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Salão de São Paulo

Carros com "saia e blusa" roubam a cena; assista e veja tendências do Salão

Fabian, design da Peugeot fala sobre tendência de cores no Salão.

UOL Carros

Karina Craveiro, Leonardo Felix e Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

15/11/2016 08h00Atualizada em 16/11/2016 11h24

Marcas ousam, mas quais as chances da tendência ganhar as ruas?

Se depender do Salão de São Paulo, o marasmo monocromático dos carros que circulam nas ruas brasileiras estão com os dias contados.

Basta dar uma volta por alguns estandes do evento, aberto ao público até o dia 20 de novembro, para se dar conta das nova ondas automotivas: muito azul (como UOL Carros já havia relatado em agosto) e também pintura bicolor.

No caso do "bitom", temos uma espécie de releitura do antigo "saia e blusa", mas sem incluir para-choque dianteiro e porta-malas. Nesta reformatação a pintura divide o carro em duas partes, tendo a linha de cintura como fronteira. Assim, colunas e teto acabam pintados de forma contrastante à carroceria.

Quem veio em duas cores

Nascido de Crossovers focados em estilo, caso de Kia Soul e Range Rover Evoque, o conceito já invade modelos até de marcas focadas em 4x4. No caso do Suzuki Vitara, por exemplo, o trunfo é oferecer mais de 20 combinações de cores entre carroceria e teto/colunas.

No espaço da marca estão expostas quatro delas: vermelho com preto, laranja com branco, vermelho com preto e cinza com prata. Segundo a marca, o cliente recebe o carro do jeito que escolheu em cerca de 10 dias.

A Renault apresentou o Captur ao público com a mesma proposta. No caso do utilitário compacto, fabricado em São José dos Pinhais (PR) serão nove combinações cores. "Cada cliente pode personalizar seu carro", defende Olivier Murguet, presidente da Renault Região Américas, ao lado de uma unidade cinza com branco.

No estande na Nissan a pintura do March Midnight Edition aparece como uma evolução do conceito de teto flutuante do Kicks. O estúdio local de design da marca pintou a carroceria do hatch da cor vermelha, enquanto teto e colunas ficaram em preto, mesma cor dos retrovisores com luzes de direção integradas.

Já a Peugeot ainda não definiu a data da estreia da comercialização da nova geração do 3008, mas quer chamar a atenção do público com a pintura externa do utilitário. Uma unidade é vermelha e preta, enquanto a outra, na configuração GT, usa bronze e preto.

Nesta última, no entanto, a divisão das cores não ocorre na linha de cintura, mas sim em diagonal, na altura das portas traseiras, dividindo segundo e terceiro volumes da carroceria (solução que a fabricante chama de "corte seco”).

"A gente trouxe justamente para experimentar essa tendência. É um diferencial que temos", aposta o gerente de marketing de produto Sergio Davico. Dois conceitos, o 208 Pyrit (em tons de dourado) e o 2008 Kyanit (azul com cinza), suavizam o "corte seco" com adesivos que dão efeitos de listras.

Bombando no Salão, longe das ruas

E nas ruas, finalmente veremos carros mais coloridos? Fabien Darche, gerente de estilo, cores e de materiais para a América Latina da Peugeot, duvida:

"O brasileiro ainda é extremamente conservador para comprar carro. Ele ainda tem aquela cultura, da época de superinflação, de que o carro é um bem que precisa ter valor de revenda. Então acaba optando por cores mais sóbrias na hora da compra", argumenta.

Não é por acaso que, segundo a Anfavea (associação dos fabricantes), a cor favorita dos brasileiros é o branco, com 39,5% da participação de vendas em 2015, seguido por prata (24,3%) e preto (13,8%).

Outro motivo é que, no caso específico dos veículos bicolores, o carro demora mais para ficar pronto e custa mais caro, visto que o processo de produção requer que cada carroceria passe duas vezes pela área de pintura. Isso eleva o preço final. "É um método muito parecido com o de perolização, inclusive nos custos", completa Darche.

Já para a Renault, esse processo pode sim favorecer vendas, já que pode atrair consumidores ligados no "diferente, no especial".

"Eleva o custo, porque passamos o carro duas vezes pela linda de pintura. Você passa a cor da carroceria, depois envolve em plástico e passa novamente para ter o teto. Mas apesar de ser um processo caro, se paga porque esse cliente paga e quer essa personalização", afirma Bruno Hohmann, gerente de produtos para Brasil.

Há bastante otimismo por parte da Renault, aliás: "A gente estima que não vai ser 5% ou 10% [de procura pela finalização bitom do Captur], mas 75% das vendas", afirma o executivo.

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