Topo

Carros

Citroën DS4, R$ 99.990, equilibra a família francesa "chic"; leia impressões

Murilo Góes/UOL
Citroën DS4 brinca de ser cupê, anda forte e equilibra gama DS no Brasil Imagem: Murilo Góes/UOL

Eugênio Augusto Brito<br>André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/02/2013 19h00Atualizada em 26/02/2013 18h05

A Citroën apresenta em duas datas, noite da segunda-feira (25) e manhã de terça (26), em São Paulo, o DS4, último integrante da família DS (gama premium) a desembarcar no Brasil. O hatch será vendido em versão única de conteúdo e acabamento por R$ 99.990.

Proposta, preço e tamanho ficam no meio do caminho entre os carros anteriores: são cerca de R$ 25 mil a menos que o preço do grande DS5, e R$ 20 mil a mais que o pequeno DS3; da mesma forma, o DS4 é menos visceral (do ponto de vista esportivo) e mais refinado que o DS3, ao passo em que mais leve (em 100 quilos), mais compacto e abusa menos de tecnologia e firulas que o DS5.  

O modelo é feito sobre a plataforma do novo C4 e antecipa algumas linhas desta nova geração no Brasil (o C4 convencional já roda sob disfarce no país e deve chegar em breve). Mas com diferenças marcantes. As medidas: são 4,28 metros de comprimento, 1,81 m de largura e 2,61 m de entre-eixos. A altura, de 1,53 m, e a elevação (são mais 31 milímetros em relação à base do C4 comum) o deixam parelho, por exemplo, ao aventureiro AirCross. O tanque de combustível tem capacidade para 60 litros, enquanto o porta-malas leva 359 litros de bagagem.

Visualmente, o DS4 tem frente agressiva (e nada feminina), linha de cintura alta e traseira arredondada, mas massuda e elevada (a marca chama este conceito visual de "bold"), com vincos em locais inesperados para garantir a sensação de esportividade. Este arranjo acaba deixando o hatch com jeito de crossover, quase um SUV, para quem segue o carro no trânsito.

As belas rodas são de liga leve e 18 polegadas, mas o estepe é de aço e aro 16 -- e, seguindo o que se vê no DS5, mas diferente do DS3, sem possibilidade de customização. 

EQUIPAMENTOS
O pacote oferecido no DS4 é amplo, assim como o dos outros integrantes da família sofisticada da Citroën. 

Entre os itens de segurança, o carro possui seis airbags; freios com ABS (antitravamento), sistema distribuidor de força, controle de estabilidade, função que evita que as rodas patinem e ajuda em aclives/declives; retrovisores externos com repetidores da luz de seta e alerta de ponto cego; retrovisor interno eletrocrômico; faróis e luzes diurnas com LEDs, canhões bi-xenônio direcionais; fixação Isofix para cadeirinhas de criança; e controle de cruzeiro (piloto automático) e limitador de velocidade.

Além disso, é equipado com itens de conforto como ar-condicionado eletrônico de duas zonas, direção eletro-hidráulica, tela de LCD de sete polegadas com computador de bordo, sistemas de som e telefonia (com entradas para USB e Bluetooth) e navegador por GPS; para-brisa panorâmico com ajuste individual para motorista e passageiro, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, travas e vidros elétricos com sistema anti-esmagamento, bancos de couro dianteiros com desenho esportivo, massageador e comandos elétricos de ajuste lombar e massagem, coluna de direção ajustável em altura e profundidade. O pacote é completo, sem opcionais, mas também sem customização.

Ainda assim, e aí está outro ponto em que o tal charme "chic" aparece, o condutor pode escolher a cor da iluminação dos mostradores digitais (com nuances que vão do branco ao azulado), bem como o tipo de informação exibida, fazendo uma espécie de extensão da tela principal.

  • Murilo Góes/UOL

    Citroën brinca com propostas: chama hatch de cupê ao esconder portas traseiras (tente achá-las na foto acima) e usa altura do AirCross num esportivo-chic; interior do DS4 é diferente do DS3 e do DS5 

  • Murilo Góes/UOL

MECÂNICA
O motor que move este conjunto é o mesmo 1.6 THP (de "turbo de alta pressão", em inglês) de 165 cavalos e 24,5 kgfm de torque, que usa somente gasolina (de preferência, premium), presente nos outros modelos DS. O câmbio é o mesmo que equipa o carro maior: um automático de seis marchas, com opções de trocas sequenciais na alavanca (o DS3 é manual de seis marchas).

A suspensão segue a receita tradicional e usa o sistema McPherson na dianteira e um eixo deformável na traseira. Os freios têm discos ventilados e sólidos (na frente e atrás), respectivamente. O carro pesa 1.363 kg.

