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Por R$ 450, aplicativo promete prever quando seu carro dará problema

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Aplicativo VAI se conecta à central eletrôniaca do carro para apontar tudo sobre ele Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

09/08/2018 04h00

Desenvolvido por empresa brasileira, serviço VAI chega para "dedurar" os segredos que seu veículo esconde

Talvez você não saiba, mas os automóveis hoje são um verdadeiro computador sobre rodas, utilizando uma série de módulos eletrônicos capazes de identificar problemas variados e informações gerais sobre o veículo. Estima-se que um carro moderno já esteja gerando cerca de 25 GB de dados por hora, em média.

A questão é que só uma pequena parte desses dados chega ao conhecimento do condutor: dados gerais do computador de bordo, como o consumo instantâneo, advertências quanto à pressão dos pneus e avisos gerais são exemplos.

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No entanto, dados detalhados podem ser acessados por meio da chamada porta OBD, a mesma utilizada pelos "scanners" de oficinas para diagnosticar falhas no motor e no sistema elétrico. Essa porta, geralmente posicionada na parte de baixo do painel, é padrão em todos os veículos comercializados no país desde 2010. Na prática, é uma fonte rica de dados que podem ser explorados por empresas de serviços automotivos.

Uma das tendências é captar as informações fornecidas pela porta OBD e permitir que o dono do carro as consulte e gerencie por meio do celular. O exemplo mais recente tem capital 100% brasileiro: trata-se do VAI (Vehicle Artificial Intelligence), aplicativo criado pela empresa pernambucana Wings, fornecedora de acessórios de conectividade para automóveis.

O que faz o VAI

Desenvolvido no Brasil com um aporte de R$ 2,6 milhões, o VAI se diferencia de aplicativos como o israelense Engie, lançado no país há poucos meses, pela forma como trabalha os dados. Em vez de transferir os dados coletados via Bluetooth, o que demanda que o smartphone esteja sempre com a rede sem fio ativada para funcionar, ele os envia através de um servidor via conexão 2G, como nas máquinas de cartão.

Entre os serviços disponíveis estão localização do carro, informações sobre consumo -- como histórico, gasto em tempo real e estimativa --, alerta de potenciais falhas no motor, avisos de necessidade de manutenção preventiva, relatório do estado da bateria e diagnóstico de problemas na parte eletrônica, dentre outras funcionalidades.

"A ideia é antecipar problemas menores e prevenir defeitos maiores no futuro", afirma João Marcelo Barros, diretor da Wings.

A empresa também tem convênio com a ANP (Agência Nacional do Petróleo) para estimar o custo de cada corrida em tempo real. Funciona assim: o usuário informa as quilometragens inicial e final e mantém o localizador GPS do aparelho ativado. O dispositivo, então, acessa o preço médio do combustível no trecho rodado.

É possível, ainda, montar um perfil mais econômico de condução pelo chamado "acelerômetro", que identifica os momentos de retomada e frenagem e aponta como otimizar o consumo de combustível.

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O dispositivo do VAI que deve ser conectado à porta OBD do carro Imagem: Divulgação

Quanto custa

São R$ 449 por uma assinatura de um ano; R$ 549 por dois anos; R$ 649 por três anos. Valores podem ser parcelados em 12 vezes e incluem tanto o dispositivo a ser conectado à porta OBD quanto os custos de transferência dos dados, feitos por meio de convênio com uma operadora de telefonia celular. Passado o prazo da assinatura, os clientes podem seguir usando o serviço pagando uma mensalidade de R$ 9,90.

João Marcelo Barros, garante que todas as informações transferidas pelo VAI são "à prova de hackers". Ainda de acordo com o diretor, 98% dos veículos em circulação no Brasil hoje são compatíveis com o serviço.

Montadoras na jogada

"Já estamos conversando com montadoras e em tratativas avançadas com duas delas, a fim de que possam oferecer o VAI como um serviço de pós-venda. Com base nas informações colhidas, uma concessionária pode, por exemplo, contatar o cliente para avisar antecipadamente sobre algum potencial defeito ou sobre a necessidade de inspecionar ou trocar uma peça já desgastada", explica Barros.

O diretor também prevê que até 2025 todos os veículos novos já virão de fábrica com serviço de telemetria e possibilidade de compartilhamento de dados com empresas. É a chamada "big data" ingressando na indústria automotiva. Mais informações podem ser obtidas no site oficial da VAI.

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