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"Ghosn está bem na prisão e pediu livro de suspense", diz cônsul brasileiro

Yuri Kageyama

Da AP, em T[óquoo (Japão)

05/12/2018 17h13

Cônsul-geral do Brasil em Tóquio falou com imprensa após visitar ex-presidente da Renault-Nissan-Mitsubishi na prisão

O ex-presidente da Renault-Nissan-Mitusbishi, Carlos Ghosn, que foi preso no Japão por suspeita de subnotificação de sua renda, parece preparado para lutar por seu caso e pediu livros de suspense, de acordo com o cônsul-geral brasileiro em Tóquio.

João de Mendonça Lima Neto, um dos poucos visitantes que Ghosn viu sob as rígidas regras do Japão, disse que Ghosn estava saudável e lidando bem com a prisão.

"Minha impressão é que ele é um homem forte no sentido de que ele vai lutar contra isso corretamente. Ele não parece preocupado", disse Mendonça à "Associated Press (AP)" na quarta-feira no consulado do Brasil em Tóquio. "Eu o admiro por sua força".

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Pela barreira de vidro

Mendonça se recusou a comentar os detalhes das alegações contra Ghosn, dizendo que seu trabalho era ajudar os cidadãos brasileiros com seus problemas. Ele disse que transmitiu mensagens verbais de Ghosn para sua família e transmitiu as mensagens da família de volta. Ele se recusou a divulgar detalhes.

Funcionários consulares visitaram Ghosn quatro vezes nas últimas duas semanas, disse Mendonça. Eles trouxeram livros de história e filosofia e frutas, mas Ghosn pediu livros de suspense para passar o tempo. Mendonça disse que fala com Ghosn em português através de uma barreira de vidro.

Ghosn, que liderou a aliança de automóveis Renault-Nissan-Mitsubishi, foi preso no mês passado sob suspeita de ter subnotificado sua renda em milhões de dólares por anos a fio. Nascido no Brasil, Ghosn possui cidadania francesa, libanesa e brasileira. Somente representantes do país de origem e advogados de um suspeito podem visitar suspeitos detidos no Japão.

Embora as célas de detenção japonesas não estejam aquecidas e o clima esteja frio, Mendonça disse que Ghosn lhe disse que estava aquecido. Ele estava usando um suéter azul com zíper, lembrou.

"Dr. Ghosn sempre disse que está bem e é bem tratado, dadas as circunstâncias", disse. "Ele responde normalmente, 'estou bem'".

A mídia japonesa, sem identificar fontes, informou que os promotores deterão Ghosn além do período preventivo que se encerra em 10 de dezembro, com alegações adicionais. Os promotores se recusaram a comentar, exceto em reuniões semanais, quando confirmam alguns fatos básicos. Ghosn ainda não foi acusado formalmente.

Koji Sasahara/AP
João Mendonça de Lima Neto, cônsul-geral do Brasil em Tóquio: "O que você lê na imprensa não é o que ele está dizendo [que ocorreu]". Imagem: Koji Sasahara/AP

Altos salários

Desde que ele foi nomeado pela Renault para salvar a quase falida Nissan, há duas décadas, o nível de remuneração de Ghosn atraiu a atenção, já que os executivos no Japão tendem a receber bem menos do que seus colegas de outros países.

No centro das alegações, de acordo com relatos da mídia japonesa, está a receita relatada por Ghosn, composta por pagamentos em dinheiro, ações e outros itens -- e que se estenderia mesmo após a aposentadoria.

A Nissan, que fabrica o subcompacto March, o carro elétrico Leaf e os modelos de luxo da marca Infiniti, diz que uma investigação interna descobriu que Ghosn ocultou seu pagamento e usou indevidamente fundos e ativos da empresa para ganho pessoal. A empresa tirou Ghosn do cargo de presidente, mas ainda precisa escolher um substituto.

Os brasileiros estão orgulhosos de Ghosn, disse Mendonça. "Também temos uma posição de esperar e ver. O que você lê na imprensa não é o que ele está dizendo [que ocorreu]. Estamos apenas esperando o resultado e esperamos que seja o melhor", disse. "Dada a sua posição, ele tem sido um ícone não só aqui, mas em todo o mundo".

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