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Alfa Romeo Mito mostra o que perdemos enquanto Fiat e Chrysler vacilam

Alberto Alquati/Divulgação
Alfa Romeo Mito: personalidade forte, excelente opção de motor e economia de gasolina Imagem: Alberto Alquati/Divulgação

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em Arjeplog (Suécia)

02/03/2013 14h33

Prestes a lançar mundialmente o 4C, esportivo que estreia na próxima semana no Salão de Genebra mirando o mercado dos Estados Unidos, a Alfa Romeo continua sendo uma notável ausência no mercado brasileiro, no qual marcas similares -- como Audi, BMW e Mercedes-Benz -- fazem barulho como se fossem grandes players locais.

DETALHES DO MITO

  • Alberto Alquati/Divulgação

    Carro ficou coberto de gelo durante o test-drive, e mesmo assim as lanternas redondas se destacam

  • Claudio Luís de Souza/UOL

    Ainda sob efeito dos -10ºC, o belo emblema do Mito, carro de 2008 cujo estilo segue atual

  • Claudio Luís de Souza/UOL

    Motor Multiair tem várias configurações; aqui, com 1,4 litro, possui turbo e gera bons 137 cavalos

Desde que a Fiat assumiu o controle da Chrysler no pós-crise de 2008, os rumores de que a grife do trevo de quatro folhas voltaria a ser vendida no Brasil aumentaram substancialmente. Se isso vai acontecer, ou não, ainda é temerário afirmar (leia mais em quadro nesta página). O que dá para fazer, por ora, é contar ao leitor como é dirigir um carro da Alfa.

UOL Carros dirigiu o hatchback compacto Mito em Arjeplog, cidade da Suécia que fica próxima ao Ártico. Devido às temperaturas baixíssimas (18 graus negativos neste sábado, dia 2), o local é usado por montadoras e fornecedores de autopeças para testar carros em condições severas -- por exemplo, sobre o gelo formado na superfície de lagos que congelam no inverno.

A Fiat, que possui um campo de provas aqui, cedeu o carro para experimentação numa estrada comum, de asfalto -- com a ressalva de que estava coberta de neve em boa parte de sua extensão.

Lançado em 2008, o Mito pode estar à beira de uma reestilização. Não que precise: apesar de incisivo, o visual do hatch ainda não cansou. O destaque é a expressividade do conjunto formado por faróis muito distantes entre si e o escudo cromado e em barras da grade frontal, desalinhado do conjunto óptico em direção ao solo; e, atrás, a eloquente simplicidade de duas lanternas redondas e pequenas.

Com 4,06 metros de comprimento, 2,51 metros de entre-eixos e duas portas, o Mito (feito sobre a plataforma do Punto italiano, desenvolvida em conjunto com a GM/Opel e ainda em pleno uso pelo grupo Fiat) é um modelo indicado para solteiros e casais sem filhos.

O espaço interno permite que quatro adultos de estatura média viajem sem problemas quanto ao conforto horizontal, mas passageiros acomodados no banco traseiro que meçam cerca de 1,75 metro já ficarão com a cabeça muito próxima do teto (o carro mede 1,44 m). É um problema encontrável em modelos similares de outras marcas, como Audi A1 e Mini Cooper.

UM RESUMO DA ÓPERA

A crônica de uma volta anunciada, no caso a da Alfa Romeo ao Brasil, continua a ser escrita. Os últimos parágrafos dão conta de que os carros da marca do trevo de quatro folhas serão importados e distribuídos no país pela Chrysler.

A marca americana, hoje pertencente à Fiat, vende modelos mais caros que os da matriz italiana, e vem obtendo sucesso no Brasil: considerando também as submarcas Jeep, Dodge e Ram, emplacou cerca de 7,1 mil veículos em 2012, contra 5,5 mil um ano antes.

O know-how da Chrysler na comercialização de veículos considerados de luxo seria o fator decisivo para que sua rede de concessionárias receba os modelos da Alfa. Representantes da marca americana desconversam sobre o assunto. Na Fiat, sequer é admitido o retorno da grife do trevo de quatro folhas.

Os carros da Alfa Romeo serão importados, e precisam entrar na cota anual de quem vá trazê-los ao Brasil. Todo a gama de Chrysler e suas submarcas é de importados. Já a Fiat busca no México o Cinquecento e o Freemont. Por ora, as cotas de importação são separadas.

Os hatches Mito e Giulietta, respectivamente um compacto de duas portas e um médio de quatro, são os Alfa Romeo candidatos à venda no mercado brasileiro (já foram até fotografados com placas de teste).

