Carros

Audi A3 1.4 é o sedã de luxo mais barato do Brasil; saiba como anda

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

22/05/2014 18h34

Há exatamente um mês, a Audi anunciou uma versão "básica" do três-volumes A3 Sedan com motor 1.4 e preço inicial de R$ 94.800. Pois o carro acaba de ser lançado oficialmente e tem preço ligeiramente menor: R$ 94.700. O objetivo da fabricante é claro: vender mais, ainda que isso quebre alguns paradigmas. Por exemplo, se apresentar como um "sedã de luxo" acessível -- na real, o mais barato do Brasil.

OUTROS TEMPOS
Quem aí se lembra do Brasil dos anos 1990, no período seguinte à liberação de importações? O cenário automotivo nacional era dominado pelo que o ex-presidente Fernando Collor de Mello apelidou de "carroças" -- modelos locais bem equipados, além de caros, eram raros. Cenário perfeito para que marcas como as alemãs BMW, Audi e Mercedes-Benz (esta menos, já que apostou também no acessível Classe A) marcassem presença com modelos que apresentavam um "estranho" diferencial: serem completos.

Na ficha técnica, nada de motor pequeno (potência e 0-100 s raso eram primordiais), nem de "botão cego" -- tanto que o já citado Classe A (mais simples) e o Audi A3 nacional (menos potente) ficaram com má fama. Cada carro destinado ao Brasil tinha de ser topo da gama, noção que perdura até os dias atuais.

Murilo Góes/UOL
E o Mercedes CLA? O único rival direto "real" do Audi A3 Sedan é, por ora, carta fora do baralho no Brasil. Tudo por conta da política da marca, que jogou o preço do sedã no alto: R$ 150.500. Imagem: Murilo Góes/UOL
Noção que teve efeitos colaterais e ajudou a popularizar marcas como Toyota e Honda, para citar dois casos campeões: bem recheados, mas com pacotes mais acessíveis, Corolla e Civic agradaram ao público mais exigente e que também era mais racional com o talão de cheques. A dupla se deu tão bem durante os anos seguintes, que nunca mais deixou a ponta da tabela de vendas.

Voltando a 2014, temos um Brasil com economia estável e pacote de medidas do governo de Dilma Rousseff que exige planos de produção local de automóveis, aumento de tecnologia nacional e reforço de eficiência e segurança para conceder benefícios às montadoras (o chamado programa Inovar-Auto). Quem oferece carro "completão" agora são as marcas chinesas -- e a preço menor. E quem entrega algum "diferencial" são as coreanas. No cenário global, o período é de competitividade total, mesmo entre marcas de luxo.

Tudo isso e mais a necessidade do grupo Volkswagen -- ao qual a Audi pertence -- de se posicionar como líder mundial até 2018 fez acender a luz de alerta: a marca das quatro argolas precisa vender bem, inclusive no Brasil. Ainda que precise abrir mão de equipamentos (!) e pedir revanche contra Corolla e similares.

Divulgação
Traseira curta tem lanternas com LED, spoiler integrado e abriga porta-malas de 425 l Imagem: Divulgação

A RECEITA
Ninguém na Audi gosta de dizer que o A3 Sedan 1.4 é um carro empobrecido. Sequer admitem que o carro é menos equipado. Executivos e engenheiros afirmam apenas que o carro aposta num motor menor, mas de maior eficiência (a receita típica do downsizing), para conseguir oferecer a mesma "experiência Audi a um preço mais acessível".

"Todo Audi tem esportividade no DNA e reafirma isso com [o tempo de aceleração de] 0 a 100 [km/h] em menos de dez segundos", afirma o gerente de produto Gerold Pillekamp. No caso do A3 Sedan 1.4, este tempo é 9,3 s; a velocidade máxima é de 203 km/h.

Responsável pelos números, o trem-de-força é da mesma família do pequeno Audi A1. Com quatro cilindros e movido a gasolina, gera 122 cv de potência (a 5.000 rpm) e tem torque de 20,39 kgfm (linear entre 1.500 e 4.000 giros). Com correia dentada e correção da fase de admissão no comando de válvulas, tem turbo, injeção direta de combustível e sistema start/stop (desliga o motor em paradas) com regeneração de energia (Kers), que atua em frenagens, por exemplo. O gerenciamento é feito pelo câmbio de dupla embreagem e sete marchas S-tronic.

Na cidade, a configuração dá conta da tarefa de mover os 1.200 kg com folga. O motorista consegue boas saídas de semáforos e condução sem qualquer tranco, vacilo ou barulho. Pesa aí também o ótimo trabalho da suspensão independente (McPherson na dianteira, multibraços atrás), apesar de algumas batidas mais secas em buracos. Se este é seu uso primordial, você terá um Audi em sua melhor forma.

