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Na corrida dos carros autônomos, montadoras deixam Apple e Google para trás

Ralph Orlowski/Reuters
Volkswagen I.D. Crozz é um dos cinco modelos da linha elétrica e autônoma que chega em 2020 Imagem: Ralph Orlowski/Reuters

Alex Webb

27/05/2018 08h00

Apple e Google queriam dar as cartas... mas foram vencidas pela realidade

Há alguns anos, conversei com um gerente sênior do Grupo Volkswagen que estivera envolvido em discussões com a Apple sobre a parceria com veículos autônomos.

Em essência, disse ele, a Apple pediu à gigante alemã de automóveis que fornecesse uma pilha de dados de comportamento de veículos e motoristas. Em troca, a Volkswagen receberia o sistema de "autodireção" que ele chamava de "BlackBox" (caixa-preta), que poderia seu usado em seus veículos. Ele riu. "Não, obrigado", foi a resposta.

O ex-CEO da VW,  Matthias Mueller admitiu isso em uma entrevista de 2016, sugerindo que as duas empresas tinham visões muito diferentes sobre o valor muito maior dos dados da montadora.

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Caindo na real

Avançando para os dias de hoje, o "New York Times" tem relatado que a Apple está trabalhando com uma subsidiária VW para transformar vans T6 Transporter em "transfers" autônomos e elétricos. É um enorme passo em relação aos planos de vários anos atrás.

A Apple está adaptando menos de duas dúzias dos veículos, que serão utilizados para um serviço de transporte entre edifícios de escritórios em sua sede em Cupertino, informou posteriormente a "Bloomberg". Parece um relacionamento fornecedor-cliente, mas a Apple é o cliente, não a Volkswagen.

Embora a VW tenha sido lenta em relação aos carros autônomos, ela não precisa da Apple, cujo projeto de carro autônomo parou e está muito atrás dos esforços de outras empresas. A VW tem várias equipes dedicadas, e não menos importante, uma parceria com a Aurora Innovation. A divisão Audi também tem uma equipe trabalhando na tecnologia.

O novo arranjo de van da Transporter faz sentido para a Apple, no entanto, depois de ter demitido a maioria de seus engenheiros automotivos em 2016 para se concentrar em sistemas de condução autônomos, em vez de moldar metais. Esforços para derrubar a indústria de automóveis foram substituídos por uma abordagem mais realista para a construção de conhecimentos.

Cada um na sua, alguns à frente

Com o acordo com a VW, a fabricante do iPhone não precisa se preocupar em construir um carro. Em vez disso, pode se concentrar nos elementos em que pode agregar valor: o software e a experiência ao usuário. O complicado trabalho de hardware está sendo feito pelo Italdesign, estúdio de design italiano de propriedade da unidade Lamborghini da VW, segundo o "Times".

No mês passado, surgiu notícia de que a Apple está testando 55 carros autônomos na Califórnia: os veículos esportivos Lexus  RX 450h são alugados de uma unidade da Hertz. Isso pode torná-lo a segunda maior frota do Estado, mas outros grandes programas de teste de carros autônomos já foram além da Califórnia. Eles têm frotas maiores trabalhando em regiões onde o regime regulatório é mais receptivo, como Arizona e Pittsburgh.

A VW consegue aproveitar um pouco do glamour do Vale do Silício, e talvez mais adiante, a Apple vai encomendar mais T6 Transporters. Mas enquanto a empresa mais valiosa do mundo adapta algumas vans VW, a Waymo (divisão do Google) concordou em comprar 20.000 SUVs elétricos i-Pace da Jaguar Land Rover, somando à frota de minivans Pacifica da Fiat Chrysler.

A Apple está dirigindo em marcha lenta.

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