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Caoa-Chery terá Tiggo 4 e Tiggo 7 no Salão de SP; Tiggo 8 é outra aposta

Ricardo Ribeiro/UOL
Chery Tiggo 4 e Chery Tiggo 7 vão competir com rivais de Honda HR-V a Jeep Compass Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

Eugênio Augusto Brito, Ricardo Ribeiro

Do UOL, em São Paulo (SP); e Colaboração para o UOL, em Wuhu (China)

05/09/2018 04h00

Marca aposta em SUVs para ampliar participação no mercado brasileiro, mas também terá um sedã

Anunciada em dezembro, confirmada em abril, a parceria Caoa-Chery já colocou no mercado o crossover compacto Tiggo 2, com opção manual e automática e preços entre R$ 60 mil e R$ 70 mil, mas a ideia é ir além ainda este ano. E apostando forte no segmento de SUVs, o mais aquecido no cenário nacional -- e também global -- com até três lançamentos. 

Sim, Tiggo 4 e Tiggo 7 já faziam eram nomes certos desde maio -- quando revelamos os planos da fabricante direto da China. Mas UOL Carros apurou que além dos utilitários esportivos médio-compacto e médio, o maior e mais recente modelo da marca no segmento, o Tiggo 8, pode dar as caras no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro. Além deles, haverá ainda o sedã médio Arrizo 5, com apresentação pouco antes do evento.

Um estande muito recheado da Chery será uma das armas do Grupo Caoa para o maior evento automotivo do país. Além desta atração, haverá ainda os espaços das marcas representadas pela empresa, a japonesa Subaru e a sul-coreana Hyundai (este dividido, como praxe, com a Hyundai Motor Brasil, subsidiária local).

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Planos de dominação

Além de atender gostos e exigências do consumidor brasileiro, a Caoa-Chery planeja ampliar entregas com a demanda ampliada pelo interesse nacional pelos SUVs. Claro, não apenas isso. Segundo Henrique Sampaio, gerente de marketing e produtos da marca, será uma união de oferta ampla, salto no total de concessionárias das atuais 45 para 60 unidades até dezembro (em janeiro deste ano, eram 25), e uma melhor gestão do pós-venda, com ações como garantia de cinco anos e recompra certa na troca por novo modelo.

Falando especificamente dos carros, a ideia é ofertar tecnologia, design e qualidade de construção, mas também ocupar todas as principais faixas de vendas do mercado nacional, alcançando quem tem de R$ 60 mil a R$ 110 mil. Sim, esse é a faixa de preços esperada para o patamar superior dos novos produtos, portanto é o que esperamos que será cobrado para versões de topo do Tiggo 7 ou de entrada do Tiggo 8.

Como eles são?

UOL Carros testou Tiggo 4 e Tiggo 7 e viu o Tiggo 8 na China, este ano. Espera-se que os dois primeiros sejam fabricados na unidade da Caoa em Anápolis (GO), onde são feitos os Hyundai Tucson e ix35, até o final deste ano ou no começo de 2019.

Além da plataforma, Tiggo 4 e 7 compartilham motor e câmbio. O 1.5 TCI, com turbo e injeção indireta, entrega 147 cv e 21,4 kgfm com gasolina. No Brasil será flex, chegando a 150 cv. A transmissão é uma automatizada de dupla embreagem seca e seis marchas.

O Tiggo 4 é esperado na faixa dos R$ 80 mil para brigar com modelos como Honda HR-V, Nissan Kicks, Hyundai Creta e companhia, modelos de porte similar.

Já o Tiggo 7 é um SUV médio, para encarar Jeep Compass e o próprio Hyundai ix35, com versões de R$ 100 mil.

Embora não seja de tirar o fôlego, o design é bem resolvido como chineses não costumavam ser. O acabamento também melhorou. A quantidade e qualidade do plástico parece dentro do razoável. Além dos bancos, há forrações de couro nos painéis e, no caso do 7, também nas portas. Detalhe: as configurações para o Brasil ainda terão reforços de equipamento em relação aos chineses, mas haverá seis airbags, sistema multimídia e as saídas integradas do ar-condicionado.

O espaço é ponto positivo, com destaque para o assoalho plano na parte traseira, garantindo mais conforto para as pernas. Mesmo no Tiggo 4, com o banco do motorista todo para trás, ainda sobram três dedos entre ele e os joelhos de uma pessoa com 1,70 m no banco traseiro.

Acima destes, estará o Tiggo 8: 4,70 m de comprimento, 2,71 m de entre-eixos, espaço para sete pessoas e auge da tecnologia da marca, pode surgir no Salão de SP para testar interesse do público. De toda forma, sua comercialização já está nos planos da marca para o final de 2019/começo de 2020. O motor, porém, precisaria mudar: na China, ele usa o mesmo 1.5 turbo citado acima, com diferente calibração.

Este motor, aliás, também pode movimentar o sedã Arrizo 5, que começará a ser produzido em breve na fábrica de Jacareí (SP), tem porte médio e competiria tanto no nicho de Fiat Cronos, Volkswagen Virtus  e Toyota Yaris Sedan, quando no segmento dominado pelo Toyota Corolla.

Josias Silveira/UOL
Maior SUV da Chery foi revelado globalmente em maio, mas já pode estar no Salão de SP Imagem: Josias Silveira/UOL

Em movimento

O motor 1.5 tem um pequeno atraso até o turbina encher, mas nada que comprometa muito o desempenho. A resposta do Tiggo 4 é mais esperta e a suspensão, sempre muito criticada, apresentou-se mais firme no teste com o modelo.

No entanto, o Tiggo 7 teve reações mais lentas e, com suspensão mais macia que o irmão menor, inclinou mais nas curvas. A diferença pode não ser causada apenas pelo tamanho e pesos mais elevados.

Relações de marcha, mapa de aceleração do motor mais manso e ajuste muito macio de suspensão seriam características comuns em carros configurados para o mercado chinês. Ou seja, precisam e já estão sendo modificados para o Brasil.

"O Tiggo 4 teve muita participação do Brasil no desenvolvimento. O Tiggo 7 já estava pronto e estamos trabalhando agora. Para o Brasil, muda muito a calibração do motor, do câmbio e da suspensão", explicou Henrique Sampaio.

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