Audi quer retorno do A3 'made in Brazil' como forma de conter BMW

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Munique (Alemanha)

Acelerada na condução de sua imagem de marca premium no Brasil (a linha conta com 41 modelos à venda no país, alguns com valores acima de R$ 1 milhão, caso do R8 GT), a Audi está preparando não uma redução de velocidade, mas uma ligeira (e necessária) mudança de rumo, que deve ser marcada pelo fortalecimento da linha dos best-sellers A3 e A4 no país. E o reforço do poderio destes modelos passa, fundamentalmente, pela construção de ambos no Brasil, decisão que vai ganhar corpo até 2014.

Oficialmente, o presidente da Audi do Brasil Leandro Radomile mantém a posição anunciada durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, e afirma apenas que a marca está estudando alternativas -- melhoria do fluxo de importação da Alemanha para o país (complicado pelo atual cenário automotivo nacional e sem perspectivas de avançar sem uma política de investimento local) e adoção do até então inédito eixo México-Brasil (a marca fabricará o SUV médio Q5 por lá a partir de 2016, numa produção voltada principalmente ao mercado americano, ao menos de acordo com a concepção do projeto). Nos bastidores, porém, executivos e pessoas ligadas à Audi afirmam que a vontade de voltar a construir carros no país se intensificou e está na pauta do dia.

A ideia, claro, é decorrente de outros dois movimentos recentes do mercado brasileiro. O primeiro deles é a mão-pesada do governo brasileiro sobre os veículos importados, com aplicação do super-IPI e cotas para quem não se enquadrar no novo regime automotivo e processar diversas etapas automotivas em nosso país: ou seja, neste momento é preciso ter instalação para poder ter o direito de vender no Brasil de forma competitiva.

O segundo fator, decisivo, foi a confirmação da fábrica da rival BMW em Santa Catarina (de onde deverão sair Série 1, Série 3 e X1), feita em outubro na abertura do Salão do Automóvel de São Paulo (relembre aqui) e que culminou também na aceleração de planos por parte de outra concorrente da Audi, a Mercedes-Benz, que mostrou ter planos consistentes para desenvolver sua nova família de carros compactos (médios para os nossos padrões) no Brasil (saiba tudo aqui).

Veja fotos do novo Audi A3 no Salão de Genebra 2012
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QUEM VEM
Para Radomile, é certo que tais anúncios mexem com o mercado de automóveis premium na forma como é conhecido atualmente. Para o presidente da marca, uma fábrica como a da BMW, com capacidade anunciada de 30 mil unidades, vai saturar o espaço para este tipo de carro e (virtualmente) acabar com as chances de qualquer outra marca no médio prazo.

"O mercado atual de carros premium gira perto de 20 mil unidades e projetamos chegar a 40 mil unidades nos próximos anos. Uma única marca dizendo entregar 30 mil carros deixaria pouco espaço para as demais", afirmou o executivo.

O antídoto seria ter o que oferecer em termos de produto local. E a dose vem na forma dos modelos com maior reconhecimento e entrega em nosso mercado: A3 e A4.

A nova geração do hatch médio, com visual alinhado ao restante da marca e muitos equipamentos (motor 1.8 turbo de 180 cavalos e duplo sistema de injeção, acesso à internet e maior segurança, entre outros, além de uma versão 1.4 turbo) chega ao Brasil por importação a partir de março de 2013, já de olho na obtenção da cidadania. Neste momento, a marca faz a apresentação do A3 Sportback (quatro portas) à imprensa mundial, evento do qual UOL Carros participa e sobre o qual trará informações em breve.

Na última semana, porém, a movimentação da marca e de seus executivos foi forte junto a empresários brasileiros, que estiveram aqui na Alemanha (mais precisamente em Berlim) e participaram de um evento da marca, e junto ao vice-presidente da República Michel Temer, que também particiou de um Fórum no país à convite do gabinete do presidente alemão e da câmara de comércio local. Entre a delegação brasileira estavam pessoas ligadas à antiga fábrica da marca em São José dos Pinhais (PR).

É desta série de conversas e mostras que deve sair o sinal verde da matriz alemã para o retorno da produção ao Brasil. Sem ela, a Audi corre o risco de ver tanta velocidade no lançamento de carros em nosso país chegar a lugar nenhum.

Viagem à convite da Audi do Brasil

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