nova Frontier enfim na área

A Nissan não quis perder mais tempo e começou a importar a nova Frontier do México, em versão única e completa ao preço de R$ 166.700. No próximo ano a picape média de cabine dupla e quatro portas virá da Argentina.

Carroceria, chassi, motor (2.3 biturbo de 190 cv e 45,9 kgfm) e câmbio automático (sete marchas, duas a mais que a antecessora) são todos novos. Além de uma curva de torque favorável, o desempenho melhorou porque o peso em ordem de marcha diminuiu de 2.066 kg para 1.985 kg.

Em estradas de terra o conforto de marcha evoluiu bastante, em razão da substituição das tradicionais molas semielípticas traseiras por helicoidais, mantendo o eixo rígido. No asfalto, fazem falta rodas de 17 polegadas de diâmetro (aro é 16) para melhorar a estabilidade direcional.

O motorista ganhou posição de dirigir melhor, graças às novas regulagens elétricas do banco. Ar-condicionado tem duas zonas de atuação, muito útil em um veículo com interior deste porte. Atrás há bastante espaço, mas o assoalho em posição alta prejudica o conforto, como em todas as picapes que utilizam chassi tipo escada, ao qual a cabine é aparafusada.

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Imagem: Alta Roda
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+Agora que a GM iniciou, em São Caetano do Sul (SP), o processo de modernização total de sua primeira fábrica inaugurada em 1930, abre-se a possibilidade de produção de um SUV (novo Tracker) e uma picape compacta de nova geração (Montana). Projetos não serão mais executados aqui, mas nos EUA e China. Brasil perdeu seu centro de desenvolvimento.

+Toyota decidiu lançar na Argentina o Innova, monovolume médio-grande importado da Indonésia. Utiliza a mesma base mecânica da Hilux e do SW4, fabricados no país vizinho. Se tiver boa aceitação lá e pesquisas indicarem algum interesse do mercado brasileiro e sul-americano, é possível a marca japonesa decidir produzi-lo em Zarate, a 90 km de Buenos Aires.

+Land Rover começa a entregar a terceira geração do Discovery no final de junho, apenas três meses depois da Europa. SUV de grande porte -- sete passageiros -- perdeu 480 kg ao ampliar estrutura de alumínio. Melhorou também em aerodinâmica (Cx 0,33; antes, 0,40). Interior inclui rebatimento elétrico de cinco bancos. Rodas até 22 pol. Preços: R$ 363.000 a R$ 429.000 (há uma versão especial de R$ 469.000, porém limitada a 55 unidades).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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