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Avaliação: Nissan Frontier Attack alia dirigibilidade com visual esportivo

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL, do Rio de Janeiro (RJ)

2019-05-03T07:00:00

03/05/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Agora feita na Argentina, picape ganhou versão com "ar esportivo"
  • Visual invocado inclui estribos laterais, santantonio e (muitos) adesivos
  • Motor 2.3 biturbo movido a diesel entrega 190 cv

Difícil não cair no trocadilho com o nome da versão da Frontier. Produzida na Argentina desde 2018 (na fábrica onde também deveriam ser feitas Mercedes-Benz Classe X e Renault Alaskan, algo que não aconteceu até hoje), a picape média da Nissan ainda pena no segmento onde o passado de um modelo e rede de concessionárias fazem a diferença. Apesar de oferecer um dos melhores conjuntos de desempenho e dirigibilidade, é uma das que menos vende. E precisa responder. Ou "atacar".

Uma das saídas encontradas pela Nissan foi lançar uma nova versão intermediária. A Frontier Attack custa R$ 155.590 -- exatamente acima da S, voltada para frotistas, com preço de R$ 137.550 -- e tem a função de agregar esportividade à linha. Daí a quantidade generosa de apetrechos visuais que emprestam um ar meio "invocado" e chamam a atenção de outros motoristas e pedestres por onde quer que passe.

Adesivos pretos no capô, barra inferior dianteira, rack no teto, faróis com máscara negra, santantônio e grade escurecidos, além dos estribos que são uma mão na roda para entrar na cabine, fazem parte do pacote. Ao mesmo tempo, usa rodas de liga leve aro 16" com pneus todo terreno.

Boa de dirigir

O principal argumento, contudo, deveria ser o rodar da Frontier. Depois da Volkswagen Amarok, é a melhor picape média para se dirigir, pois consegue agregar comportamento dinâmico próximo ao de um sedã com desempenho e aquela bela dose de robustez.

O motor biturbo de 190 cv é um dos destaques. Entrega força necessária à picape em ampla faixa de rotações, sem acelerações brutas ou coices desnecessários a cada pisada no pedal da direita. O câmbio automático de sete marchas ajuda nessa missão, com mudanças precisas, ágeis e suaves na maior parte do tempo.

Sobra no asfalto e vence a terra com destreza. Levamos a Frontier Attack para trechos de lama, pedras e repleto de buracos pouco convidativos. A tração integral (acionada pelo botão giratório) e a força em baixos giros -- o torque de quase 46 kgfm está disponível antes das 1.500 rpm -- faz a picape da Nissan se sentir à vontade no fora de estrada.

As ondulações da pista, além de subidas e descidas, são encaradas facilmente graças ao vão livre do solo de 23 cm e ao excelente ângulo de ataque de 30,3 graus, um dos melhores do segmento -- o de saída é de 27,4 graus. A direção com assistência hidráulica poderia ser um pouco mais direta, porém, oferece manobrabilidade suficiente para a aventura.

Confortável para uma picape

A Frontier ainda se mostra sólida a cada trepidação de pista ou queda em um buraco no off-road. Fruto de sua estrutura, que usa de uma espécie de duplo C sobre longarinas com oito barras transversais. Segundo a Nissan, essa 12ª geração da picape ficou quatro vezes mais rígida.

Essa estrutura, é claro, não é o suprassumo do conforto no asfalto. Mas não é como a maioria das suas rivais desengonçadas. Com a caçamba vazia, alguns quiques são inevitáveis -- principalmente para quem viaja atrás --, porém, a engenharia na suspensão resultou em um modelo para lá de versátil e especialmente comportado em curvas.

Na frente, ok: a trivial base com braços duplos e barra estabilizadora. Foi lá na traseira que a Nissan fez um belo trabalho. Pegou um prosaico eixo rígido com barra estabilizadora para garantir a robustez, e fez um "bem bolado" com o jogo multilink independente para dar o alento de conforto. Em prol de neutralizar melhor as imperfeições, molas helicoidais no lugar do feixe de molas.

Falta recheio

Funcionou, e o conforto fica acima da média do segmento. Pena que a lista de equipamentos da Attack não faça jus a esse esforço. Só na segurança agrada um pouco, com controles de estabilidade e tração, assistente à partida em rampas e o controle de descida, muito útil para um off-road seguro ao atuar em conjunto com o ABS dos freios em declives íngremes, dosando a descida gradualmente.

De bacana, a versão traz a nova central multimídia com espelhamento de celular e a bem-vinda câmera de ré para ajudar na hora de estacionar a grandalhona naquela vaga do supermercado. Porém, a tela tátil de oito polegadas tem respostas lentas ao manuseio dos dedos.

A Frontier Attack oferece pouco além do trivial ar-condicionado com saídas traseiras, direção hidráulica, trio, volante multifuncional com ajuste de altura e computador de bordo. Chave presencial, seis airbags e retrovisores rebatíveis eletricamente só a partir da XE (R$ 172.880).

De qualquer forma, o recheio da linha se assemelha ao de rivais do mesmo preço, o que torna pouco compreensível as poucas vendas da Frontier. Em três meses, a picape da Nissan vendeu menos de 2 mil unidades dentro de um segmento onde a Toyota Hilux lidera com folgas, e ainda tem Chevrolet S10 e Ford Ranger para se fazerem presentes.

Levamos a Nissan Frontier para um desafio barra-pesada:

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