Carros

Renault vai reparar 15 mil Captur na França; total pode chegar a 700 mil

Divulgação
Captur com motor a diesel está poluindo demais na Europa; carro brasileiro será flex Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo (SP)

19/01/2016 13h20

A Renault vai reparar 15.800 unidades do crossover compacto Captur, na França, antes mesmo de colocá-las à venda. Além disso, outros 700 mil carros já vendidos podem entrar numa lista gigante de recall por conta de ajustes necessários na linha de motores a diesel da fabricante, informou a imprensa francesa, nesta terça-feira (19). A decisão foi anunciada à mídia pela ministra de Ecologia Segolene Royal, após reunião com integrantes da fabricante francesa. 

Segundo o jornal "Le Figaro", o grupo francês anunciou ainda estar investindo 50 milhões de euros (R$ 220 milhões) de seu orçamento desde dezembro para adequar a produção de seus modelos a diesel aos índices esperados de emissão de poluentes. O objetivo é alinhar a "vida real" aos "índices obtidos em laboratórios", aponta o periódico francês.

Newspress
Brasil vai fabricar o Captur a partir deste ano, mas modelo local usará motor flex Imagem: Newspress
Com cerca de 72 mil unidades emplacadas em 2015, o Captur foi o quarto modelo mais vendido da França em 2015 e é equipado com dois dos quatro modelos de motores a diesel (1,5 e 1,6 litro) investigados pelo Ministério da Ecologia da França. O modelo também é vendido na Europa com versões equipadas com motor a gasolina. A Renault do Brasil começará a vender este ano uma versão alongada do Captur, mas que será fabricada localmente e com motores flex.

Além do Captur, a minivan Espace 5, recém-lançada, também pode entrar na lista de revisão na França, que inclui ainda modelos equipados com motores maiores (2 e 2,3 litro) como o sedã Fluence e a linha Mégane (hatch, sedã e perua).

Segundo o jornal, a Renault nega que a Espace esteja afetada pela falha e afirmou que o total de 700 mil carros diz respeito ao número de veículos que podem ser verificados em um programa de afinidade com o consumidor, mas que nem todos terão de passar por eventual correção do sistema de filtração do motor a diesel. 

Jacky Naegelen/Reuters
Além do Captur, Espace (foto), Megane e Fluence podem estar envolvidos Imagem: Jacky Naegelen/Reuters

Poluindo demais

Segundos técnicos do Ministério da Ecologia, os motores a diesel da Renault estariam emitindo até 25% a mais de poluentes (CO2 e óxido de nitrogênio) que o permitido pelas regras da norma Euro6. Ainda assim, o governo francês anunciou na última semana que a Renault não está usando programas fraudulentos em seus motores a diesel, como fez a Volkswagen com 11 milhões de carros até 2015

"A Renault se comprometeu a chamar um determinado número de veículos para verificá-los e, caso necessário, ajustá-los para que o sistema de filtração funcione corretamente", disse a ministra Segolene Royal à rádio francesa RTL. Os "novos carros devem estar em conformidade com os índices. É nosso interesse proteger os franceses contra a poluição do ar, como é de interesse deste construtor ser transparente para incitar os consumidores a continuar a comprar carro zero-quilômetro", completou a ministra.

De acordo com a agência AFP, Segolene Royal havia ordenado a inspeção de veículos de várias marcas depois do escândalo da Volkswagen. Outros fabricantes envolvidos "aceitaram depor ante a comissão", disse a ministra, sem citar mais nomes.

Apostando tudo no diesel

Esta informação sobre a Renault gera preocupação, uma vez que boa parte dos carros vendidos pela marca no mundo -- sobretudo na Europa -- está equipada com motores a diesel. Segundo dados da marca divulgados pela "agência Reuters", 63% dos veículos vendidos pela Renault no mundo usam trem-de-força a diesel. Em 2015, a marca emplacou 2,8 milhões de veículos globalmente.

Além disso, a marca espera revelar outros dez novos modelos (entre reestilizações, complementos de gama e lançamentos) com motores a diesel em 2016, bem como apresentar um novo conceito de carro híbrido até 2017, com motor a diesel unido a gerador elétrico.

Segundo a marca, porém, medidas já foram tomadas para corrigir a falha. "Verificou-se em julho que houve um erro de parâmetro", afirmou ao Figaro o diretor-técnico da Renault, Thierry Bolloré, ao Le Figaro. "O erro foi corrigido no início de setembro e estes [15 mil] veículos que serão revisados já estavam nas lojas", completou o executivo.

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