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Mitsubishi do Brasil tira L200 do caminho da Fiat; Lancer será nacional

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

22/09/2014 22h25Atualizada em 23/09/2014 18h20

A Fiat terá de fabricar uma picape exclusiva para o mercado brasileiro se quiser, de fato, atuar no segmento de comerciais leves médios. A decisão não veio da filial mineira ou da sede da fabricante italiana, mas da Mitsubishi do Brasil, que divulgou comunicado nesta segunda-feira (22) com "nota de esclarecimento" à informação divulgada na sexta-feira de que as duas marcas compartilhariam o uso da próxima geração da picape L200 na Ásia, Oriente Médio, Europa e América Latina. De quebra, a marca ainda afirmou que vai nacionalizar o sedã Lancer GT ainda este ano.

Sebastien Feval/AFP
Nova L200 Triton só poderá usar emblema da Fiat longe do Brasil Imagem: Sebastien Feval/AFP
De acordo com a Mitsubishi do Brasil (MMCB), as medidas de compartilhamento "não contemplam o mercado brasileiro no qual a MMCB possui fábrica, direito exclusivo de comercialização e distribuição" da L200.

UOL Carros achou a declaração oficial um tanto quanto hermética e procurou pessoa ligada à representação da marca japonesa, que confirmou o veto ao chamado "rebadge" (a venda de um mesmo modelo por outra marca trocando apenas nome e emblema) da próxima L200 pela Fiat.

Segundo a fonte, executivos da MMCB teriam dialogado com a matriz japonesa da Mitsubishi, que confirmou os termos de exclusividade da L200 para o Brasil -- algo que invalidaria na prática a chegada da nova geração do utilitário com nome e emblema da Fiat.

Com isso, caberá à Fiat e à Mitsubishi do Japão, que assinaram o acordo internacional para desenvolvimento conjunto da L200 para alguns mercados, decidir qual será a forma de atuação em outros mercados da América Latina e até mesmo em países signatários de acordos comerciais com o Brasil, caso do Mercosul e México.

JOGANDO NA DEFESA
Trata-se, no fim das contas, de uma decisão estratégica da Mitsubishi para garantir a própria sobrevivência. A L200 é uma das poucas forças da marca no Brasil: seus pouco mais de 13 mil emplacamentos (de janeiro a agosto, segundo a Fenabrave) correspondem a quase a metade do total de 37.641 unidades vendidas de todos os modelos (tanto de carros de passeio quanto de comerciais leves) pela empresa este ano.

Além disso, a L200 garante aos japoneses a quarta colocação no nicho de picapes médias (foram pouco mais de 13 mil emplacamentos entre janeiro e agosto, ou 11% das vendas do segmento), atrás da líder Chevrolet S10 (33.288 vendas, com 30%) e de Toyota Hilux (26.842 unidades) e Ford Ranger (15.832 unidades).

Embora tenha experiência zero no segmento, uma eventual entrada da Fiat poderia mudar o quadro muito rapidamente. A marca italiana é líder de vendas no país, considerando o mercado geral, e a ampla penetração em termos de concessionárias, oficinas reparadoras e até mesmo de confiança do consumidor poderia afetar sensivelmente a posição da Mitsubishi.

UOL Carros toma como exemplo a situação de um rebadge que a Fiat já pratica no Brasil. O crossover americano Dodge Journey, da Chrysler, emplacou 1.588 unidades desde o começo do ano. Já o Fiat Freemont -- o mesmo modelo, mas com emblema e nome da marca italiana -- entregou2.452 unidades, quase mil carros a mais. Há diferenças de motorização, acabamento e preço, mas podemos apostar que a marca estampada no capô conta muito aqui...

(No exterior, a história é outra: na Ásia, América Central Estados Unidos e até Europa, a Mitsubishi é tão mais tradicional e respeitada por seus modelos para uso comercial, que a Fiat ganharia algo usando uma L200 com seu emblema, sem que isso afetasse em nada as entregas da marca japonesa.)

Murilo Góes/UOL
Fiat Freemont vende mais que modelo original, o americano Dodge Journey Imagem: Murilo Góes/UOL
O QUE FAZER
Com isso, volta-se à situação anterior, já apontada por UOL Carros. Como se nada tivesse ocorrido, a Fiat segue seus planos para a fábrica de Goiana (PE). O primeiro modelo a sair de lá será o Jeep Renegade, no primeiro trimestre de 2015. Num intervalo que pode ficar em torno de seis meses, teremos o segundo modelo produzido por lá, justamente a picape média da Fiat.

Agora, porém, fica mais claro que esta picape terá como único destino (ou pelo menos principal) o mercado brasileiro. E terá de brigar não apenas com S10, Hilux e Ranger, mas também com a L200 Triton. Como não serão iguais, que vença a melhor.

LANCER VEM
Também é estratégica -- e já não era sem tempo -- a decisão de fabricar localmente o Lancer GT (versão civil do sedã, que concorre com Toyota Corolla, Honda Civic e cia) no país ainda este ano.

Anunciada já há algum tempo, mas sempre adiada, a produção local do sedã poderá deixá-lo mais competitivo em relação a antigos e novos concorrentes. É bom lembrar que além de Corolla e Civic, renovados há alguns meses, e de novos integrantes como Citroën C4 Lounge, teremos ainda a provável reestilização de Volkswagen Jetta e Chevrolet Cruze anunciada ainda no Salão do Automóvel de São Paulo deste ano, em outubro.

Haverá ainda a sombra premium do BMW Série 3, que começa a ser fabricado este mês em Santa Catarina. Neste segmento, quem ficar parado perde espaço.  

LEIA NA ÍNTEGRA A NOTA OFICIAL DA MITSUBISHI DO BRASIL:

"No último fim de semana, notícias foram divulgadas sobre um acordo entre a Mitsubishi Motors e a Fiat-Chrysler, para a produção de uma picape media utilizando a plataforma da L200 Triton.

A Mitsubishi Motors do Brasil esclarece que essas medidas não contemplam o mercado brasileiro no qual a MMCB possui fábrica, direito exclusivo de comercialização e distribuição.

A Mitsubishi Motors do Brasil continua a produzir a linha de picapes L200 Triton, e futuras atualizações, em sua fábrica no município de Catalão (GO), onde tem sua planta há mais de 16 anos. Nela também são produzidos os modelos Pajero Dakar, Pajero TR4 e o crossover ASX. Ainda neste ano, entra em produção o sedan Lancer".

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