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Ford Focus SE 1.6, nota B do Inmetro, aposta em conforto e bom preço

Murilo Góes

Colaboração para o UOL

20/01/2014 15h46Atualizada em 22/01/2014 14h04

Apresentada em setembro de 2013, a terceira geração do médio Ford Focus enfrenta um começo de vida de altos e baixos no Brasil. A chegada foi retardada demais e só ocorreu três anos depois da estreia global do modelo, que já deve passar por um facelift este ano em outros mercados; além disso, o lançamento local foi ofuscado também pela chegada do Volkswagen Golf 7, totalmente sincronizado com a Europa (apenas um ano após o lançamento global e com o mesmo nível de equipamentos do restante do mundo); por fim, houve um recall por falha de fixação dos bancos, em novembro, pouco após a chegada às lojas.

Entre pontos positivos já demarcados estão o alto nível de segurança nos testes de colisão do Latin NCAP (cinco estrelas para adultos), a escolha como melhor carro produzido na América Latina feita por juri especializado e, nesta segunda-feira (20) bom posicionamento no novo ranking de carros mais econômicos do Inmetro, com nota B (no cômputo geral; na categoria, é A) para a versão com motor 1.6 e câmbio manual.

A questão é que, entre ganhos e perdas, o novo Focus fechou 2013 atrás do rival. Se o total de vendas do ano encerrado (último balanço consolidado pela Fenabrave até o momento) mostra o modelo da Ford em segundo no ranking, herança das vendas da antiga geração (e aí com ampla vantagem do Focus 2 sobre o muito defasado Golf 4,5), os números de novembro e dezembro apontam uma realidade na qual os rivais abrem distância a cada dia: Chevrolet Cruze ainda é líder, com o novo Golf já em segundo, ambos emplacando mais de 2 mil unidades ao mês, enquanto o novo Focus não passa do limiar de 1.500 carros.

Diante disto, uma questão: será que o Focus possui atributos para reconquistar terreno? Depois do teste com a versão mais completa, a 2.0 Titanium, UOL Carros percorreu cerca de 2 mil quilômetros ao longo de 15 dias ao volante de um Ford Focus SE 1.6, na configuração hatch com câmbio manual de cinco marchas.

Com esta versão intermediária, e a conclusão é de que há atributos para reconquistar o espaço, se levarmos em conta conforto, em detrimento da esportividade, e preço por equipamento ofertado em relação aos concorrentes.

O FOCUS ENCOLHEU
Versão intermediária da nova gama do Focus, a SE 1.6 flex com câmbio manual de cinco marchas começa em R$ 63.990 (preço considerando IPI de janeiro de 2014) – mais barato que a versão de entrada do Golf, a Highline, com motor 1.4 TFSI a gasolina, que parte de R$ 70.360. O Cruze também é mais caro, partindo de R$ 65.390 na versão LT. Volkswagen e Chevrolet oferecem câmbio manual de seis marchas.

Produzido em General Pacheco, província de Buenos Aires, na Argentina (enquanto o Golf vem da Alemanha, com previsão de nacionalização a partir deste ano e o Cruze é nacional), o Focus entrega quatro airbags (dois a mais que na versão S), freios a disco nas quatro rodas com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica de frenagem), rodas de liga leve de 16 polegadas com pneus 205/55, faróis de neblina, retrovisores com luzes de direção e sensores traseiros de estacionamento. Na cabine, computador de bordo, bancos e volante multifuncional revestidos em couro, comando automático de todos os vidros, abertura elétrica do porta-malas, direção com assistência elétrica, controlador e limitador de velocidade eletrônicos, ar-condicionado simples, iluminação nos para-sóis e sistema multimídia Sync com conexões Bluetooth, USB e auxiliar, tela de 4 polegadas e possibilidade de comandos de voz.

