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Mercedes-Benz Classe A, R$ 194.900, é um legítimo Mercedes -- até no preço

Vitor Matsubara

Do UOL, em Bertioga (SP)

28/01/2019 07h00

Nova geração do hatch traz tecnologia e sofisticação, mas cobra muito caro por isso

Faz tempo que a Mercedes-Benz tenta convencer seus clientes que o Classe A é um legítimo Mercedes. Para sorte da marca, parece que este problema finalmente está perto de acabar com a quarta geração do hatch. Embora estivesse à venda desde o fim de 2018, só agora é que UOL Carros teve a oportunidade de dirigi-lo no Brasil -- isso porque a gente já havia participado do lançamento mundial do modelo em junho de 2018. Pelo menos valeu a pena esperar.

O Classe A estreou no país com a versão Launch Edition (R$ 199.900), mas a partir deste mês será oferecido apenas na configuração A 250 Vision a salgados R$ 194.900. Apesar da redução de R$ 5 mil, o preço é justamente a primeira (e nada agradável) semelhança com os modelos mais caros da Mercedes.

Se está longe de ser uma pechincha, o hatch compensa com uma generosa lista de itens de série. Frente à versão Launch Edition, o A 250 Vision perdeu ar-condicionado digital de duas zonas (ainda é digital, mas tem apenas uma), pacote visual AMG, acabamento interno com apliques em alumínio e espelhos retrovisores com rebatimento elétrico.

Mesmo assim ainda é bem equipado, oferecendo airbags laterais dianteiros e de proteção aos joelhos do motorista, controles de estabilidade e de tração, assistente de partida em rampas, seletor de modos de condução com quatro ajustes diferentes, bancos dianteiros com regulagens elétricas, volante multifuncional, controle de cruzeiro (sem função adaptativa), câmera de ré e rodas de liga leve de 18 polegadas.

Traz também o sistema de frenagem autônoma, que aciona os freios com força total e pode até parar totalmente o veículo dependendo da velocidade. A fabricante diz que ele funciona a até 250 km/h, embora neste caso ele dependa da ação do motorista para, então, aplicar a frenagem total de forma que a velocidade seja reduzida ao máximo até o impacto.

"E aí, Mercedes?"

O maior destaque tecnológico do Classe A está do lado de dentro. É o sistema multimídia MBUX, simplesmente a última geração em entretenimento e conectividade a bordo nos veículos da marca. Coube ao Classe A a honra de estreá-la na linha Mercedes-Benz, inclusive por aqui. São duas telas de 10,2 polegadas, uma substituindo o painel de instrumentos e outra no lugar da central multimídia.

Além de ser totalmente personalizável, ela facilita a visualização das informações e dá um belo toque de modernidade e sofisticação ao interior do Classe A. Ao contrário do antigo modelo, a tela central finalmente é sensível ao toque dos dedos (com respostas muito rápidas, aliás), embora o usuário possa navegar pelo menu por um touchpad. A usabilidade é outro ponto positivo, proporcionando uma navegação fácil e intuitiva por tantos menus.

Merece atenção especial o sistema de reconhecimento de voz associado ao assistente pessoal. Ele é ativado quando o usuário diz qualquer um destes comandos: "Oi, Mercedes", "Olá, Mercedes" ou "E aí, Mercedes?". Por meio dele é possível fazer ligações, consultar dados de consumo e autonomia, mudar a estação do rádio, ligar o ar-condicionado e até fechar a persiana do teto solar panorâmico. Tudo muito bacana até notarmos um pequeno inconveniente: o sistema de reconhecimento de voz foi ativado a cada vez que mencionamos apenas a palavra "Mercedes", sem pronunciar os comandos completos para ligá-lo. Durante o test-drive realizado em duas pessoas até o litoral paulista, isso aconteceu em três ocasiões -- parecia até uma companhia inconveniente interrompendo a conversa?

Foguetinho

Todo Mercedes-Benz que se preza é bom de dirigir, e felizmente o Classe A não foge à regra. O motor 2.0 turbo de 224 cv é garantia de diversão em viagens longas, principalmente em estradas cheias de curvas. Sobra fôlego para o hatch nas arrancadas e retomadas, fazendo jus à esportividade que se espera de um veículo desta categoria. A transmissão automática de sete marchas com dupla embreagem proporciona trocas rápidas e praticamente imperceptíveis. Dados fornecidos pela Mercedes indicam aceleração de 0 a 100 km/h em 6,2 segundos e velocidade máxima limitada eletronicamente a 250 km/h.

Tudo fica à mão no interior, que preserva algumas heranças dos modelos Mercedes-Benz, como a estranha posição da alavanca de câmbio atrás do volante e no lado direito -- onde normalmente fica a alavanca que controla os limpadores de para-brisa. Pelo menos o freio de mão acionado por um pedal próximo à porta (uma solução comum em alguns utilitários, mas esquisita demais para automóveis) está cada mais vez mais raro nos modelos da marca. Em seu lugar há um prático botão que aciona o freio de estacionamento elétrico. 

O acabamento, por sua vez, não repete o alto nível de requinte dos modelos maiores, até porque isso tornaria o Classe A ainda mais caro. O plástico da cabine é de boa qualidade, embora não seja tão macio ao toque dos dedos. Quatro adultos viajam sem muito aperto, e a distância entre eixos cresceu 3 cm frente ao seu antecessor. Já o porta-malas acomoda até 370 litros, quase 30 litros a mais do que o modelo anterior.

Quem procura (e precisa) de mais espaço não vai precisar esperar tanto tempo assim. O Classe A Sedan começa a ser vendido aqui ainda no primeiro semestre. Motorização pode incluir o 2.0 turbo do hatch, mas há fortes chances da versão "200" chegar com o 1.4 turbo de 165 cv de origem Renault, como opção para ampliar vendas.

O Classe A sofreu com o fatídico teste do alce na primeira geração, não encontrou uma identidade logo em seguida e deixou de ser uma minivan para virar um hatch esportivo na terceira geração. Só agora é que o modelo atinge a maturidade como um modelo incorporado à filosofia da Mercedes-Benz sem deixar de lado a tecnologia que tanto atrai novos consumidores. Assim talvez fique mais fácil fortalecer a imagem de uma marca que sempre foi cobiçada pelos mais velhos, mas ainda não caiu definitivamente nas graças dos jovens.

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