Carros

Crise? Associação diz que setor prefere vender menos carros e manter lucro

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

02/07/2015 19h52

"Aparentemente chegamos ao fundo do poço". Foi com essa frase que a consultora econômica da Fenabrave (associação dos concessionários), Tereza Fernandez, analisou o balanço de vendas do setor automotivo em junho e também no acumulado de janeiro a junho de 2015 -- o pior semestre desde 2007. Nem por isso os preços de carros deverão cair -- solução que seria uma das saídas para atrair novamente o comprador.

Os dados da entidade são basicamente os mesmos divulgados na última quarta-feira (1º) pelo colunista de UOL Carros Joel Leite: tombo de 19,76% no comparativo com 2014, para um total de 1.269.853 unidades. Considerando apenas junho, queda de 18,35% para 2014, e de 0,16% ante maio, com 204.627 emplacamentos.

"A boa notícia é que, muito provavelmente, as vendas não vão mais cair até o final de 2015. Seguirão abaixo de anos anteriores, mas devem manter patamar próximo a esse de junho, talvez até um pouco acima", explicou Fernandez. Ainda assim, nem mesmo a Fenabrave acredita recuperação antes de 2016, mesmo com promoções, feirões e campanhas de financiamento e consórcio.

Preços menores?

Mas e a margem de lucro? É possível reduzir os valores cobrados? Uma das regras básicas de Economia, a "Lei da Oferta e Procura", diz que, quando a procura cai, as etiquetas devem ser reajustadas para baixo para reestimular a demanda. Só que, segundo Tereza Fernandez, as fabricantes não acompanham essa lógica.

"Num momento como esse, para as montadoras vale mais reduzir vendas e operações para manter um negócio saudável, que gere lucro, do que diminuir demais os preços e tomar prejuízo só para segurar o volume", explicou.

Segundo cálculo da agência Autoinforme, o preço do carro zero-quilômetro subiu 4,4% nos cinco primeiros meses do ano, em comparação com 2014. 

Leonardo Benassatto/Futura Press/Folhapress
Semestre teve queda de 19,76% em relação a 2014; previsão para o ano é de -23% Imagem: Leonardo Benassatto/Futura Press/Folhapress

Premium sem crise

Outro fenômeno interessante é a sustentação de vendas nos segmentos superiores, onde os carros custam mais e oferecem mais conteúdo. O Toyota Corolla, por exemplo, que custa entre R$ 70 mil e R$ 100 mil, emplacou 5.811 unidades em junho, mais do que o Fiat Uno, hatch de entrada da Fiat que custa de R$ 29 mil a R$ 42 mil.

Outro exemplo é o Honda HR-V, recém-lançado e já reajustado para algo entre R$ 72 mil e R$ 91 mil: o SUV tem filas de espera, e só não vende mais do que as 5.229 unidades emplacadas no último mês por limitações na produção.

Segundo a consultora econômica da Fenabrave, a corda arrebentou primeiro do lado mais fraco. "A chamada nova classe C é quem mais vem sofrendo com falta de crédito para financiamento e insegurança em relação ao futuro", apontou.

Além disso, brasileiro não gosta de dever: "As vendas despencaram, mas a taxa de inadimplência segue baixa e estável. Na dúvida, a pessoa prefere não comprar".

Fabio Braga/Folhapress
Segundo consultora, reduzir margem de só é válido para as fabricantes quando há necessidade urgente de esvaziar estoques e garantir entrada rápida de dinheiro Imagem: Fabio Braga/Folhapress

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