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Kwid, 1 ano: donos elogiam praticidade, mas se incomodam com recalls

Arquivo pessoal
O administrador de empresas Daniel Bortoleto, 54, comprou um Kwid pela promessa de economia Imagem: Arquivo pessoal

Fernando MIragaya

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

07/08/2018 04h00

No aniversário de lançamento do carrinho, proprietários se dizem temerosos pelo carro já ter sido alvo de três chamados sem solução

O Kwid tinha fila de espera nas revendas após o lançamento, entre agosto e setembro de 2017, que podia superar 60 dias. Hoje, porém, no aniversário de lançamento há certa fila de queixas em relação ao subcompacto, que chegou com promessa de custo/benefício atraente, mas que em seis meses de vida já tinha três recalls no currículo.

Um ano depois, donos do carrinho reconhecem que o carro é bom para usar na cidade, devido ao tamanho diminuto e aos preços (começa em R$ 32.490 na versão Life e vai a R$ 41.990, na Intense com Pack Connect). Contudo, sobram queixas quanto à fragilidade do projeto, problemas com pós-venda e uma possível desvalorização.

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Sueli Pugnagui, 51, foi uma das primeiras a levar o Kwid para a garagem. Moradora de Santo André (SP), ela comprou o carro em setembro de 2017 para, dois meses depois, levá-lo à revenda -- a Renault convocou dois recalls de todas as 21.802 unidades do modelo produzidas até então, um para verificação de partes do freio, outro do tubo de combustível.

Em janeiro, novo chamado, desta vez para reparo do berço do motor.

"Sempre tive carro da Renault, mas desta vez estou decepcionada. No recall de janeiro foram trocados mais de 15 itens. Agora o carro está na oficina novamente com novos problemas", lamenta Sueli, que já teve Sandero e Clio.

O Kwid Life dela ficou mais de uma semana na revenda para a revisão de 10.000 km. Segundo ela, será preciso trocar novamente a embreagem e consertar outro vazamento de óleo. "Acho que a Renault me vendeu o rascunho que não deu certo", brinca a funcionária pública, que, pelo menos, pôde se virar com um carro alugado oferecido pela marca.

Arquivo pessoal
Este é o Kwid de Keyla Antoniassi, de Campinas (SP). Ela comprou a versão Intense em fevereiro Imagem: Arquivo pessoal

Deixa para depois

Para muitos, a solução foi pegar o carro só depois dos recalls. Foi o que fez Keyla Antoniassi, 40, de Campinas (SP). Ela comprou a versão Intense em fevereiro só depois de conferir se o chassi não estava envolvido em nenhuma convocação da montadora.

"Quando constatei que o modelo 2018 não necessitava de recall me senti segura em comprar o carro. Foi justamente por saber sobre os recalls que não comprei antes. Aguardei a Renault fazer os ajustes necessários", conta.

Antiga proprietária de um Hyundai HB20 1.0, ela se diz feliz com o carrinho -- para ela, conforto e consumo são os destaques. "É muito econômico e, apesar de ser pequeno, 1.0 e três cilindros, o conforto para dirigir agrada. Ele anda mais que o HB20 que tinha", garante.

Quem comprou o modelo também depois dos serviços de recalls, tambématraído pela promessa de economia, foi Daniel Bortoleto, 54, de São Paulo. O administrador de empresas adquiriu um Kwid Intense em março. Foi conquistado pela racionalidade do carro, pois queria um veículo basicamente para ir trabalhar e diz que gostou do Kwid após um amigo falar sobre ele.

"Na verdade eu nem tinha ouvido falar deste carro, não sou fã nem curioso no assunto. Sendo um automóvel econômico e compacto, já que sou apenas eu e minha esposa, achei que supriria minhas necessidades", diz Bortoleto.

No entanto, o administrador tem queixas, principalmente em relação a ruídos na hora de engatar o câmbio. "Quando dá ré, por exemplo, o som é igual ao de um câmbio com muito uso. Pela manhã, quando ligo, dá umas batidas, como se tivesse alguma coisa solta. Não tive oportunidade de andar em alta velocidade, mas em um trecho a 90 km/h ele trepida", relata.

Reclamações parecidas são as de Sueli. "Percebi problemas na embreagem mesmo depois do recall feito em janeiro, pois ela fica trepidando. Quando dou ré sinto que estou num trator", afirma.

Daniel ainda se queixa do pós-venda e terá de lidar com um problema inusitado, que não diz respeito à mecânica do carro. "Me convenceram a colocar adesivo no teto, igual ao Captur, e agora, só quatro meses depois, está descolando. Serviço caro e mal feito. Vou ter uma dorzinha de cabeça para resolver isso. Essas coisas entram no pacote de insatisfação", desabafa.

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Perda de valor?

Outras preocupações também rondam donos do modelo. Apesar de confiar que os problemas mais graves foram solucionados nos recalls, Daniel Bortoleto receia pela má reputação que o Kwid possa ter no mercado e sobre uma possível desvalorização -- segundo a tabela Fipe, atualmente a versão Intense tem perda de 8% após um ano, número "normal" para o segmento.

"Apesar de não estar decepcionado com o carro, tenho uma enorme preocupação de como ficarão seus componentes depois de uns dois anos. Só o tempo vai dizer, mas se começar a aparecer problemas, o preço de mercado vai despencar. Essa incerteza me faz não ter intenção de ter outro", avisa.

Sueli, por sua vez, diz que dificilmente terá outro Renault quando for trocar o Kwid. E, pelas experiências que teve com o subcompacto, dá uma dica para quem sonha com carro zero km: "Nunca compre um carro em lançamento, não caia na conversa do vendedor. Espere mais um pouco. Mesmo assim, se for comprar, verifique se todos os problemas foram sanados", alerta.

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