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Avaliação: Volkswagen Amarok apela à força do V6 para encarar S10 e Hilux

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Conforto de sedã e motor de Audi Q7: Amarok V6 é opção mais poderosa do país... até chegada da Classe X Imagem: Divulgação

Rodrigo Mora

Colaboração para o UOL, em Salta (Argentina)

23/02/2018 04h00

Fomos ao deserto do Atacama para testar a picape mais forte do Brasil; preço é de R$ 185 mil

A Volkswagen pega uma carona com a Audi para vencer a queda de braço com Chevrolet, Toyota e companhia. Isso ocorre na forma de uma inédita configuração da picape Amarok com motor V6 3.0 turbodiesel, com 225 cavalos de potência, 56,1 kgfm de torque e pedigree da marca premium.

Se por um lado vence a prova de força -- a Chevrolet S10, por exemplo, tem 200 cv e 51 kgfm --, por outro também leva no preço. Enquanto a Amarok Extreme 2.0 4-cilindros custa R$ 180.990, a V6 cobra R$ 184.990 na versão Highline (única disponível ao consumidor brasileiro). Por R$ 4 mil extras o cliente terá acesso a uma picape menos estilizada, é verdade, porém com 45 cv e 13,3 kgfm de torque a mais. 

Levando em conta, ainda, que a S10 High Country (2.8 turbodiesel) sai por R$ 185.990 e a Toyota Hilux SRX (2.7 turbodiesel, 160 cv) cobra R$ 193.270, constatamos que a Amarok V6 chega como uma opção bastante interessante.

Para saber do que ela é capaz, UOL Carros foi até o deserto do Atacama, na divisa entre Argentina e Chile, experimentar o modelo.

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Que motor é esse?

Num cenário em que motores a combustão têm como destino cada vez mais certo o extermínio, é certo que os modelos a diesel serão os primeiros a se despedir. Além disso, o escândalo do "dieselgate" -- utilização de um programa para fraudar dados de emissões de poluentes em testes oficiais -- teve impacto tão violento que levou a Volkswagen a rever quase que totalmente sua política de lançamentos futuros.

Enquanto esse dia de mudança absoluta de rumo não chega, a fabricante tenta apagar as manchas do passado e ainda fazer dinheiro usando motor que estreou no SUV de luxo Q7 e que transforma a picape da Volks na mais forte do segmento.

Rixas ambientais postas de lado, a Volkswagen sabe que o mercado de picapes está em franca elevação no Brasil. Toda uma sociedade baseada no agronegócio e com boa capacidade de investimento está avida por novidades. A bola da vez vem do conforto, luxo interno e motores fortes, não importando o combustível usado.

Esse V6 também é forte do ponto de vista do comprador em termos de reparo: diferentemente do que ocorre com o 2.0 turbo ou biturbo das outras versões da Amarok, o V6 usa corrente no comando de válvulas, dispensando manutenção. Nas demais versões, a manutenção da correia dentada precisa ser feita a cada 120 mil km.

Até o final desta temporada será a vez da também alemã Mercedes-Benz mostrar sua Classe X, que terá uma versão V6 turbodiesel ainda mais forte, com 258 cv e 56 kgfm (do grandalhão GLE). Até lá, porém, a vantagem será da Volks.

Mas anda como?

A primeira boa notícia, sabida por todos, é que a Amarok é uma das poucas da categoria com ajuste de volante também em profundidade -- Toyota Hilux e Mitsubishi L200 Triton são outras com este recurso, que nem a Mercedes Classe X tem. Parece pouca coisa, mas contribui muito para a ergonomia, sobretudo numa viagem de 1.200 km. Posição de guiar é boa, talvez a melhor do segmento. O condutor guia "like a boss", regulando o som e trocando a música (que pode ser do Spotify graças a Android Auto e Apple Carplay) apenas mexendo os dedos no volante

Cabine também dispõe de mimos convenientes como o porta-objeto da porta acarpetado, amplo porta-celular/carteira à frente da alavanca do câmbio e comandos para modo off-road, controle de estabilidade e tração bem à mão do condutor.

Bancos são confortáveis, e quem senta à frente ainda goza de bom espaço para ombros e pernas. Só prefira não ir no banco de trás, se você for um adulto com mais de 1,70 m. Há de se negociar o quanto o ocupante da frente esticará suas pernas para uma viagem menos desgastante naquele espaço.

Dada a partida, o característico trepidar de motor a diesel se mostra mais aveludado por conta dos dois cilindros a mais. Por outro lado, a Amarok não é tão suave na manobra quanto a S10, porque a Volkswagen ainda utiliza direção hidráulica, enquanto a Chevrolet já aderiu à assistência elétrica.

Na cidade, o V6 é exagerado a cada saída de semáforo. Resvala-se no acelerador e as rodas traseiras catapultam o carro para frente. Bom mesmo é entrar na estrada, especialmente as livres e visualmente infinitas da travessia Argentina-Chile. Ali se pede velocidade e o pé direito não se contém: a Amarok V6 parece ter sido feita para isso. 

Fora do asfalto sua capacidade é indiscutível, mas não insubstituível. Explico: a versão utilizada pela reportagem, Extreme, traz um acessório estético que inexplicavelmente desabilita a possibilidade de uma capota marítima protegendo a caçamba. Logo, nossa bagagem teve de seguir pelo deserto em um carro de apoio. E qual era tal carro de apoio? Um modesto, mas valente Gol. Em alguns momentos, parecia mais um guarda-costas.

Então quer dizer que tanto faz ter uma Amarok ou um Gol? Não. Esse é o ponto: de Gol, o sucesso da travessia é dúvida; na Amarok, uma quase certeza.

* Viagem a convite da Volkswagen do Brasil

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