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Honda Civic Si quer clientes do Golf GTI; aceleramos o esportivo na pista

André Deliberato

Do UOL, em Mogi Guaçu (SP)

21/05/2018 04h00

Carro mais esportivo da marca no Brasil está à venda por R$ 159.900

UOL Carros apontou, em outubro do ano passado, que o Honda Civic Si voltaria no primeiro semestre desse ano. Ele chegou em abril, custando quase R$ 160 mil e com meta de vendas acanhada -- cerca de 60 carros em todo o ano --, mas com um objetivo definido: fazer os compradores de Golf GTI coçarem a cabeça na hora de ir atrás de seu novo esportivo zero-km.

Carro de nicho, destinado na maioria das vezes àqueles endinheirados que procuram por um modelo de desempenho invocado (e não para ser seu primeiro automóvel), para se divertir aos finais de semana, em estradas ou mesmo em trackdays, o Civic Si volta com predicados de respeito: suspensão recalibrada, duas portas, câmbio manual, motor turbo e asa traseira fixa.

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Como anda na pista?

Aceleramos o carro no Velocittà, pista com homologação da FIA (Federação Internacional do Automobilismo), e pudemos dar mais de 10 voltas no traçado. Ao entrar no carro, os bancos te "abraçam" pelo formato de concha e você se sente mais em um esportivo do que no Golf GTI, que é muito mais civilizado, apesar de mais forte (o 2.0 TSI tem 220 cv e 35,7 kgfm de torque).

A primeira reação ao arrancar na pista é a de se impressionar com o fôlego do motor 1.5 turbo -- o mesmo usado pelo Civic Touring, mas recalibrado para render 208 cv (são 173 cv na versão "civil").

São 26,5 kgfm de torque, disponíveis desde cedo, aos 2.100 giros (a força máxima surge entre 2.100 e 5.000 rpm). Sim, o Civic Si trocou o antigo motor 2.4 aspirado por um 1.5 turbo... Mas o antigo gerava 206 cv e 23,9 kgfm de torque (a 4.400 rpm), números bem inferiores aos atuais. Sem contar o peso, que também diminuiu.

Quem comanda tudo isso é um excelente câmbio manual de seis marchas, que tem trocas extremamente rápidas e precisas. Ele permite que o Si rode sempre no limite, mas sem sair do controle (com os controles eletrônicos de tração e estabilidade ativados, obviamente). É uma sensação gostosa e desafiante que nem todo esportivo permite atualmente.

Seu maior segredo está no botão "Sport", do lado direito do painel da manopla de câmbio. Aperte e o carro se transforma em um "pocket rocket": suspensões e direção elétrica ficam mais firmes e até o ronco (acanhado, é verdade) que sai do escapamento fica mais atiçado.

Para os mais puristas, vale muito mais o prazer de trocar as marchas proposto pelo Civic do que a velocidade das trocas do câmbio de seis marchas e dupla embreagem do Golf GTI. Ao ponto de fazer valer a decisão de compra.

Murilo Góes/UOL
Geração anterior também tinha duas portas e câmbio manual, mas motor 2.4 era mais fraco e o peso era maior Imagem: Murilo Góes/UOL

Visual invocado e mimos

Tirando o lado esportivo, o novo Si também impressiona pela beleza. Ele é invocado e chama a atenção por onde passa, principalmente por ser mais baixo e posudo que as versões convencionais.

Por fora, traz frisos diferentes dos vistos nas configurações "comuns", tomadas de ar mais largas e belas rodas diamantadas de 18 polegadas. Vale ressaltar, também, a harmoniosa traseira com escapamento central em formato poligonal, defletores de ar no para-choque e a asa fixa.

Por dentro, o carro é extremamente bem ajustado, mas pouco chamativo. Há uma costura diferente nos bancos e logotipos da versão espalhados, além de detalhes vermelhos no painel de instrumentos, mas poderia haver uma diferenciação do que é ser esportivo. Ao menos o pomo da alavanca de câmbio e as pedaleiras, todos de alumínio, cumprem esta função.

Ah, claro, também existem mimos: freio de estacionamento eletrônico, teto solar elétrico, sistema de auxílio para manutenção de faixa, sensor de chuva, botão de partida do motor e ar-condicionado digital de duas zonas, além de sistema multimídia com tela tátil de sete polegadas com conexão para os sistemas CarPlay e AndroidAuto.

O que a Honda não mostra

Por ser mais baixo que o normal, é sempre preciso tomar cuidado com valetas e lombadas mais altas, justamente por conta das saias e tomadas de para-choque (frontal e traseiro) maiores.

Outro empecilho do novo Si é o preço muito mais alto que o de um Golf GTI sem opcionais (R$ 160 mil contra cerca de R$ 135 mil).

Ok, sabemos que para a maioria de seus compradores isso não será problema, mas quem sonha com um esportivo e vai fazer conta para passar o cartão, R$ 25 mil de diferença é muita grana, não é?

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