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Peugeot 208 e Citroën C3 brigam para ser o mais econômico; veja

Arte UOL Carros/Murilo Góes
C3 ou 208: qual super-econômico serve para você? Imagem: Arte UOL Carros/Murilo Góes

Eugênio Augusto Brito
André Deliberato
Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

23/06/2016 11h00

Os novos Peugeot 208 e Citroën C3 da linha PureTech usam a mesma base mecânica e trem-de-força (voltado para eficiência) para assumirem primeiro e segundo lugares no pódio dos carros mais econômicos do Brasil com motor a combustão.

É um salto considerável em conforto, segurança e tecnologia em relação aos modelos que detinham essa posição anteriormente: no Renault Clio, nem ar-condicionado era possível ter; para o Uno, faltava espaço e melhor acabamento.

Embora vendidos como novos reis da economia, são campeões em eficiência, na verdade: oferecem uma conta menor no posto de combustível por conta do motor 1.2 flex de três cilindros e 90 cv com etanol (16,9 km/l na estrada para o 208; 16,6 km/l para o C3, nas mesmas condições). Mas a despesa para comprar o carro sobe: quase encosta nos R$ 50 mil iniciais.

Se as fabricantes nem sempre deixam as propostas de cada um tão claras para o consumidor, e se o recheio é praticamente o mesmo, qual apresentação cai melhor no seu gosto e cabe no seu bolso? UOL Carros testou 208 e C3 1.2 Pure Tech em momentos diferentes e responde. Confira:

208, o dinâmico

Quem optar pelo compacto da Peugeot terá de pagar um pouco mais caro por um pacote que promete pegada mais premium, jovem e esportiva. O hatch não sai por menos de R$ 48.990 e chega a R$ 55.790 na versão mais cara com o 1.2, a Allure. Com a pintura metálica marrom Dark Carmin, vai a R$ 56.980.

Plano de revisão para até 30 mil quilômetros também sai mais salgado: R$ 1.444 contra R$ 1.095 do C3, segundo dados oficiais da PSA.

De série, o Allure tem como principais itens: quatro airbags; lanternas traseiras com guia de luz em LED e máscara negra; faróis e lanternas de neblina; ar-condicionado digital de duas zonas; piloto automático com limitador de velocidade; teto solar panorâmico; sensor de estacionamento traseiro; limpador de vidro traseiro com acionamento automático em marcha à ré; luzes de emergência para frenagem brusca; e central multimídia com tela tátil de 7 polegadas, Bluetooth, USB e espelhamento via Apple CarPlay e MirrorLink (a mesma de Aircross e do próprio C3).

Por ter plataforma mais nova, o 208 possui coeficiente aerodinâmico ligeiramente superior e também é mais leve: 1.073 quilos. Por isso conseguiu índices de consumo superiores no programa de etiquetagem do Inmetro.

Nele o motor PureTech (com comando variável das 12 válvulas e que dispensa tanquinho de partida a frio) tem funcionamento dinâmico e bastante linear. Boa parte dos 12,1/13 kgfm de torque é entregue abaixo de 2.000 giros. Com etanol no tanque, faz lembrar um propulsor 1.6 a gasolina em desempenho.

Há surpreendente fôlego para rodar na cidade e até na estrada sem sofrer com cambiamentos constantes. Em rodovias a autonomia jamais baixa de 12 km/l com etanol, mesmo se o motorista tiver "pé pesado"; na cidade, o consumo é menor mas ainda perto de 10 km/l. Com gasolina, supera facilmente os 20 km/l em velocidade de cruzeiro.

Níveis de ruído e vibração são excepcionais -- o PureTech é certamente o 3-cilindros mais silencioso e "calmo" em nosso mercado atualmente --, mas falta uma transmissão à altura (assim como no primo-irmão da Citroën): a caixa manual de cinco marchas segue imprecisa e tremulante.

Conforto e espaço interno parecem aquém do C3. Parecem: o modelo é ligeiramente maior e mais espaçoso, embora mais baixo. Portanto, o 208 é indicado para quem deseja um carro mais equipado, refinado, dinâmico, com uma leve pitada de esportividade -- qualidade ressaltada pela calibração das suspensões e pelo volante pequeno e ovalado postado sob o cluster -- e, claro, econômico.

C3, tranquilo e fácil de guiar

Ao ponto: dificilmente o comprador irá encontrar o C3 PureTech na versão mais barata, a Origine (R$ 46.490). Como constatar? Olhe para as ruas: você já viu algum C3 sem LEDs diurnos ou o belo para-brisa Zenith (que da aspecto testudo ao carro, mas deixa a cabine mais iluminada e arejada)?

Não mesmo. Para ter o carro mais simples, só encomendando e aguardando.

O C3 que estará sempre exposto na loja, geralmente na versão Tendance (de topo, a R$ 52.690) ainda é um modelo agradável, embora tenha simplificações em relação às configurações do lançamento em 2012.

Todas as superfícies em contato com as mãos são texturizadas, mas feitas de plástico duro. Tons de preto predominam, sem os detalhes cromados dos carros mais caros, painel de instrumentos é mais simples e não há LEDs internos para melhorar o conforto visual, sobretudo à noite. Tudo para reduzir custo de entrega e de manutenção.

Mas a pegada ao volante segue interessante: o 208 roda mais na mão, mas se o vendedor não ensinar como se ajusta o volante, pouco adianta. O C3 é "comum" e isso facilita, longe de ser algo ruim.

A direção elétrica não é solta, nem dinâmica demais, algo que agrada a um conjunto maior de motoristas. O mesmo vale para os pedais, menos sensíveis que no 208 e mais adequados para o uso geral, e para a suspensão, que doma bem os movimentos da cabine, mesmo com a maior altura -- ficou no passado dizer que carro de marca francesa é duro demais para o asfalto local.

Há o senão do câmbio manual, com cinco marchas, impreciso como no 208. Cambiar a todo instante é fundamental para manter o bom consumo, sobretudo na cidade, e a caixa ajuda pouco.

Ah, não há opção de câmbio automático para os modelos com sobrenome PureTech pois a caixa de apenas quatro marchas e projeto antigo, ainda que recalibrada (a PSA não gosta, porém, que a chamemos de defasada), jogaria o consumo nas nuvens.

Falando em consumo, a constatação: rodamos cerca de 120 quilômetros em teste relativamente curto, mas com boa mistura de trecho urbano (travado, nunca além de 50 km/h) e rodoviário (máxima de 120 km/h). Nessas condições, a média no computador ficou pouco acima dos 12 km/l com etanol.

Para comparar fora deste embate, o novo AirCross  experimentado há alguns meses por UOL Carros tinha o motor 1.6 também revisado para gastar menos, mas câmbio automático: não passou de 6 km/l.

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