Visualmente, a impressão que se tem é de que o carro ficou mais largo e comprido, algo desmentido pela ficha técnica, que pode ser baixada e lida: são 4,35 m de comprimento (7 mm mais curto); 1,82 m de largura (17 mm mais estreito) e 1,48 m de altura (menos 13 mm). O entre-eixos, porém, ganhou 8 mm e agora vai a 2,64 m. De qualquer maneira, o Focus ficou mais bonito e, com a pintura na cor vermelho sólido (Bari) do modelo testado, chamou bastante a atenção por onde passou.

  • Murilo Góes/UOL

    Este é um dos ângulos mais interessantes, com as lanternas se esticando para a lateral

A posição de dirigir é bem esportiva, com assento e volante baixos. Nesta versão, o banco do motorista tem regulagem manual para altura, distância e ajuste de apoio lombar. O console central alto aumenta a sensação de encaixe e a alavanca de câmbio também elevada mantém o braço do motorista em posição quase horizontal -- lembrando ligeiramente o posicionamento de um stock car.

Por outro lado, conforto e sofisticação surgem dos novos bancos e do painel em espuma injetada, com toque macio. O painel central é praticamente igual ao do New Fiesta, com número excessivo de botões que podem confundir o motorista. O sistema SYNC, porém, pode ser controlada pelo botão central, no volante ou ainda por comando de voz, facilitando um pouco as coisas.

No banco traseiro bipartido, além do sistema de fixação para cadeirinhas infantis isofix, há apoios de cabeça e cinto de segurança de três pontos para os três ocupantes, mas o espaço para as pernas, principalmente na posição central, é bem limitado. O porta-malas também ficou um pouco menor: agora carrega 316 litros, 12 a menos que a geração anterior.

Em contrapartida, e ao contrário da maioria dos carros rivais, a suspensão é muito macia, transmitindo conforto e suavidade para motorista e passageiros. Para os mais afoitos, o carro pode até parecer "molão" demais. Mesmo assim não chega a prejudicar a segurança, principalmente nas curvas, onde em casos extremos é auxiliado pelo sistema EBD, que distribui a força de frenagem entre os eixos.

Porém, a pouca altura para o solo revelou-se um problema ao passar por lombadas ou valetas mesmo com apenas o motorista a bordo.

MESMO MOTOR
Em se tratando de motorização, o Focus intermediário segue devendo. Além dos três anos de defasagem em relação à versão que já roda na Europa -- e que utiliza os motores Ecoboost, mais novo e eficientes -- a versão SE local carrega o já conhecido Sigma 1.6L TiVCT, flex e também usado no New Fiesta, embora com um ganho de cinco cavalos. No Focus, ele passa a ter 135 cv e 16,62 kgfm com etanol.

Desta maneira, mesmo com a boa sintonia com o câmbio IB5, de cinco marchas e mudanças precisas, as arrancadas são lentas e sem fôlego, e o motor só começa a responder com eficiência a partir dos 3.500 giros. Daí em diante, o desempenho evolui, privilegiando o dirigir nas altas velocidades das estradas em detrimento às respostas rápidas exigidas no trânsito das cidades.

A impressão que se tem é de que o carro é muito pesado para o trem-de-força -- de fato, o peso aumentou 20 quilos em relação à versão anterior, passando para 1.310 kg. Com o carro carregado, esta noção fica ainda mais latente, apesar de, em velocidade de cruzeiro, conseguir constância mesmo em subidas pouco íngremes.

Quanto ao consumo, o Focus SE 1.6 não se revelou beberrão, mas também nenhum exemplo de economia. Com uso misto entre cidades e estradas, o computador de bordo acusou média de 9,5 km/l com etanol; na gasolina, alcançamos 11,5 km/l. De acordo com os dados laboratoriais do Inmetro, o consumo oficial fica entre 7 e 9,3 km/l com etanol e entre 10,3 e 13,7 km/l com gasolina (urbano e rodoviário).

(Este texto continha erros em sua versão original, já corrigidos; veja errata)

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