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Fiat 500L, o "Quinhentão", é candidato a ser feito em PE; leia impressões

Alberto Alquati/Divulgação
500L em ação: modelo poderia aposentar Palio Weekend e colocar Fiat na briga das minivans Imagem: Alberto Alquati/Divulgação

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em Estocolmo (Suécia)

03/03/2013 19h29

Ainda é segredo industrial o que a nova fábrica brasileira da Fiat, em Goiana (PE), produzirá quando chegar 2014, ano previsto para entrar em operação. A unidade entregará até 250 mil carros por ano. E a bolsa de apostas (ou de palpites) sobre quais modelos serão feitos em Pernambuco segue bombando.

A rigor, podem sair dali carros de quaisquer marcas "normais" do grupo Fiat-Chrysler (as "anormais" são Ferrari e Maserati). Isso inclui Alfa Romeo, a própria Chrysler e a Jeep. Quanto à Fiat, já se disse que a fábrica seria toda dedicada ao substituto do Mille, condenado a sair de linha no ano que vem devido à obrigatoriedade de airbags e ABS (em tese, o veterano pé-de-boi pode receber esses itens, mas o investimento não compensaria).

No final de novembro de 2012, um executivo da Fiat deu importante pista ao dizer que Goiana produzirá três modelos inéditos e mais caros que a gama atual da marca italiana. Pouco antes, no que pode não ser mera coincidência, foi lançada na Europa a minivan 500L, de proposta familiar-descolada (o que fica claro em sua campanha publicitária na Inglaterra) e estilo decalcado do 500, embora use a arquitetura do Punto (também do Alfa Mito).

A Fiat global parece disposta em investir alto nessa família (meio torta) composta pelo bem-sucedido Cinquecento e seus agregados. Além do L, que no Salão de Genebra, cuja abertura à imprensa é na terça-feira (5),  vai ganhar versão Trekking, é esperado um X, crossover compacto que apareceu brevemente no ano passado e que era cotado para estrear no evento suíço -- tão cotado que sua organização acreditou nisso, até haver um desmentido oficial.

DETALHES DO 500L

  • Alberto Alquati/Divulgação

    Traseira tem iluminação minimalista e elegante, com grafismo que lembra os da Volks

  • Claudio Luís de Souza/UOL

    A dianteira é totalmente Cinquecento, e mostra que a Fiat-Chrysler quer mesmo três seções de luzes

  • Claudio Luís de Souza/UOL

    Motor 1.4 Fire não é o estado da arte, nem o mais moderno da Fiat; há espaço para unidade 1.6

É irritante conversar com funcionários da Fiat sobre o tema. "O 500L não vai para o Brasil", e "Vocês é que inventaram esse tal de 500X" são algumas das frases mais ouvidas. Curiosamente, durante visita de jornalistas ao campo de provas da Fiat em Arjeplog, na Suécia, onde seus carros são submetidos a testes de segurança, foi organizado um test-drive justamente com o 500L e dois outros carros do grupo que integram outro mistério: o da volta, ou não, da Alfa Romeo ao Brasil (o já citado Mito e o Giulietta).

UOL Carros dirigiu o 500L em estrada (com neve em alguns trechos) e também no campo de provas da Fiat, em situações-limite de baixa aderência em que os sistemas eletrônicos de segurança ativa funcionam o tempo todo. E, na primeira parte, deu para entender muito bem qual é a dessa minivan.

DO BEM
Sua proposta é transportar a família de modo confortável e menos careta. A começar pelo visual, que emula a fórmula de sucesso do 500 de verdade: é um carro amigável, simpático, bonzinho -- em vez de que agressivo, robusto, massudo, e vários outros adjetivos cada vez mais comuns nas análises automotivas (não por nossa culpa). A única chance de ele ganhar um apelido no aumentativo é se virar o "Quinhentão".

