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Cultura do carro

Fusca custaria até R$ 250 mil se fosse lançado hoje; veja números incríveis

Fernando Miragaya, Eugênio Augusto Brito

Colaboração para o UOL, no Rio (RJ), e do UOL, em São Paulo (SP)

20/01/2018 08h00

UOL Carros reúne alguns dados curiosos para celebrar este 20 de janeiro, "Dia Nacional do Fusca"

O Fusca é tão emblemático que as histórias em torno do carro se confundem e parecem infinitas. O modelo eternizado da Volkswagen tem até o seu Dia Nacional, comemorado em 20 de janeiro. Mas quando o assunto é o carro, sobram histórias e lembranças para ocupar as 24 horas do dia e todos os sete dias da semana. Quando surgiu, por que surgiu, quanto chegou ao Brasil, quando custava, quanto vendeu... tudo dá pano para manga e rende um conto no caso do Fusca.

Tanto é assim, que o automóvel que se tornou um clássico foi lançado oficialmente em 1945, considerando o modelo que conhecemos hoje. Antes, porém, diversos protótipos foram feitos (e destruídos), complicando o rastreamento preciso da história toda -- há sempre versões e unidades que "surgem" e "somem". Provavelmente, nem Ferdinand Porsche, seu criador, nem Adolf Hitler, que "encomendou" os primeiros projetos 11 anos antes, em 1934, imaginariam que o modelo se tornaria tão simbólico. 

Foram mais de 21,5 milhões de carros vendidos no mundo todo até 2003, quando o último exemplar foi feito no México.

No Brasil, o primeiro lote surgiu em 1950, mas a produção só começou em 1959, com direito à presença do então presidente Juscelino Kubitschek a bordo de um Fusca na unidade Anchieta. Foram fabricados mais de 3,3 milhões no Brasil, do "Volkswagen Sedan" e do "Volkswagen Fusca", de 1959 a 1986, depois entre 1993 e 1996.

É muito carro, muita história!

Por isso, UOL Carros separou alguns dos muitos fatos e dados curiosos para seguir colocando combustível no motor da história de um carro que se tornou ícone eterno da cultura automotiva global. 

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Cor única e 14 km/l

Uma das recomendações da cúpula nazista para o projeto do carro popular seguia os preceitos de Henry Ford com o revolucionário Modelo T. Todos os Fusca seriam fabricados em uma única cor, um azul de tonalidade bem escura. Isso se juntava às outras "exigências", como motor traseiro refrigerado a ar que bebesse sete litros de gasolina por 100 km rodados -- o que daria ótimos 14,3 km/l atuais -- e peso em ordem de marcha que não ultrapassasse 650 kg.

4-cilindros, refrigerado a ar?

Parece algo comum agora, mas o cultuado e robusto motor refrigerado a ar do Fusca foi uma ideia de Porsche muito prática. Além de compacto e robusto, para atender às demandas de consumo e durabilidade, tinha esse tipo de arrefecimento para evitar o congelamento da água do radiador. Afinal, na Alemanha dos anos 1930, muitas pessoas não tinham garagem fechada e a maior parte dos automóveis dormia na rua. Nos dias de muito frio, era aquele desespero para sair de carro.

Passado condena

Enquanto tem muita gente esquisita voltando a cultuar o nazismo atualmente, a Volkswagen apagou rapidinho seu primeiro emblema do capô do Fusca. O logotipo fazia clara referência à suástica, símbolo do regime propagado por Hitler, e só figurou nas primeiras unidades fabricadas no pré-Guerra.

20 de janeiro?

No mundo todo, o "Dia Internacional do Volkswagen Beetle" é comemorado em 22 de junho, marco da assinatura do contrato de produção inicial do modelo, em 1934. No Brasil, reza a lenda, o "Sedan Clube" (atual "Fusca Clube do Brasil") decidiu instituir uma comemoração em 1988, escolhendo a data de 20 de novembro. Acontece que a logística falhou e apenas o material comemorativo ficou pronto a tempo: com adesivos e faixas com o logo "20" preparados, a solução foi adiar o evento para outro dia 20, após as festas de fim de ano. Ficou para 20 de janeiro de 1989.