São modelos relativamente baratos na Europa. Na Itália, o Giulietta parte de 18,8 mil euros (R$ 48,8 mil) e tem 13 versões por menos de 25 mil euros (R$ 65 mil). A mais cara vale 31,3 mil euros (R$ 81,3 mil). Já o Mito parte de 14,7 mil euros (R$ 38,2 mil) e chega ao máximo de 21,8 mil euros (R$ 56,7 mil). Num cálculo conservador, o preço final de ambos no Brasil chegaria pelo menos ao dobro dos valores em reais citados acima – se fossem importados da Europa.

O Mito é fabricado em Turim, e o Giulietta, em Cassino, ambas cidades italianas. Não há nenhuma indicação de que eles possam vir a ser feitos no México, para eventual abastecimento do mercado dos Estados Unidos (e, por tabela, do Brasil). Num primeiro momento, o esportivo 4C, que estreia na semana que vem em Genebra, é a isca preferencial da Alfa para fisgar ianques. (CLS)

O acabamento do Mito na versão testada (Distinctive, de 20.020 euros, ou R$ 52 mil) era correto, mas com algumas falhas -- as maçanetas internas eram de plástico e dignas de um Palio de entrada. Instrumentos, volante e escolha de materiais pareciam um pouco datados e, quem sabe, já a justificar a eventual reforma citada mais acima. Até um Punto mais caprichadinho causa melhor impressão aos sentidos.

Só que o Mito tem muita coisa que o Punto não tem. Eis a questão.

A começar do premiado motor Multiair de 1,4 litro, aqui em variação turbocomprimida, a gasolina (o modelo italiano tem mais sete opções de motorização).

FORÇA
Dotado de um sistema de controle eletro-hidráulico da admissão de ar, o propulsor gera 135 cv de potência e 19,3 kgfm de torque. É possível alterar parâmetros dele e da direção de assistência elétrica usando o sistema DNA (de "dynamic", "normal" e "all-weather", este último o indicado para piso com neve). Na primeira opção, que privilegia a performance, o DNA antecipa o pico de torque e faz com que o Multiair produza soberbos 21 kgfm a apenas 1.750 rpm.

Por razões de segurança, a maior parte do teste foi conduzida com o Mito em A, opção em que o ajuste é mais comportado e o carro "anda nos trilhos". Mesmo assim, a 100 km/h o motor trabalhou a apenas 2.500 rpm e mostrou força de sobra para retomadas seguras, em quinta marcha, a partir da faixa de 50 km/h -- sem jamais soluçar. Segundo a Alfa, a velocidade máxima do hatch é de 207 km/h.

O ânimo do motor Multiair soma-se a uma posição de dirigir preciosa, ao mesmo tempo esportiva e confortável -- e com tudo à mão. O Mito "veste" bem o motorista. O acerto das suspensões tende ligeiramente à esportividade, e o câmbio mecânico de cinco marchas permite trocas rápidas e suaves.

LETRINHAS
O hatch italiano também é dotado de controles de tração e de estabilidade (batizados pela Alfa de VDC e ASR), além dos freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força de frenagem). Outro sistema de segurança ativa, este com a infeliz sigla DST (de "dynamic steering torque"), age sobre o volante dando uma "puxadinha" (na falta de melhor palavra) para o lado indicado à neutralização de sobre ou subesterço.

Alguns dos ingredientes da sopa de letrinhas da segurança ativa são opcionais. Na cabine, porém, os sete airbags e os encostos de cabeça ativos (itens de segurança passiva, ou seja, pós-acidente) são de série em todos as versões. A unidade dirigida usava pneus especiais para a neve.

O MIto não seria suficientemente bom se consumisse muita gasolina (ou "benzina", no charmoso italiano automotivo). Mas a proposta do downsizing de motores (mais potência e torque em unidades menores) contempla também a eficiência energética. Com três pessoas a bordo, trafegando a uma velocidade média de 61 km/h, em pista plana e sob frio de cerca de 10 graus negativos, o Mito cravou bons 14,3 km/litro.

É assim a experiência de guiar um Alfa Romeo do século 21: prazerosa e esperta. Merecemos mais carros assim em nosso país.

IMIGRANTE ITALIANO

  • Claudio Luís de Souza/UOL

    O cupê esportivo de dois lugares 4C marcará o retorno da Alfa Romeo aos Estados Unidos neste ano. A ser mostrado em versão definitiva no Salão de Genebra, que abre as portas à imprensa no próximo dia 5, o modelo (que tem tudo para agradar clientes idiossincráticos nos endereços mais cosmopolitas dos EUA) vai oferecer motor de 1.750 cm³, câmbio de dupla embreagem e materiais leves em sua estrutura. Detalhe nada pequeno: o 4C sairá da fábrica da Maserati, em Modena (Itália). Na foto, um exemplar do 4C camuflado no campo de provas de Arjeplog (Suécia).

Viagem a convite da Fiat

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