Trabalhando em cima de 4,15 metros de comprimento e 2,61 m de entre-eixos, os engenheiros da Fiat conseguiram um habitáculo que, não bastasse ser espaçoso de verdade (leva bem cinco adultos em trechos curtos), provoca a sensação de ser ainda maior. O efeito é conseguido com a enorme área envidraçada dianteira, dotada de vigias laterais complementando (e ampliando) o parabrisa, e com o opcional teto panorâmico, fixo e de vidro, que cobre praticamente toda a área cabine. Uma cortina rígida retrátil, de comando elétrico, o "fecha" por dentro.

O 500L traz de série, desde sua versão de entrada, itens como ar-condicionado, direção elétrica, volante ajustável em profundidade e altura, computador de bordo, vidros elétricos dianteiros, seis airbags, freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força), controles de estabilidade e de tração, hill holder etc. O carro testado oferecia também, entre outros itens, vidros elétricos traseiros e retrovisores elétricos com deesembaçamento.

Some-se ao recheio uma posição de dirigir elevada (muito semelhante à de modelos Citroën), porta-objetos até atrás dos bancos dianteiros, gentilezas como os amortecedores que erguem sozinho o capô dianteiro, firulas como bancos com desenho retrô e partes do painel na cor da carroceria, porta-malas de 343 litros que pode chegar a 1.310 litros com rebatimento, sistema Isofix de segurança no transporte infantil, e pronto: temos um carro sob medida para virar uma extensão de casa para as mamães modernas -- inclusive, ou especialmente, as brasileiras.

TÁ VENDO?

  • Claudio Luís de Souza/UOL

    Área envidraçada é enorme, graças às vigias laterais; teto panorâmico (que não aparece aqui) é opcional em versões do 500L na Itália. Posição de dirigir é alta e agradaria às mulheres

EM MOVIMENTO
A unidade testada por UOL Carros na gélida Lapônia sueca era dotada de um valente motor Fire 1.4 a gasolina, que, apesar do tamanho médio-pequeno, é gerenciado por câmbio manual de seis marchas, no qual as primeiras posições tendem a ser mais curtas e a sexta trabalha como overdrive. É um arranjo interessante e funcional para um trem-de-força modesto, mas cujo resultado não pode ser comparado ao do sofisticado Multiair 1.4 sobrealimentado do Mito que dirigimos horas antes.

Esse propulsor do 500L gera 95 cavalos de potência e 12,9 kgfm de torque. Na Europa, há opções 1.3 e 1.6 a diesel, além do Twinair de dois cilindros e 900 cm³. No Brasil... Bem, no Brasil uma solução imediata para dar mais status ao 500L seria usar a gama E-torq, cujo motor 1.6 cairia bem nesse carro. Não precisa nem reformar a dianteira: sobra espaço sob o capô devido ao já citado 1.6 europeu. Quanto ao restante do acerto do "Quinhentão", o privilégio é para o conforto na condução, com suspensões de ação suave mesmo trabalhando sobre rodas grandes. Mas houve zelo, porque o carro inclina pouco nas curvas mesmo sendo relativamente alto (1,67 metro).

Sempre com três pessoas a bordo, o 500L cravou 12,2 km/litro durante nossa experimentação. É uma boa marca.

Na Itália, o teto panorâmico é opcional em duas versões do 500L, num pacote que inclui pintura branca perolizada e rodas de liga aro 17, entre outros itens. Com ele, o preço de lista da versão Pop Star, que dirigimos, é de 17.150 euros (cerca de R$ 44,6 mil). Há opções mais baratas: a gama começa em 15.500 euros (cerca de R$ 40,3 mil). Fabricado no Brasil, o 500L teria preço parar ser o terror de Nissan Livina, Chevrolet Spin e Honda Fit. Também bateria prego no caixão da Palio Weekend (e das peruas em geral).

E se o 500L não for fabricado e lançado no Brasil? Ora, outra aposta é que se faça em Goiana o 500X, o tal crossover que "ainda não existe", ou que nós "inventamos" (e que seria mais um "anti-EcoSport"). Pode ser. De qualquer modo, pelo menos um Quinhentão (agora sem aspas) rodará pelo país.

Viagem a convite da Fiat

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