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Avaliação: Audi RS 3 Sedan é um A3 "envenenadaço" de 400 cv e R$ 330 mil

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

05/03/2018 04h00

Rodamos com versão esportiva do sedã em Interlagos e constatamos: em comum com o carro "civil", só visual e carroceria

Um olhar vindo de longe e sem muito detalhismo sugere um A3 Sedan comum, talvez levemente "emperiquitado", mas não se engane. Estamos falando do Audi RS 3 Sedan, inédita versão esportiva do três-volumes que está chegando ao Brasil pela "bagatela" de R$ 329.990. O preço já inclui toda a preparação mecânica e estilística, deixando apenas um opcional: o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), de R$ 5 mil.

Para justificar o peso da grife "RS" -- que representa as variantes mais envenenadas dos modelos civis da marca das quatro argolas --, o RS 3 Sedan recebe o conhecido motor 2.5 TFSI (5-cilindros turbo a gasolina) herdado do TT RS e do antigo RS 3 Sportaback. A engenharia da Audi afirma que se trata de um propulsor quase totalmente novo: mais compacto e 26 kg mais leve, usa bloco e cárter de alumínio, além de ter recebido aprimoramentos em cabeçote, bielas, virabrequim e correntes.

Potência é de 400 cv (de 5.850 a 7.000 rpm), 33 cv a mais do que o 2.5 antigo, enquanto torque chega ao pico de 48,9 kgfm (entre 1.700 e 5.850 giros). Ou seja: desempenho não falta ao modelo, especialmente quando ele é desafiado a mostrar "tudo que sabe" numa pista fechada, caso da avaliação de UOL Carros.

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Ele anda forte

A convite da Audi, aceleramos o modelo no circuito de Interlagos e comprovamos: acelerações são mesmo insanas (o 0-100 km/h declarado oficialmente fica em 4,1 segundos) e velocidade máxima só não vai além de 250 km/h porque está controlada eletronicamente. Em nosso teste superamos sem dificuldades os 200 km/h na reta principal, e havia fôlego para mais...

Para ajudar a domar este "canhãozinho" de 1.540 kg a Audi teve de fazer um trabalho forte de adaptação mecânica: suspensões reforçadas e rebaixadas em 2,5 cm, com eixo traseiro independente e multibraço; câmbio automatizado (S Tronic) de dupla embreagem e sete marchas com respostas bastante rápidas; embreagem eletro-hidráulica multidisco para suportar tamanha transferência de força; tração integral inteligente, capaz de promover distribuição variável de torque de 0 a 100% -- não a cada eixo, mas sim a cada roda.

O modelo dispõe ainda de direção elétrica progressiva (bastante precisa, por sinal), três modos de condução (com variação de mapas do motor e borboletas do escapamento), discos de freios com 310 mm de diâmetro, pinças esportivas e um pequeno "macete": pneus dianteiros 2 cm mais largos que os traseiros, a fim de reduzir a tendência ao sobre-esterço.

Mesmo com tudo isso, o RS 3 Sedan não nega o espírito de um carro com motor transversal dianteiro, tendendo a "traseirar" numa frenagem mais forte.

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Um olhar mais atento percebe: as rodas aro 19, as pinças de freio vermelhas e o difusor traseiro dão pinta invoca, mas não escandalosa, ao RS 3 Sedan Imagem: Divulgação

Mudanças visuais

Dentro da cabine há elementos que diferenciam bem o RS 3 Sedan de um A3 comum, destacando sua esportividade. O volante revestido em alcântara com base achatada e a chamativa insígnia "RS" é um deles. Os pedais em alumínio idem, assim como o painel com detalhes em fibra de carbono e o quadro de instrumentos 100% digital munido de cronômetro e gráficos que medem potência e torque entregues instantaneamente.

Nada supera, porém, o efeito provocado pelos bancos dianteiros. Não são concha, verdade, mas ainda assim dão um ar diferente ao ambiente e possuem abas laterais que seguram muito bem o motorista em curvas mais fortes -- lembrando que estávamos num autódromo. Ah, e ainda são revestidos por um excelente couro Napa (com opções de cor cinza, preta ou preta com costuras vermelhas.

Pena que o visual externo não seja tão diferente assim. Claro, há as tomadas de ar mais amplas à frente, as insígnias com a nomenclatura "RS" e "quattro" espalhadas pela carroceria, as "rodonas" de liga leve aro 19, chamativas pinças de freio (que podem ser vermelhas ou cinzas), saias laterais e o difusor traseiro com duas saídas de escape.

Só que aí voltamos ao começo do texto: de longe a diferença para um A3 Sedan 1.4 flex fica mínima, e estamos falando de um carro que custa mais que o dobro do preço.

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Bancos esportivos são destaque na cabine do RS 3 Sedan Imagem: Divulgação

Mais evenenado que equipado

Pacote de equipamentos também não deve ser tomado como fator diferencial. Controle eletrônico de estabilidade, sete airbags, ar-condicionado digital de duas zonas, teto solar panorâmico, faróis integralmente em LED com regulagem de facho, chave inteligente, sistema de som Bang & Olufsen e central multimídia são itens que qualquer carro desse segmento precisa ter.

Espanta, isso sim, saber que os ajustes de altura e profundidade de volante e bancos, incluindo o do motorista, terão de ser feitos todos por alavancas manuais. Mas é claro que o comprador de um RS 3 Sedan não estará tão preocupado com conforto. Afinal, sua configuração mecânica não parece nada afeita ao uso cotidiano, especialmente no Brasil. 

Dinamicamente o modelo em nada lembra um A3 Sedan, e este é o principal indicativo de que a melhor experiência com ele será na pista. Lá a diversão é garantida, e sem precisar assinar o cheque de R$ 1 milhão que um R8 ou um Mercedes-Benz AMG GT R exigirão de você.

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Sinta-se num carro de corridas com esta tela do quadro de instrumentos digital Imagem: Divulgação

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