O senão está na estrada, como UOL Carros percebeu durante teste de 140 quilômetros: ainda que acelere de forma linear e até rápida (graças ao torque linear e presente logo cedo e ao turbo), o motor é pouco elástico e passa a sensação de que algo está faltando... na real, faltam cavalos para um sprint maior. 

Ainda assim, a promessa de eficiência é cumprida: o computador de bordo apontou consumo médio de 14,5 km/l, com esticadas e tudo.

Curiosidade: na Europa, UOL Carros guiou uma versão do A3 1.4 com 140 cv (potência similar à do Golf 7 1.4) e desligamento de dois cilindros em fase de baixas rotações. Questionada sobre a importação, a Audi deixou claro que "não está nos planos justamente pelo preço".

Mas pode ter certeza de que será este o principal motor do futuro A3 a ser fabricado no Brasil: a Volkswagen já deixou claro que prepara uma versão flex do 1.4 (para Jetta e Golf) e não há como não imaginá-lo sob o capô também do Audi, em 2015,

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Interior foi simplificado para reduzir preço, mas tela escamoteável, câmbio de dupla embreagem e os sete airbags seguem lá. Bancos curtos e de tecido jogam contra. Imagem: Divulgação

SE CUIDA, COROLLA
Reduzir o motor não bastava para chegar ao preço sub-100. Foi preciso abrir mão de alguns mimos entregues pela super plataforma MQB (a mesma do Golf 7). Saem comandos autônomos (como o controle de cruzeiro adaptativo) e automáticos (do ar condicionado), bem como o revestimento de couro e ajustes elétricos dos bancos. Mas o carro segue bem recheado, ainda que a lista de opcionais cresça, veja:

- Audi A3 Sedan 1.4, de R$ 94.700: direção eletromecânica; ar condicionado analógico (uma zona); rodas aro 16; faróis bixenônio com LED; lanternas de LED; apliques metálicos no interior; parassóis com espelho e luz de cortesia; e sistema multimídia com tela escamoteável de sete polegadas e oito falantes com 80 W. Na segurança, são sete airbags (frontais, de cabeça, laterais de cortina e de joelho para motorista); ganchos isofix para cadeirinhas; freio de estacionamento eletro-eletrônico; frenagem com ABS (antitravamento), EBD (distribuição de força), hill hold (segura o carro por três segundos em aclives) e sistema autônomo pós-colisão (para o carro em caso de batida com disparo dos airbags, se o motorista não reagir); controles eletrônicos de estabilidade (ESP), de tração (ASR) e de bloqueio de diferencial (EDS). 

Como opcional, apenas o catálogo de cores metálicas ou perolizadas, a R$ 1.000.

- Audi A3 Sedan 1.4, de R$ 99.900: acrescenta ao pacote anterior volante multifuncional com borboletas de troca de marcha e revestimento de couro; e reforço da central multimídia com interface musical, subwoofer, falante médio e potência sonora total de 180 W.

Como opcionais, além das pinturas especiais, kit conforto (bancos de couro, teto solar panroâmico e sensor de ré) por pesados R$ 10 mil; e kit MMI Plus (interface visual aprimorada, comandos por voz, DVD, leitura de e-mail e SMS, disco rígido de 10 GB e botão sensível ao toque) com navegador por GPS a salgados R$ 9.900, talvez o pacote de  navegação mais caro do mundo.

UOL Carros havia afirmado, no lançamento da atual geração do Corolla, que a cara versão Altis (R$ 92.990) poderia perder vendas até mesmo para o Mercedes-Benz Classe C em fim de carreira (a geração nova do sedã alemão chega em breve), mas aquele alemão era de fato bem mais caro que o japonês. Agora, fica claro que adversário é o Audi A3 Sedan no pacote inicial.

Nem estranhamos a ausência de ar-condicionado automático ou com mais zonas de resfriamento, já que o Corolla também não oferece tanto. Esquisito mesmo foi sentar em um Audi sem bancos de couro ou, pior, com assentos mais curtos, nos quais "sobram" joelhos. De resto, a boa pegada do volante e o visual atualizado do painel -- entre o clean e o esportivo, contra o quadradão estilo "anos 90 do Corolla" -- compensam a mancada anterior. Há ainda o soberbo espaço para as pernas do ocupante no banco traseiro, ainda que todos tenham de recolher a cabeça ao entrar por conta do caimento do teto; e o porta-malas de 425 litros bem colocado na traseira curta inspirada na do A7.

Claro, há ainda o Ford Fusion no horizonte, que é mais recheado que ambos e que começa em R$ 98.700, mas essa é outra história.

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