Na rosca

O Fusca tinha fama de ser carro de fácil reparo. Além da mecânica competente e simples, um dos motivos era o fato de que os componentes de sua carroceria eram parafusados, em vez de soldados.

4 anos

A produção do Fusca foi interrompida por volta de 1941, durante a Segunda Guerra, e só foi retomada em 1945, por iniciativa da Inglaterra, uma das quatro nações a controlar a Alemanha derrotada e dividida.

A ideia de reaproveitar o projeto do veículo foi do major inglês Ivan Hirst, engenheiro do exército britânico, depois que as tropas encontraram a fábrica (que não constava nos mapas dos aliados) destruída, mas com as máquinas intactas e estoque de peças. O modelo, então, abasteceria as forças de ocupação na Alemanha.

30%

O Fusca começou a ser vendido no Brasil em 1950, mas sua produção nacional começou em 1959 com poucas modificações em relação ao projeto original. Foi o caro mais vendido do país por duas décadas a ponto de, em 1986, 30% da frota de carro no país ser composta de... Fusca.

O que é isso, bicho?

O item mais furtado em carros nos anos 1960 era o… esguicho do limpador de para-brisa do Fusca! A pecinha, chamada de "brucutu", enfeitava os anéis popularizados por Roberto Carlos e a turma da Jovem Guarda. Quem tinha um Fusca à época vivia tantas emoções...

Pediu mas não levou

Itamar Franco fez lobby -- e, de fato, encheu o saco da fabricante -- para relançarem o Fusca em 1993. Só que ele não quis abrir a carteira para levar o seu tão queridinho automóvel para o Alvorada. Dizem que a Volkswagen reservou um modelo para o então presidente, que alegou estar sem dinheiro para comprá-lo.

Recordes

Se o Fusca perdeu o posto de carro mais longevo em produção, recordes que envolvem o modelo não faltam. Segundo o "Guiness Book", três australianos bateram a marca de troca mais rápida de motor de Fusca, em 2005: 1min06s.

Em 2010, um grupo de universitários dos Estados Unidos conseguiu colocar 20 pessoas dentro do besouro.

E o desfie com maior número de unidades do Fusca aconteceu no Brasil, em São Paulo, em 1995: 2.728 carros!

Se o Fusca falasse…

Um Fusca foi duramente maltratado nos anos 1970 e há registro disso. O curioso é que a responsável pelos maus tratos é a própria Volks. Em vídeo publicitário nos Estados Unidos, o carro, além de ser içado por um guincho e solto no chão, ainda boia em uma lagoa. Tudo para comprovar a robustez do bicho.

50 mil peças de carvalho

Em 2008, o bósnio Momir  Bojic, de 71 anos, refez um Fusca à mão com madeira à mão. O homem juntou mais de 50 mil peças de carvalho para revestir e revitalizar carroceria e interior. Foram dois anos de trabalho.

R$ 250 mil?!

Não é de hoje que carro no Brasil é um item que pesa no orçamento e provoca discussões acaloradas. E não foi diferente com o Fusca, que desembarcou como Volkswagen Sedan e com preço nada "popular" em 11 de setembro de 1950. O valor sugerido pela Volkswagen era de Cr$ 20 mil (a moeda era o cruzeiro). Era uma quantia módica? Nada! Em conversão aproximada para os dias atuais, temos o equivalente a R$ 100 mil. Achou muito? Calma, tem mais.

A procura pelo modelo não foi pequena, embora o estoque inicial de importados fosse. Com isso, o preço inflacionou e muitos interessados acabaram pagando até Cr$ 50 mil -- praticamente R$ 250 mil!

Dado Ruvic/Reuters
Bósnio usa 50 mil pedaços de madeira para revestir seu Fusca Imagem: Dado Ruvic/Reuters

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