Carros

Qual a nova cor para carro? Mundo escolhe azul, Brasil vai de vermelho

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

09/08/2016 10h01

Todo começo de ano, a americana Pantone (reconhecida por sua catalogação de cores nas indústrias gráfica e de moda) define quais cores vão bombar na temporada. É a indicação de "tendência" e não é difícil entender: olhe para sua camisa nova (ou blusa, calça ou bermuda) e veja se ela tem um tom qualquer de roxo. Tendo, você segue a tendência: no começo de 2016, "Rose Quartz" (um lilás/roxo suave) e "Serenity" (um azul retrô) definiram a moda para o ano.

Mas qual a ligação disso com carros? E por que estamos falando disso em agosto? Com a crise, só agora o mercado nacional de automóveis esboça alguma reação. Apesar da enxurrada de lançamentos no primeiro semestre, a queda acumulada nas vendas foi de 24,5% até julho. Mas houve alta no mês a mês. Ou seja, o brasileiro começa a pensar de novo em qual modelo novo pode colocar na garagem. E também em qual tipo serve mais e, de quebra, em qual cor.

Se a escolha é mais conservadora em tempos bicudos, o que deve ampliar a quantidade de unidades em branco, preto e prata nas ruas, a oferta nunca foi tão variada.

Globalmente, as fabricantes seguiram a influência da moda e apostaram pesado em tons de azul (mais) e também de derivados do violeta (menos). No Brasil, o azul também se faz presente, mas há muito carro novo em vermelho. Violeta/lilás/roxo? Só o Fiat Mobi.

Esperança?

Se popularmente diz-se que azul ou verde são as cores da esperança, no Brasil automotivo, o vermelho tende a ser a cor escolhida para tempos melhores.

É algo histórico. Percebemos que o brasileiro sempre escolhe preto, prata, mas basta haver uma melhora no quadro econômico para o vermelho ressurgir

Esta afirmação é do alemão Peter Fassbender, chefe de design da Fiat-Chrysler Latam (América Latina e Brasil).

Se a empresa apostou no roxo Mirtilo para dar visibilidade ao urbano Mobi, a picape Toro, modelo mais importante da fase atual da Fiat, foi de vermelho Colorado (além de tons de verde e marrom). Ambos são inéditos, apresentados no começo de 2016, mas devem explodir (espera a marca) a partir de agora. 

Mundo é azul, Brasil será vermelho

UOL Carros questionou empresas especializadas na produção de paletas de cores automotivas e descobriu que a recuperação tardia do ânimo para compras não fará o brasileiro perder a tendência. De acordo com a americana PPG, a "moda" de cores para o cenário automotivo vale para a temporada 2016-2017.

Se o mundo se jogou no azul (veja aqui o álbum de fotos com tendências para carros), o Brasil só quebrará o cinza/preto/branco para escolher algum tom, veja só, de vermelho -- o azul, aqui, vem em casos especiais. 

Para Alex Amorim, do laboratório de pesquisa e desenvolvimento da PPG, a percepção de uma fase ruim reforça a escolha de cores comuns, que respondem por 87% das vendas totais por aqui:

Perspectiva de cenário econômico ruim até 2020 acarreta a seleção de cores acromáticas como os pratas, cinzas, brancos e pretos 

Mudança no quadro? "Como temos muitos veículos novos em lançamento, vamos ter um pouco de vermelhos perolizados e pode ser até que em [tom] azul", apontou.

Segundo Amorim, a crise faz com que apenas quatro cores (as três de sempre e mais cinza ou vermelho) sejam expostas em lojas. Crise e conservadorismo, aliás: para José Marcos Qualiotto, gerente do laboratório de desenvolvimento de tintas automotivas da alemã Basf, "no mercado brasileiro, as cores acromáticas têm uma participação mais importante que na média global". 

Para Qualiotto, qualquer alternância no aspecto geral do país vai influenciar a escolha. "[Mudança do panorama do] ambiente, à política, à ciência, aos esportes e à tecnologia apresentam uma indicação ou inclinação para a escolha de uma cor determinada", afirmou. 

E no mundo real?

Apesar da tendência pender para o vermelho no Brasil, na prática, a cor mais popular é branco: responde por até 36% dos emplacamentos. Mas pode cair para 24% na temporada 16-17. Prata segue estável e com alta dose de escolha: 31% de preferência.
 
Acontece que com a queda do preto (está em 11% e pode ir a 8%), sobe a importância do... vermelho (de 9%, pode ir a 14%). 


Azul (ainda que em alta e podendo ir a 4% das escolhas)? Roxo, laranja e amarelo (de séries como o Onix Activ)? Só no lançamento e em catálogo provisório.

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