A Citroën afirma que o DS4 é capaz de chegar a 212 km/h e acelerar de 0 a 100 km/h em 8,6 segundos. São três anos de garantia total.

O DS4 EM AÇÃO
O pacote intermediário entre o atrevido DS3 e o esnobe DS5 parece ser o melhor dos caminhos, a ponto de fazer do DS4 o modelo mais acertado da gama DS. A carga de esportividade não é tão explosiva quanto a encontrada no modelo menor, mas faz barulho o suficiente para contentar quem pede um tempero a mais na tocada. Por outro lado, requinte e tecnologia embarcados auxiliam condutor e passageiros, sem assustá-los ou confundi-los, algo que acaba ocorrendo no DS5, com seus milhares de comandos e painéis.

Não espere pelo amarelo berrante ou pelas rodas com pequenas calotas customizáveis do DS3, nem pelas escotilhas individuais que fazem o papel de teto panorâmico do DS5. O DS4 chega com quatro cores de carroceria (preto, branco perolizado, cinza grafite e vermelho) e o arroubo está em reproduzi-las no couro de painel das portas e miolo dos bancos. Sem teto solar, é o para-brisa que se estende (como no C3 atual e no C4 Picasso), podendo ser revelado ou não com o movimento dos parassóis.

Mas o DS4 tem seus truques: é um hatch médio, que brinca de ser (e agora vamos usar os termos da Citroën) "um cupê que dá uma piscada para o segmento de SUVs". UOL Carros explica: a ideia do DS4 é ser um hatch esportivo, daqueles que você usa sozinho ou com, no máximo, alguém muito próximo no banco do carona - ou seja, que poderia muito bem ter apenas duas portas. De "brinde", há duas portas traseiras, que podem ser úteis na "emergência" da volta de uma festa com amigos, por exemplo, ou para levar os pais ao aeroporto.

A graça da fabricante foi camuflar as portas extras com a silhueta que se alonga no comprimento e se estreita na altura, o arco do teto caindo drasticamente até tornar-se a traseira, e com o vinco que sai da base da caixa de roda dianteira, sublinha toda a carroceria e contorna a caixa de roda traseira em direção à lanterna. As maçanetas seguem o exemplo do Veloster e ficam embutidas na parte superior da porta, perto da quina formada pela junção das molduras cromadas que delimitam a área envidraçada lateral -- se o carro da Hyundai usa o argumento de ter apenas três portas como "afirmação de caráter", a Citroën se vale de vidros traseiros fixos, que não podem ser abertos.

Há ainda o trunfo da altura -- a tal parte em que o DS4 "pisca" para SUVs. Com porte de AirCross, o hatch ganha imponência no trânsito e ainda circula com desenvoltura por lombadas sem padrão, valetas e buracos comuns em vias tronchas como as de São Paulo. Aponte outro esportivo que pode passar por obstáculos sem fazer seus ocupantes sofrerem. A lista é limitadíssima.

Méritos também do acerto primoroso de suspensão, permitindo que o DS4 ofereça o conforto devido aos ocupantes, mas também devore curvas sem culpa. E da direção bastante direta e que fica mais firme conforme a agulha do velocímetro (único elemento analógico no painel) se movimenta para a direita, em direção à marca dos 230. A fabricante diz que a velocidade máxima é de 212 km/h.

Pisando, é fácil perceber que o DS4 tem gana -- o 0 a 100 é cumprido em 8,6 segundos, pelos dados oficias. Palmas para a calibração específica do trem-de-força feita pelos engenheiros (e por seus computadores). Embora os componentes sejam os mesmos de DS3, DS5 e muitos outros da PSA e da Mini, o trabalho executado aqui parece melhor: o DS4 acelera forte e rápido, mas sem o exagero do hatch menor, enquanto as seis marchas avançam quase como num câmbio de dupla embreagem, sem qualquer sinal de tranco, nem da letargia presente às vezes no DS5.

O resultado é agradável, permitindo que se ande bem, sem esvaziar o bolso no posto de combustível: em duas sessões, totalizando 300 quilômetros percorridos em trânsito pesado da cidade e pista livre na estrada, obtivemos o consumo médio de 10,5 km/l.

Nada -- nem  boas invenções de estilo, nem o desempenho interessante -- acaba justificando, porém, o preço elevado, que neste caso também é uma questão de posicionamento do mercado (ou seja, uma relação direta com o que o público atendido espera de si e da vida): quem quer algo diferenciado no país ainda acredita que pode (alguns até acham que devem) pagar mais.

Mais Carros