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GM, Ford e Alfa Romeo se mexem para movimentar mercado global

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Modelo mais vendido da GM no mundo, Chevrolet Cruze ganha nova geração imagem: Divulgação
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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Sem dúvida a semana que passou foi a mais agitada do ano, com dois lançamentos no exterior -- Chevrolet Cruze, em Detroit (Estados Unidos), e Alfa Romeo Giulia, em Milão (Itália) -- e um no Brasil -- reestilização do Ford Focus, em Fortaleza (CE).

Cada um tem sua importância relativa: Cruze, inteiramente novo, é o mesmo que a Argentina produzirá a partir do final de 2016; Giulia marca o renascimento da outrora invejável marca italiana, pertencente ao grupo Fiat-Chrysler, no dia em que completou 105 anos; o também argentino Focus hatch agora fica igual ao produzido em outros continentes, o que deixa a Ford com todos os seus automóveis alinhados aos do exterior.

Cruze: mais leve e tecnológico

Feito no México, o modelo médio da Chevrolet chega ao mercado americano em março de 2016 e no Brasil, até o fim do ano que vem. A maior distância entre-eixos -- 2,7 metros -- garante ótimo espaço interno, enquanto o peso foi reduzido em 150 quilos.

A apresentação foi estática e contou só com a versão de topo, o que é usual. De qualquer forma, a empresa confirmou que o motor será um turbo de 1,4 litro e 154 cv, até 10% mais econômico que o atual 1.8 aspirado. Vários dispositivos eletrônicos de segurança tentam elevar nível de concorrência até com marcas premium alemãs. 

Giulia: grande aposta da Alfa

Já o Giulia escolhido para ser mostrado no palco, sem acesso ao interior, foi a versão de alto desempenho Quadrifoglio, seu símbolo nas corridas. Visto de perfil, lembra o BMW Série 3, mas de frente traz a tradicional grade triangular (“cuore” da marca). A traseira também ousa, com quatro saídas de escapamento em arranjo inusitado.

A Alfa Romeo não deu pormenores técnicos, mas a potência de 510 cv de seu V6 turbo é a mesma do Mercedes-AMG C 63 S, com distribuição de peso de 50% em cada eixo e tração traseira, seguindo o mesmo “ponto de honra” da BMW. Mais importante: entra no clube super-restrito dos sedãs capazes de acelerar de 0 a 100 km/h em menos de quatro segundos (exatos 3,9 s).

Focus: Ford totalmente alinhada

A Ford, além das mudanças visuais na parte frontal do Focus hatch 2016, aumentou o conteúdo de equipamentos sem elevar o preço (corresponde a uma queda real), fez ajustes na suspensão traseira, na direção eletroassistida, retocou o interior e adotou um novo volante para a versão de topo Titanium, que agora traz hastes para troca de marchas no câmbio. Os preços começam em R$ 69.900 e vão a 95.900. Entre as novidades destacam-se sistema anticolisão até 20 km/h e de assistência ao estacionar em vagas longitudinais e transversais.

Quem comprou a linha anterior, que mudou há menos de dois anos -- algo fora dos padrões convencionais do mercado brasileiro, bastante sensível a novidades --, terá condições especiais para troca. A versão sedã vem no fim de julho e terá o nome adicional Fastback, para tentar um equilíbrio com o hatch, que representa cerca de 90% das vendas totais do Focus.

A GM também anunciou a expansão internacional de seu serviço OnStar de assistência remota, que existe há 19 anos nos EUA. Aqui, estreará no Cruze 2016 (geração anterior à nova mostrada em Detroit) em setembro próximo. O sistema inclui chip telefônico próprio para facilitar a comunicação com a central administrativa e oferecer desde mapas eletrônicos personalizados, destravamento remoto das portas e serviços de concierge e emergenciais.

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RODA VIVA

  • Depois da picape de quatro portas compacta Oroch, que chega em dois meses, a Renault partirá para o crossover Captur. Na realidade, o nome será o mesmo do francês e suas linhas terão semelhança, mas a arquitetura nada terá a ver com o Clio produzido na Europa, duas gerações à frente do que vem da Argentina.
     
  • Citroën começa em setembro a produzir (início de vendas até um mês depois) o modelo 2016 do C3 Aircross, que receberá reestilização discreta de meia geração. Esta é a versão de suspensão elevada e estepe externo do monovolume C3 Picasso e justamente a que mais vende. Tanto que a fábrica já decidiu (embora não confirme agora) deixar apenas o Aircross em produção.
     
  • Honda HR-V é dos raros modelos que superaram expectativas. Crossover tem visibilidade e dirigibilidade entre seus destaques, porta-malas generoso e bom espaço no banco traseiro (assoalho plano e assentos erguíveis). Câmbio CVT não agrada, se muito exigido. Exclusivo (na faixa de preço) freio de estacionamento elétrico automático permite função elegível de arrasto em marcha lenta (creeping), que deveria ser padrão em carros automáticos.
     
  • Decoração discreta é ponto positivo da perua Volkswagen Space Cross, além de direção precisa, suspensão firme e motor muito silencioso e elástico. Câmbio automatizado i-Motion está mais suave nas trocas de marchas, mas função creeping suprimida de forma permanente dificulta manobras em baixa velocidade.
     
  • Poucos respeitam a placa “Pare” em cruzamentos. Em parte por ignorância: parar é parar mesmo, não apenas diminuir a velocidade, olhar e continuar. Outros a consideram desnecessária, uma "perda de tempo", quando na realidade quem decide é quem colocou a placa. Mau hábito está arraigado e só multa (a mesma de avançar sinal) resolve.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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